
A leitura recente de um texto do pensador
Tzevan Todorov chamado
“
Os dilemas da memória” despertou algumas importantes considerações sobre essa dádiva
maravilhosa de Deus. O autor fazia uma clara distinção entre o que comumente
chamamos memória, incluindo no conceito até mesmo a condição técnica de um computador
de armazenar dados, e o que verdadeiramente constitui a
memória humana. De
fato, a memória suplanta em muito o simples arquivamento de fatos. Memória é seleção,
é arquivamento, mas também é esquecimento, por vezes até recalque, além de ser hierarquização
(pois concedemos a eventos, lugares ou pessoas diferentes valores) e
estratégias de organização e relacionamento entre as lembranças, resultando nas
várias narrativas internas que compõem nossa história pessoal e os discursos mentais
sobre aquilo que vivenciamos.