Plataformas digitais democratizam caminho para novos talentos evangélicos
A música evangélica, antes muito nichada e dependente de gravadoras especializadas, rádios cristãs ou megaeventos do segmento, tem sido impactada profundamente pela internet e a ascensão das redes sociais. Distribuidoras digitais, playlists, vídeos curtos gravados de forma independente, canais de YouTube, conferências, festivais e projetos fazem parte de um enorme leque de democratização da música cristã.
O gênero registra um crescimento meteórico nas plataformas e
uma diversidade artística cada vez maior. Dados do Spotify, por exemplo,
apontam para um aumento no número de ouvintes no Brasil de aproximadamente 46%
ao ano e um aumento de 93% da quantidade de buscas por artistas cristãos em
comparação com 2022. Esses resultados se devem também a cantores, compositores
e músicos que enviam trabalhos autorais para esta e outras plataformas de
streaming.
Em entrevista à União Brasileira de Compositores (UBC), a
cantora Emi Sousa, líder da FHOP Music, comentou sobre a facilidade proporcionada
pelo digital para a apresentação de novos ministérios e trabalhos. “Vejo esse momento
da história da música cristã com grande responsabilidade e também alegria. Durante
muitos anos, a música gospel esteve restrita a poucos canais de distribuição. Hoje,
as barreiras de entrada diminuíram, e isso permite que diferentes vozes,
sotaques, igrejas e expressões de adoração encontrem seu espaço”, argumenta. O
período da pandemia, quando todos estavam como que presos dentro de suas casas,
serviu para alavancar essas produções particulares na internet. Por meio da
indicação de amigos ou familiares, do algorítimo das plataformas e até mesmo como
trilha sonora de conteúdos nas redes sociais, a música evangélica tem ultrapassado
o universo cristão e alcançado pessoas dos mais diversos contextos. Algumas
delas enfrentando ansiedade, angústia, crises existenciais, luto ou solidão,
encontrando, por meio da mensagem cantada, consolo, esperança e um convite para
conhecer a Cristo.
A música evangélica é o segundo gênero musical mais ouvido
do país, atrás apenas do sertanejo, conforme pesquisas recentes de mercado da
Globo/Quaest. O segmento já responde por cerca de 20% de todo o mercado fonográfico
nacional. Segundo as pesquisas, diferentemente de picos sazonais anteriores, a música
evangélica exibe estabilidade, figurando de forma permanente no Top 200 do
Spotify Brasil. As produções particulares focadas em registros de cultos ao
vivo (live sessions) dominam o consumo digital, impulsionadas pelo desejo do
ouvinte de replicar o ambiente congregacional em casa.
Além disso, a música cristã rompeu as barreiras dos nichos
religiosos institucionais e avançou em direção ao mainstream do ecossistema
musical secular em todo o mundo. Dados da Billboard e do Spotify apontam um crescimento
global de 60% em streaming para o gênero nos últimos cinco anos.
Relatórios da Luminate detalham que, enquanto o consumo geral
de novos lançamentos fonográficos esfriou no mercado norte-americano, o ecossistema
cristão desafiou a tendência com uma alta de 18,5% no volume de áudio sob demanda.
Outro dado é que, pela primeira vez em mais de uma década, canções cristãs de
produção contemporânea alcançaram simultaneamente o Top 40 da cobiçada lista Billboard
Hot 100. Até mesmo países fora do eixo tradicional das Américas registraram picos.
Plataformas digitais no Reino Unido apontaram crescimento próximo a 80% no consumo
de música cristã local. Algumas razões que têm sido apontadas para esse crescimento
são a já mencionada democratização de ferramentas de distribuição e a transição
demográfica, com foco na juventude, uma vez que a base consumidora rejuvenesceu
de forma acelerada. Os millennials e integrantes da Geração Z são 45% do total
do público do gênero, com esse público consumindo cerca de 56,8 horas de música
mensalmente.
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