Frequência à Escola Dominical

Frequência à Escola Dominical


Igrejas enfrentam o desafio de tornar a assiduidade na Escola Dominical uma realidade

Quando pensamos em incentivar, incitar, estimular a frequência na ED, lembramos de vários aspectos a serem considerados, dentre os quais destacamos a liderança e a capacitação do professor, que acreditamos ser os mais eficazes. São responsáveis por 90% da frequência dos alunos na ED. Analisemos cada um desses aspectos com detalhes.

A Escola Dominical é uma organização da igreja que se responsabiliza pelo ensino da revelação bíblica aos membros. Todos os esforços possíveis devem ser envidados tendo em vista o aperfeiçoamento e a melhoria dela. Sabemos que o pastor é figura indispensável na motivação da igreja e suas lideranças ao estudo bíblico. Ele é o líder, o modelo que deve ser seguido pelos crentes: “Lembrai-vos dos vossos pastores, que vos falaram a Palavra de Deus, a fé dos quais imitais, atentando para vossa maneira de viver” (Hebreus 13.7).

O pastor que deseja ver sua ED cheia deve frequentar e incentivar seus membros a frequentá-la, comprometendo-se a não subir no púlpito sem que use alguns poucos minutos para realçar a importância da Escola, para falar de suas novas mudanças, investimentos (de capacitação humana ou monetária), estimular, convidar o povo ou pelo menos dizer convictamente: “A Escola Dominical é a prioridade de nossa igreja, irmãos! Se você só puder vir a uma reunião aqui, venha à Escola Dominical”.

A credibilidade da ED precisa começar a ser restaurada na mente de sua própria liderança. Quando os pastores e oficiais entenderem a necessidade, importância e objetivos dela, é que se dedicarão a reestruturá-la e creditá-la ante os olhos da igreja e da comunidade.

Escola com qualidade

Muitos crentes não são alunos da ED porque não descobriram ainda o quanto é importante o estudo da Bíblia. É através das mensagens pregadas do púlpito que muitas vezes os crentes são alertados e conscientizados sobre a indispensabilidade do estudo das Escrituras. Mister se faz que em cada sermão a ser pregado para a igreja haja uma grande carga de Bíblia. “Que pregues a Palavra, instes a tempo e fora de tempo, redarguas, repreendas, exortes, com toda a longanimidade e doutrina” (2 Timóteo 4.2).

A ED não pode ser apenas um acontecimento para cumprir horário na agenda das atividades da igreja, uma fraca reunião no domingo, uma tradição. Assim, quando inútil, tornar-se-á desprestigiada e desacreditada. A qualidade da ED determina a qualidade e o nível espiritual da igreja. A igreja pode ter um destacado pregador em seu púlpito, uma excelente união feminina ou uma atuante mocidade, mas se a Escola for fraca, toda igreja será fraca.

É a Escola quem qualifica a vida da igreja. Se essa for forte, as mulheres, os moços, os adolescentes, os homens e as crianças serão fortes e estarão aptos a desempenharem suas atividades específicas, por possuírem uma fé mais robusta e madura. O pastor deve visitar cada classe, começando pelo departamento infantil até a classe dos mais idosos, mostrando aos alunos a satisfação de tê-los ali. Deve demonstrar se preocupa com as ovelhas e que deseja vê-las mais de perto. Nem sempre o pastor tem tempo para apertar a cada mão. Nesse momento, é importante que ele pelo menos olhe, comunique, fale, demonstre carinho e amor. A presença do pastor é um elemento motivador para os membros.

O pastor não deve apenas apoiar a superintendência nas atividades de preparação de seminários e de simpósios que ajudem o aperfeiçoamento e capacitação dos professores. Precisa também divulgar essas atividades, enchendo-as de significados e importância. Quanto mais interessado e motivado estiver, maior será a motivação dos professores e líderes.

Agência de ensino

O pastor deve ter a visão de fazer da Escola a melhor agência de evangelismo. Ela deve ser um lugar para pessoas não crentes frequentarem ou se matricularem sem nenhum preconceito. Ele deve promover com a superintendência da Escola uma campanha para cada domingo do mês, onde os alunos serão desafiados a convidar um determinado grupo de pessoas. Por exemplo, o primeiro domingo: trazer desviados para a igreja. No segundo, vizinhos não crentes. No terceiro, colegas de trabalho, de escola e outros. No quarto, familiares não crentes. Eles ouvirão a Palavra e com certeza o Espírito Santo as convencerá, e logo aceitarão Jesus Cristo.

Buscar a Deus em oração e levar alunos, obreiros e professores a orar pela ED. Esse é um método infalível quando se trata de trabalho espiritual. Portanto, não pode nunca ser esquecido. Pelo contrário, ainda que fossem envidados todos os esforços e aplicados todos os recursos humanos disponíveis, mas a oração fosse esquecida, por certo o resultado seria um fracasso. Afinal, é na Escola Dominical que estudamos o livro inspirado pelo nosso Criador e Senhor.

O professor deve reconhecer a importância da sua tarefa. Ele ocupa um lugar de confiança e destaque diante da igreja e dos seus alunos. Ele tem muita influência na vida de seus alunos. As oportunidades que ele tem para a implantação de verdades bíblicas deixam com ele um grande privilégio, mas também uma responsabilidade grandiosa. Por isso, ele deve ter o cuidado de ensinar conceitos que provoquem mudança no caráter (transformação de vida) do aluno. Afinal, eles terão de prestar contas a Deus pela influência que exerceram sobre eles.

