Assunto relevante para Deus
Desde os tempos mais antigos Deus se preocupou com o ensino
bíblico para a criança. A primeira prova disso é que Ele teve o cuidado de
organizar uma instituição educacional que se responsabilizasse pelo ensino,
desde a mais tenra idade do indivíduo – o lar ou a família.
Compreende-se que o plano fundamental de Deus concernente à
educação do seu povo deveria iniciar no lar. O temor do Senhor, a guarda dos
estatutos e mandamentos, deveria ser passado de pais para filhos, de geração em
geração, a fim de que o conhecimento de Deus fosse uma constante entre o povo.
A criança ocupava lugar importante no seio da família
israelense (Salmos 127.3 e 128.1-3). Sua educação nos preceitos bíblicos era
prioridade. Cabia aos pais o zelo pela instrução dos filhos que, por ordem
divina, deveria ser constante e diligente (Deuteronômio 4.9-10; 6.1-7 e
11.18-19).
Está claro nas Escrituras que, de acordo com a vontade
divina, os mandamentos do Senhor seriam ensinados em todos os momentos (andando
falando assentados em casa, à mesa, pelos caminhos, de dia e à noite, quando a
família se reunia). À criança era concedida a oportunidade de fazer perguntas (Êxodo
12.26-27; Gênesis 22.7-8), o que tornava o ensino eficaz e mais interessante.
Mais tarde, além do lar, as crianças também aprendiam com os
sacerdotes e profetas. Algumas delas eram dedicadas a Deus e entregues aos
sacerdotes para educá-las. Um desses casos é o de Samuel, que foi entregue ao
sacerdote Eli ainda bem novinho (1 Samuel 1.20-28). O profeta também era uma
figura importante na educação nacional. Muitos jovens eram enviados às escolas
de profetas a fim de estudarem as Escrituras e se prepararem para substituir
seus antecessores (1 Samuel 10.10; 19.19; 2 Reis 2.5 e 4.38).
Propósito
Deus preparou um plano de reconciliação para a humanidade
perdida e distanciada do seu Criador. Havia, portanto, necessidade de
transmitir à humanidade a mensagem de perdão, de fé e esperança, bem como os
preceitos e normas para uma vida de comunhão com o Senhor.
Para isso, Deus separou Israel, um povo especial, para que o
mesmo transmitisse aos outros povos o propósito divino. Era fundamental que as
gerações tomassem conhecimento dos fatos acontecidos no passado, para serem
enriquecidos no presente e não serem esquecidos no futuro.
A transmissão da herança histórica era assunto que deveria
ser ensinado à criança até que ela alcançasse maturidade e, consequentemente,
condições de transmitir à geração seguinte. Além da história do povo, a ideia
do conhecimento de Deus, a adoração e obediência ao Criador, o reconhecimento
pelos seus feitos, todos esses aspectos eram pontos fundamentais na educação da
criança israelita. Graças a tais cuidados por parte de Deus é que o
conhecimento do Todo-Poderoso chegou até os nossos dias.
Homens usados por Deus
Entendemos pelas Escrituras que Adão ensinou aos seus filhos
quando eles se propuseram a oferecer suas ofertas a Deus (Gênesis 4.3-4).
É certo que Abraão transmitiu os ensinamentos bíblicos a seu
filho Isaque ainda pequeno. A prova disso é que o jovem conhecia todo o ritual
do sacrifício, e quando seguia para o monte Moriá com seu pai, sentiu falta do
cordeiro para o holocausto (Gênesis 22.7).
A educação de Moisés
Ele era o legislador de Israel, foi educado em toda a
ciência do Egito como filho de Faraó (Êxodo 2.10 e Atos 7.22). No entanto, sua
meninice teve a influência dos ensinamentos de sua própria mãe hebreia (Êxodo
2.8-9), que não descuidou de ensinar-lhe os princípios divinos. Isso lhe serviu
de base para não se contaminar com a idolatria e guardar, no coração, o temor
do Senhor e a fé em um único Deus, criador de todas as coisas.
O cuidado de Loide e Eunice
Mesmo tendo um pai grego que certamente lhe ensinava acerca
da mitologia e da filosofia da época, Timóteo recebeu também de sua avó e de
sua mãe ensinamentos das Escrituras (2 Timóteo 1.5 e 3.14-15), desde a sua
meninice. Tais fundamentos foram a base de sua fé e conduta, o que o tornou
grande evangelista ainda bem jovem.
Através dos tempos
Os ensinos do Antigo Testamento tiveram ressonância através
dos tempos e a preocupação em transmitir as verdades bíblicas às crianças foi
um dos pontos observados nas sinagogas até mesmo no tempo do cativeiro.
Jesus nunca excluiu as crianças das multidões que vinham a
ele ouvir os seus ensinamentos (Mateus 14.21). Ele repreendeu seus discípulos
quando pretendiam excluir as crianças do seu convívio (Marcos 10.13-14).
A continuidade do ensino
Lendo as cartas do apóstolo Paulo, entendemos que o ensino
sempre foi assunto de relevância na Igreja (Romanos 12.7; Colossenses 1.28; 2 Timóteo
2.2 e 3.14-15) e no lar. Através dos tempos, a Igreja passou por muitas
provações, perseguições e até mesmo profundas mudanças. Todavia, Deus sempre
continuou preocupado com a questão da transmissão dos seus preceitos e
mandamentos.
