Vivemos em um tempo onde as grandes transformações tecnológicas modificaram totalmente o modo de ser e viver das pessoas, criando um mundo consumista e de extremo egoísmo, no qual as relações humanas têm sido gravemente afetadas pela hegemonia do “ter” sobre o “ser”. O acesso à informação em geral, as recentes mudanças no conceito de família e o egoísmo massageado pela pseudociência da autoajuda formam um contexto extremamente árido para as relações entre marido e mulher e para com seus filhos.
Hoje, fala-se abertamente em ser feliz a qualquer preço, numa
busca pela satisfação e a valorização excessiva das chamadas “conquistas” ou realizações
pessoais, mas esse estilo de vida tem causado um efeito devastador sobre a
estrutura do casamento e da família.
Ao se falar em otimização do tempo, o que se pretende é ganhar
mais e lucrar mais. Este não tem sido um tempo de qualidade para o diálogo no
contexto do lar. Para agravar ainda mais esse problema, muitos ocupam seu tempo
em casa com entretenimento de baixa qualidade na televisão ou acessando a
internet em sites de consumo ou, ainda pior, acessando conteúdos não recomendados
para menores de 18 anos, os quais nem mesmo aos maiores de idade é recomendado
o acesso.
A Palavra de Deus no livro de 2 Timóteo 3 nos fala de uma corrupção
extrema do gênero humano nos últimos tempos, e o versículo 2 inicia a descrição
de diversos pecados que têm a sua origem no pecado do egoísmo ou “amor
próprio”, sendo essa a questão fundamental dessa busca desenfreada pela satisfação
dos desejos da carne. “Porque haverá homens amantes de si mesmos” (v2), “mais amigos
dos deleites do que amigos de Deus” (v4).
Esse pecado quase invisível é responsável por muitos problemas
que ocorrem no seio da família como tristezas, litígios e divisões, e vem sendo
nutrido por um sistema muito eficiente de marketing de consumo, onde grande parte
da humanidade é levada a buscar satisfação ou dar algum sentido à própria existência
adquirindo bens e consumindo desordenadamente.
É mais fácil comprar um programa novo de jogos para computador
para o filho do que oferecer o precioso tempo conversando ou mesmo brincando com
ele. Afinal, a “vida está muito corrida”. Mas, na verdade, ninguém quer doar
tempo ou se comprometer por alguns instantes nem mesmo com a própria família.
Não é difícil encontrar lares onde todos têm inúmeros compromissos
o dia todo, e o que nos causa ainda mais preocupação é que no fi m deste cada
um liga o notebook ou tablet e se ocupa com notícias, fofocas e algumas
futilidades do “mundo virtual”, sendo incapazes de demonstrar o afeto natural
oriundo do vínculo familiar. Este é um mundo sem graça e sem a Graça do Senhor
Jesus.
Para agravar ainda mais este quadro, o egoísmo é agora tratado
ou denominado como autoestima, carente de uma, mas a passagem denominada
“autoajuda”.
Este tem sido um campo muito explorado por especialistas, que
com suas palestras motivacionais e seus “best-sellers” tem enchido o coração
das pessoas de futilidade e egocentrismo destrutivos.
A autoajuda pode até trazer uma certa melhora nos referenciais
de auto valorização das pessoas que possuem baixa estima, entretanto, trazem um
efeito colateral muito indesejável: As tornam egoístas, orgulhosas e presunçosas,
o que certamente não irá acrescentar nada em suas qualidades de verdadeiro
cristão.
Sendo assim, o egoísmo deixa de ser tratado como um pecado, passando
a ser encarado como uma virtude para que pessoas possam ter uma auto estima elevada.
Esta mentira travestida de qualidade desejável afasta o ser humano de sua real
necessidade a de preencher o vazio de sua alma com a graça restauradora e o
amor, emanados da cruz de Cristo.
Em nossos dias está cada vez mais difícil um pai ensinar a seus
filhos sobre misericórdia, altruísmo e relacionamentos saudáveis, pois os
exemplos deste modo bíblico de ser estão se perdendo, e nem mesmo nas igrejas
estão sendo encontrados. Neste ponto evidencia-se o claro conflito entre o que
Jesus disse em Marcos 8.34-35 “...
Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a
sua cruz e siga-me...” pensamento em oposição a avalanche de propostas de uma
vida feliz baseada em ter as coisas. É a cruz de Cristo versus o egoísmo do mundo.
Lares têm sido destruídos pela falta de amor e pela obstinação.
Homens vaidosos e presunçosos, mulheres consumistas e fúteis, não conseguem mais
coexistir sob a alegação de que não amam mais e que talvez em outro relacionamento
poderão ser felizes. Os filhos são como que “criados” pelos professores nas creches
e escolas, numa egoísta e irresponsável transferência de responsabilidade dos
pais, fazendo com que os filhos não consigam desenvolver o afeto natural por
seus pais ou irmãos.
Satanás, oportunista, tem cegado o entendimento de muitos
com esta aparente inovação que estimula o egoísmo, como podemos extrair de 2
Coríntios 4.4, e mesmo quando o Evangelho de Cristo está sendo pregado, muitos negam
a sua eficácia, tornando-se embrutecidos e irreconciliáveis, mesmo vivendo sob
o mesmo teto. Tudo isso favorece a infidelidade conjugal, pois o egoísmo
reinante torce a verdade e a sociedade aplaude.
A autoajuda, tão difundida em nossos dias, tem retirado qualquer
resquício de culpa pelo modo de vida egoísta, e massageando ainda mais o ego apela:
“Busque a sua felicidade, mesmo que acabe com o seu casamento e destrua o seu lar;
o que importa é você”. Sendo assim, resta o egoísmo escondido sob uma capa de
otimismo e de aparente conquista de uma vida melhor, o recrudescimento das
relações interpessoais.
Neste ponto observamos que tal obstinação por satisfazer os próprios
desejos, tem criado uma geração de pessoas indiferentes à dor do próximo, sendo
incapazes de esboçar qualquer ato de misericórdia, e é isto que tem sido o grande
mal dentro dos lares, pois se tornam implacáveis em apontar defeitos nos outros,
porém, insensíveis e sem afeto, deixando que o amor se acabe, perdendo a oportunidade
de viver uma vida plena de graça e amor de Deus.
Negar-se a si mesmo e carregar a cruz, como método bíblico para
enfrentar o egoísmo, e para além disso, podemos nos apoiar em Neemias 4.14 “...e
pelejai por vossos irmãos, vossos filhos, vossas mulheres e vossas casas”.
Talvez o leitor possa indagar: Como vou vencer a minha baixa
autoestima e a dor que sinto na minha alma? Davi responde no Salmo 61: “Ouve, ó
Deus, o meu clamor; atende à minha oração. Desde o fi m da terra clamo a ti,
por estar abatido o meu coração. Leva-me para a Rocha que é mais alta do que
eu, pois tens sido meu refúgio e uma torre forte contra o inimigo” (v2-4).
O salmista clama ao Senhor e, em seguida, Ele o consola e o anima,
fortalecendo o seu coração. Eis a cura da baixa autoestima!
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