Responsabilidade com Deus

Quando alguém nos delega uma responsabilidade num projeto, seja qual for, geralmente precisamos prestar contas de nosso desempenho. A Palavra de Deus deixa bem claro que cada um de nós haverá de prestar contas ao próprio Deus acerca do cumprimento ou não das instruções que Ele nos deu. “Pois todos nós devemos comparecer perante o Tribunal de Cristo, para que cada um receba de acordo com as obras praticadas por meio do corpo, quer sejam boas ou más” (2 Coríntios 5.10).

Deus não só nos responsabilizará por nossas motivações, palavras, ações e fidelidade, mas também, conforme prometeu, cobrará um pouco mais de alguns de nós. Reiteradas vezes, a Bíblia admoesta os líderes acerca da seriedade de suas responsabilidades e da devida prestação de contas. “Meus irmãos, não sejam muitos de vocês mestres, pois vocês sabem que nós, os que ensinamos, seremos julgados com maior rigor” (Tiago 3.1) [NVI]). Deus nos considera responsáveis não apenas pela maneira como vivemos, mas também pela forma como ensinamos.

O ensino deve ser desempenhado apenas por aqueles que têm a chamada divina para exercê-lo. O professor que é convidado para dar aulas e sabe que não tem como, deveria agradecer a quem o indicou e dizer-lhe humildemente: “Obrigado pelo convite, mas posso colaborar em outra atividade, menos nessa”. “O que ensina esmere-se no fazê-lo” (Romanos 12.7).

Para ensinar bem a Bíblia, é necessário poder. E o professor deve se preparar em oração. Ela é o segredo do poder do ensino. Todavia, isso não é tudo. O ensino, assim como qualquer outra atividade, exige também preparo técnico para que possa ser bem executado.

Ensinar bem é uma arte, assim como pintar, escrever, pregar e cantar. Não basta ter potencial, é indispensável qualificar-se tecnicamente. Para ser um bom professor de ED, é imprescindível ter inspiração e poder, dominar o conteúdo e possuir a técnica adequada para ensinar.

Incentivo à frequência

Segundo a Bíblia, o ensino só ocorrerá quando os alunos tiverem aprendido. Ou seja, se eles não aprenderem nada, é porque não foi ensinado.

Há várias características que identificam o bom e experiente professor e que incentivam à frequência na ED. Delas, destacamos as seguintes:

1) Orar, jejuar e interceder constantemente pelo aluno;

2) Reunir material adequado com objetivos definidos para os alunos, para o emprego do método escolhido, e estar pronto para enfrentar imprevistos (você vai dar uma aula com o retroprojetor e falta energia. É preciso estar preparado para utilizar outro método);

3) Fazer visitas periódicas ao aluno, mesmo que este esteja firme na igreja;

4) Fazer visitas constantes, quando o aluno não demonstra assiduidade à ED. O professor precisa saber o que ocorre (Está viajando? Está doente? Está fraco na fé?);

5) Procurar saber como é a família do aluno. São todos salvos? Se não, o professor deve evangelizá-los. Saber se a família apoia ou impede a frequência do aluno à ED;

6) Atender ao aluno em suas necessidades materiais através do Departamento de Assistência Social;

7) Auxiliar o aluno no desenvolvimento de suas tarefas da ED, se este não consegue desenvolvê-las sozinho;

8) Solicitar ao aluno ou grupo que apresente um tópico da lição oralmente no domingo. Faça o possível para que seu aluno apresente o trabalho a ele designado. De outra maneira, chegará a ser negligente e dirá: “Para que fazer lição de casa e estudar, se o professor não exige que apresente a lição e nem mesmo vê?”;

9) Através de perguntas, o professor consegue despertar o interesse pelo assunto da aula, leva o aluno a um esforço mental e acompanha seu raciocínio. Também estimula debates proveitosos para a aprendizagem, resume tópicos explicados, reforçando a explicação oral, e testa o conhecimento dos alunos, além de evitar a monotonia de uma aula expositiva;

10) Ser criativo, versátil na maneira de ensinar, possuir novas ideias, utilizar materiais diversificados. Não se prender apenas à lição, mas buscar subsídios para enriquecer a aula e dar oportunidade ao aluno para compartilhar da mesma;

11) Prover oportunidades de aprendizagem para alunos atrasados ou avançados sem causar embaraços. Adaptar o ensino segundo as necessidades individuais dos alunos;

12) O professor pode ser possuidor de boas qualificações, mas se não for obediente às diretrizes estabelecidas para o andamento da ED, não está apto a exercer o seu papel;

13) É necessário ao professor, em determinados momentos não se portar como “dono da matéria”, não demonstrar superioridade em relação ao aluno, mas criar um clima de simpatia, firmeza e amor, onde o aluno tenha uma motivação extra para aprender;

14) Dar oportunidade. Pensar em quem vai ocupar o seu lugar, transferindo com alegria o seu compromisso, dando-se por satisfeito pelo dever cumprido e por ter sido a pessoa usada para abençoar muitas vidas;

15) Aproveitar a ED como canal aberto para a evangelização;

16) Estar sempre se reciclando, fazendo cursos, seminários e simpósios;

16) Preparar o aluno para a obra de Deus (Efésios 4.11). O apóstolo Paulo nos ajuda a perceber que a principal tarefa do professor é preparar o aluno para fazer alguma coisa. A Bíblia revela que os professores foram dados por Deus para preparar e não simplesmente explicar.

Nosso desejo é que cada líder, bem como cada professor de ED, se transforme em verdadeiro incentivador à frequência dessa Escola. Assim teremos uma comunidade de vidas transformadas que somente a eternidade poderá revelar.

A Escola Dominical é uma bênção na vida de cada membro do Corpo de Cristo. Estudar a Palavra de Deus é algo que nos alimenta integralmente – espírito, alma e corpo. Estudá-la é um sinônimo de robustez. Sejamos, portanto, dela assíduos e frequentes alunos.

por Selma Mello

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