Nas escolas, nas organizações internacionais, nos governos, há algum tipo de abordagem sobre esse assunto. Mas, até que ponto o cristão deve preocupar-se e participar de ações que preservem o meio ambiente, com vistas às gerações futuras? É objetivo desse ensaio. Na medida do possível, procuramos embasar o pensamento nos princípios éticos da Palavra de Deus.
I - Conceitos Fundamentais
1. Ecologia. De acordo com a Biologia, “A Ecologia é a ciência
que estuda as interações entre os organismos e seu ambiente, ou seja, é o estudo
científico da distribuição e abundância dos seres vivos e das interações que
determinam a sua distribuição”. A palavra Ecologia tem origem no grego “oikos”,
que signifi ca casa, e “logos”, estudo.
2. Meio Ambiente. “Aquilo que cerca ou envolve os seres vivos
ou as coisas” (Dicionário Aurélio); “Conjunto de fatores naturais, sociais e
culturais que envolvem um indivíduo e com os quais ele interage, influenciando e
sendo influenciado por eles” (Dicionário Brasileiro de Ciências Ambientais –
Lima e Silva, 2000). (1)
3. Biodiversidade. “Biodiversidade executa um importante
papel na saúde ecológica, quanto na saúde dos humanos. Prevenindo ou priorizando
a extinção das espécies é uma maneira de preservar a biodiversidade, nas
populações, a diversidade genética entre elas e os processos ecológicos, como
migração, que está sendo ameaçados em escala global e desaparecendo
rapidamente.
4. Desenvolvimento Sustentável. “A definição mais aceita para
desenvolvimento sustentável é o desenvolvimento capaz de suprir as necessidades
da geração atual, sem comprometer a capacidade de atender as necessidades das
futuras gerações. É o desenvolvimento que não esgota os recursos para o
futuro”. (2)
II – Ecologia na Bíblia
No Antigo Testamento, vemos que Deus entregou o planeta ao
homem. Ele deveria cuidar do meio ambiente como mordomo do Criador (Gênesis 1.26)
para preservá-lo. Com o pecado, houve um transtorno em toda a natureza. O homem
passou a experimentar a morte física e a morte espiritual por sentença de Deus
(Gênnesis 2.15,16). A natureza também sofreu as consequências: “... maldita é a
terra por causa de ti; com dor comerás dela todos os dias da tua vida. Espinhos
e cardos também te produzirão; e comerás a erva do campo” (Gênesis 3.17,18).
O Novo Testamento prevê, no Apocalipse, gravíssimos
acontecimentos, envolvendo a Ecologia (Apocalipse 8.5; 16.18) e haverá um
grande terremoto que será a maior catástrofe global, depois do Dilúvio. Só há
uma mensagem de esperança em relação à Ecologia: “... para que sejam julgados, e
o tempo de dares o galardão aos... que temem o teu nome, a pequenos e a
grandes, e o tempo de destruíres os que destroem a terra” (Apocalipse 11.18 – grifo
nosso). Não serão os cientistas materialistas que encontrarão solução para os
problemas do meio ambiente. Mas será o próprio Deus, o Criador que dará
soluções para o equilíbrio ecológico e o desenvolvimento sustentável.
III – O Papel do Cristão no Desenvolvimento Sustentável
Na condição de “sal da terra” e “luz do mundo” (Mateus 5.13,14),
o cristão deve ser referência para os demais habitantes do planeta. Deve observar
as orientações das autoridades e dos estudiosos do desenvolvimento sustentável.
De acordo com a ONU, são três os pilares do Desenvolvimento Sustentável. Vejamos
em que o cristão pode e deve contribuir.
1. Sustentabilidade ambiental. “A sustentabilidade ambiental
consiste na manutenção das funções e componentes do ecossistema, de modo
sustentável, podendo igualmente designar-se como a capacidade que o ambiente
natural tem de manter as condições de vida para as pessoas e para os outros seres
vivos, tendo em conta a habitabilidade, a beleza do ambiente e a sua função como
fonte de energias renováveis”. (3)
Neste componente, o cristão deve contribuir, evitando poluir
o ambiente, reciclando o lixo, convenientemente; evitar jogar lixo nas fontes
de águas; os empresários cristãos devem adotar medidas para que suas empresas não
sejam poluidoras de fontes de águas, do ar, ou do solo. Se possível, contribuir
para o reflorestamento, e reposição de áreas de cultivo agrícola.
2. Sustentabilidade econômica. “A sustentabilidade econômica...
deve valorizar a incorporação da gestão mais eficiente dos recursos naturais, sejam
eles minerais, matéria prima como madeira ou ainda energéticos, de forma a
garantir uma exploração sustentável dos mesmos, ou seja, a sua exploração sem colocar
em causa o seu esgotamento, sendo introduzidos elementos como nível ótimo de
poluição ou as externalidades ambientais, acrescentando aos elementos naturais um
valor econômico”. (4)
Certamente, os empresários cristãos devem ter consciência de
que suas empresas devem ser exemplo de cidadania do céu, e de cidadania da terra.
E devem ter o cuidado de produzir bens, sem esgotar os recursos a ponto de
prejudicar as gerações futuras.
3. Sustentabilidade sócio-política. “A sustentabilidade sócio-política
centra-se no equilíbrio social, tanto na sua vertente de desenvolvimento social
como socioeconômica. Nesse aspecto, o cristão deve ser o exemplo mais marcante,
pois essa vertente do desenvolvimento sustentável visa a promoção humana, através
de políticas públicas, que garantam emprego, respeito aos direitos humanos, aos
direitos dos trabalhadores, o acesso à educação, buscando propiciar melhores condições
de vida, diminuindo as desigualdades sociais, visando diminuir a pobreza no
mundo.
Os empresários e os patrões cristãos devem ser exemplo, dando
condições para que seus empregados possam crescer social e economicamente;
devem ser exemplo, garantindo-lhes os direitos trabalhistas. Deixar de fazer isso,
implica em condenação pela palavra de Deus, de modo veemente (ver Tiago 2.6; 5.1-6;
Efésios 6.9; Colossenses 4.1).
Conclusão
Certamente, há muito mais a se analisar, mas esperamos que esse
ensaio sirva de base para as discussões sobre o tema, no meio cristão. Como
referencial para o mundo a Igreja de Cristo e seus seguidores não devem alienar-se,
achando que nada temos a ver com os problemas sociais. Primeiro, sim, nos voltamos
para os problemas espirituais. Mas não podemos deixar de lado nossa
responsabilidade como cidadãos da terra.
Notas
(1) Meio Ambiente. Disponível em
http://www.ibg-cean.org.br/educacao-ambiental/o-que-e-o-meio-ambiente. Acesso
em 23/05/2012.
(2) O que é Desenvolvimento Sustentável? Disponível em http://www.wwf.org.br.
Acessado em 25/05/2012.
(3) Sustentabilidade ambiental. Disponível em http://pt.wikipedia.org/wiki/Desenvolvimento_sustentavel.
Acesso em 23/05/2012.
(4) Ibid.
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