Na Reforma
Através da História, constatamos que Deus sempre levantou
homens preocupados e interessados na educação. Martinho Lutero, o ilustre
reformador protestante, por exemplo, empenhou-se em promover a educação
concentrada no lar, como registra o Antigo Testamento. Reconhecia, no entanto,
que as autoridades do Estado também deveriam desenvolver programas educacionais
para as crianças tomando para si a responsabilidade de ajudar os pais na
educação dos filhos. Ele sugeria um currículo que desse ênfase aos estudos
bíblicos e à música (para isso, a Bíblia deveria ser traduzida para o
vernáculo, proporcionando a facilidade da leitura da mesma), ao lado de outras
disciplinas.
Outro nome é João Calvino, fundador da Academia de Genebra,
onde se ensinava a crianças e adultos. Ele teve a grande preocupação de
convocar a igreja para retornar à tarefa de ensinar às crianças nos moldes do
Antigo Testamento.
Os colonizadores
Da mesma forma como os hebreus nos tempos antigos, os
colonizadores nos séculos passados, quando vieram da Europa para habitar na
América, não faziam distinção entre educação religiosa e educação secular.
Quase todas as famílias, senão todas, eram protestantes.
Vieram para o Novo Mundo fugindo das perseguições religiosas, em busca de
liberdade para exercitar a fé em Jesus. A principal razão para ensinar a seus
filhos a ler era para que pudessem ler a Bíblia. Assim, procuravam transmitir
de modo simples, mas convincente, um patrimônio moral e espiritual e um viver
de acordo com os ditames bíblicos.
Cada família tinha o cuidado de realizar o culto doméstico.
Os pais chegaram até a ser obrigados por lei a ensinarem os preceitos divinos
aos seus filhos.
Surgimento das escolas
Caso os pais não cumprissem seu dever de ensinar, a
comunidade se responsabilizava por transmitir um ensino mais adequado e eficaz.
Assim foram surgindo as primeiras escolas para complementação do ensino no lar.
Aos mais ricos era concedido o privilégio de contratarem pessoas para irem à
casa ensinar as crianças.
Atualidade
É fato incontestável que os judeus sempre premiavam pela
educação de seus filhos. Eles consideravam a educação tão importante quanto a
oração. Esse zelo pelo saber originou-se do preceito bíblico registrado em
Deuteronômio 11.19. Ainda hoje se pode observar o cuidado e preocupação em
transmitirem aos seus filhos a Lei do Senhor e os preceitos de Jeová.
Consideram a educação da criança prioritária.
Somos também o povo escolhido de Deus (Hebreus 8.10 e Tito
2.14). Assim, a educação cristã está também embasada nos mesmos princípios e
ditames expostos nas Escrituras.
A Igreja de Cristo tem como objetivo primordial a salvação
do homem e o seu preparo para viver Jesus eternamente. A educação é o agente de
mudança.
Para isso, a Igreja se propõe a ensinar a Palavra de Deus de
modo sistemático, prático e progressivo, alcançando pessoas de todas as idades,
principalmente as crianças. A instituição educacional da igreja é a Escola
Dominical. O ensino bíblico, ou melhor, a educação cristã deve ser compreendida
como uma tarefa que não se limita apenas a algumas horas de estudo aos domingos
na ED. Mas, como um processo, um contínuo aprendizado de crenças e valores, de
hábitos, atitudes, maneiras de sentir e de agir de acordo com o querer de Deus.
Cada cristão deve tornar-se uma pessoa zelosa, praticando
boas obras com o objetivo de melhor servir a Jesus e ser capaz de influenciar
na vida da comunidade, da sociedade em que está inserido. Nessa tarefa cabe aos
pais a responsabilidade maior.
Dificuldades atuais
A sociedade atravessa um período de profundas mudanças. Em
consequência, os lares são abalados de forma preocupante, o que traz sérios
problemas no que se refere à educação do indivíduo.
De um lado está a necessidade da busca de meios de
sobrevivência colaborando para que as mães também deixem o lar e se dediquem a
algum trabalho para ajudar a sustentar a economia da família. De outro, as
mulheres que “vestindo a roupagem” do desejo da realização pessoal e da procura
de um “espaço” na sociedade, fogem das suas responsabilidades de esposa e mãe.
E ainda levando-se em consideração os desmandos dos pais, as brigas, as
ocupações extras, a separação dos cônjuges, que no final chegam ao divórcio na
maioria das vezes.
Todos esses acontecimentos na vida familiar levam a criança
ao abandono, à falta de orientação, a necessidade de alguém para
identificar-se, de ajuda para resolver seus problemas.
Falta a presença dos pais para incentivá-la a crescer, a
desenvolver-se, quer elogiando-a ou repreendendo-a, conforme a situação.
Determinando e cobrando tarefas. Ensinando-a a respeitar limites, a ser útil, a
participar do grupo familiar. Dando-lhe oportunidade de partilhar das alegrias
e das dificuldades do dia-a-dia. Ensinando-a a fazer escolhas e a tomar
decisões. Caminhando junto a ela, apontando-lhe o caminho (Provérbios 22.6).
Orientando-a a lidar com seus próprios sentimentos.
São os pais e, principalmente a mãe, as pessoas responsáveis
para “descortinar” conhecimentos. É a qualidade do mesmo que determinará seus
resultados. Sem dúvida, os ensinamentos bíblicos oferecidos ao indivíduo desde
a sua infância é que nortearão sua vida de modo eficaz tornando-o um cidadão
honrado. Capacitando-o a colaborar para o bem estar da sociedade e da nação. E,
acima de tudo, fazendo-o um futuro cidadão dos céus.
por Albertina Malafaia
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