Igreja orava quando a família recebeu a notícia do milagre na vida de Noah
“Jesus Cristo é o mesmo ontem, e hoje, e eternamente” (Hebreus 13.8). A Bíblia relata alguns episódios de pessoas que morreram e foram ressuscitadas por Jesus. Entre elas estão Lázaro, irmão de Marta e Maria, que já estava morto havia quatro dias; o filho da viúva de Naim, encontrado por Jesus durante o cortejo fúnebre; e a filha de Jairo, de 12 anos, que já havia falecido em sua casa. Em todos esses casos, Jesus chegou e lhes devolveu a vida.
Assim como aconteceu no passado com essas pessoas, o pequeno
Noah Gabriel da Cruz Santos, com apenas um mês, recebeu o milagre da
ressurreição, sendo chamado por isso de “bebê milagre”. O caso ganhou
repercussão no Brasil e também em outros países no dia 15 de julho deste ano,
quando Noah estava internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Neonatal da
Santa Casa de Rio Claro, interior de São Paulo, desde o nascimento prematuro.
A história começou meses antes. No sétimo mês de gestação, a
mãe, Letícia Cristina da Cruz Santos, descobriu, por meio de um exame de
ultrassom, que o bebê apresentava fenda palatina, uma malformação congênita
caracterizada por uma abertura no céu da boca, que, na maioria dos casos, pode
ser corrigida por meio de cirurgia. Com a notícia, Letícia e o esposo José
Nildo dos Santos, membros de um ministério da Assembleia de Deus em Campo Belo,
em Rio Claro (SP), se firmaram na fé, intensificaram as orações e mobilizaram
familiares, amigos e a igreja para interceder pelo pequeno Noah.
Pouco tempo depois, Letícia precisou ser internada devido a
uma pedra nos rins. Com 35 semanas de gestação, novos exames indicaram que os
batimentos cardíacos do bebê estavam abaixo do esperado. Diante do quadro, a
equipe médica optou pela realização de uma cesariana de emergência.
Noah nasceu prematuro no dia 15 de junho e permaneceu com a
mãe por apenas algumas horas, antes de ser encaminhado para a UTI Neonatal.
Exatamente no dia que completava o seu primeiro mês de vida, Noah sofreu uma
parada cardiorrespiratória. Horas depois, ele sofreu a segunda parada cardíaca.
Segundo a família, os médicos realizaram manobras de reanimação por cerca de 45
minutos, mas sem retorno. O óbito foi atestado no fim da tarde.
O pai foi o primeiro a ver que o filho não tinha mais vida.
“Eu vi que ali só estava o corpo e fiquei mais alguns minutos com ele”, lembra.
Depois de ficarem um período com o filho para se despedirem, os pais retornaram
para casa e o bebê permaneceu na UTI para realização dos procedimentos com a
funerária contratada pela família. A notícia da morte de Noah repercutiu em
toda a região. O presbítero Gilson Carneiro de Oliveira, dirigente da
congregação Betel da Igreja Assembleia de Deus Missão em Rio Claro, localizada
no bairro Bom Retiro, que já vinha intercedendo pelo bebê, convocou a igreja e
pastores do campo para se unirem em oração pela família enlutada. “Desde que
soubemos do caso, entramos em oração. Quando recebemos a notícia da morte,
intensificamos a intercessão, pedindo que Deus trouxesse consolo à família”,
relata.
Enquanto a igreja orava, o milagre aconteceu. Quando os
agentes da funerária foram buscar o corpo, eles perceberam que havia movimentos
dentro do invólucro onde o bebê estava. A agente Regina Célia Pascoal foi a
primeira a perceber que o saco se movia e comentou com o colega Matheus
Batagello. Rapidamente, ele chamou a equipe médica, que confirmou que Noah
estava vivo. Logo, o bebê foi entubado e levado para a UTI.
No momento do milagre, a família conta que os agentes já
estavam com todos os detalhes do funeral de Noah em andamento, como o caixão, o
velório e as flores. Até o hospital já tinha enviado uma mensagem fúnebre para
a família. Foi quando eles receberam a ligação do hospital.
“Meu esposo falou com a funcionária umas três vezes: ‘Moça,
já estamos sabendo do acontecido, já fizemos todos os procedimentos’, mas ela
insistiu para irmos. Isso era 21h40. Chegando lá, entramos novamente na UTI e
elas nos contaram sobre o nosso milagre. Após sofrer duas paradas
cardiorrespiratórias, nosso filho estava vivo. Só consegui dizer ‘Glória a
Deus!’ e chorar”, conta a mãe. “Você tem noção do que é ter uma declaração de
óbito do seu filho nas mãos e depois olhar para ele e ver que ele não está
morto, mas está vivo? Não tem explicação”, afirma o pai. Letícia ressalta que
não houve erro algum dos médicos e o que aconteceu só tem uma resposta:
milagre! Ainda de acordo com a família, especialistas da área de medicina até
classificaram o caso como “Síndrome de Lázaro”, quando acontece o retorno
espontâneo da circulação após o encerramento das tentativas de reanimação.
Mesmo assim, o caso do Noah foge deste padrão, pois, normalmente, o retorno
acontece em minutos, mas o bebê milagre ficou morto durante três horas e 30
minutos. “Eu não consigo explicar. É surreal ter ele de volta”, diz o pai,
emocionado.
Dois dias depois, Noah foi transferido para a UTI do
Hospital das Clínicas de Bauru, referência no tratamento de doenças genéticas e
anomalias congênitas. E para glória de Deus, o bebê saiu da UTI no dia 31 de
julho e já respira sem ajuda de aparelhos. Segundo a mãe, o quadro clínico
evoluiu positivamente. “Está ótimo, para honra e glória do Senhor Jesus! Ele já
está superbem! Agora começou a usar roupinha, saiu do berço aquecido e ainda
segue em observação”, testemunha Letícia. O bebê Noah já podia receber as
primeiras visitas da família, dentre elas, a do irmão mais velho, Nycollas
Henrique da Cruz Modesto.
Até a data de fechamento desta reportagem, o bebê Noah
seguia internado no Hospital de Bauru e evoluindo a cada dia para glória de
Deus.
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