A Bíblia e os pensamentos intrusivos

A Bíblia e os pensamentos intrusivos


Todos os nossos pensamentos, sem exceção, são construídos a partir do que vemos, ouvimos, imaginamos e vivenciamos.

A interação com o meio físico e social, num primeiro momento selecionada e direcionada pelas escolhas familiares, nos direciona a pensar as coisas, os objetos, as possibilidades, os afetos e as pessoas. E essas relações nos levam a elaborar e formular conceitos e valores particulares, inclusive nossa autoimagem e autoestima, e percebemos que podemos pensar melhor, mais positivamente, escolhendo pensar preferencialmente no que edifica e santifica.

Pensamentos direcionam comportamentos

Existe uma sequência interna que provoca e explica os nossos comportamentos. Em primeiro lugar, como resultado de nossos conceitos, valores e vivências internalizados, nós pensamos sobre algo. Esse pensamento vai gerar, de forma sequencial, um sentimento – de prazer, vergonha, alegria, dor, angústia, medo ou coragem, por exemplo.

O sentimento, por sua vez, produz em nós um ato decisório, seja de executar ou de anular uma ação, dependendo do nosso universo moral e da maturidade espiritual conquistada. O passo seguinte, sem volta, é exatamente o comportamento expresso, que pode ser correto ou completamente amoral, desdobrado em consequências a serem colhidas posteriormente.

Todas as ações, atitudes e comportamentos começam com o pensamento. Pensamos, sentimos, agimos. E é exatamente este o motivo pelo qual precisamos pensar sobre o que pensamos: analisar a gênese, os motivos, a qualidade e o nível de pureza do que pensamos. Afinal, “as armas com as quais lutamos não são humanas; pelo contrário, são poderosas em Deus para destruir fortalezas. Destruímos argumentos e toda pretensão que se levanta contra o conhecimento de Deus, e levamos cativo todo pensamento, para torná-lo obediente a Cristo” (2 Coríntios 10.4,5).

Quanto mais conhecemos a Bíblia, mais facilmente reconhecemos os pensamentos pecaminosos: difamatórios, egoístas, arrogantes, enganosos, autodestrutivos, afrontosos quanto ao nosso caráter e mentirosos quanto a Deus. Esses pensamentos errôneos não podem ser aceitos como nossos, nem podemos nos demorar ponderando seus desdobramentos. Afinal, sabemos que podem ser resultado de nossa humanidade ou da ação sugestiva de Satanás!

Reconhecendo os pensamentos Intrusivos

Nós somos os construtores dos nossos pensamentos. Contudo, mesmo quando estabelecemos parâmetros para o nosso pensar, nossas preocupações, nossa ansiedade e a assimilação de conceitos e valores externos podem gerar em nós pensamentos intrusivos – uma ideia, imagem ou impulso que surge repentinamente na mente e é indesejado e geralmente desconfortável.

Pensamentos intrusivos podem gerar angústia, medo ou culpa, pois contrariam nossos valores. São pensamentos que não representam nossa vontade, não expressam nossa fé ou que confrontam nossos conceitos pessoais e bíblicos. Ao analisá-los, podemos nos perguntar: “Por que pensei isso? Eu não sou assim!”; “E se esse pensamento significar que não tenho fé?”; “E se eu perder o controle ou fizer algo errado?”.

Sabemos que o simples fato de um pensamento surgir não define quem nós somos. Constantemente, somos confrontados com ideologias que visam deformar quem somos. Vivemos bombardeados com influenciadores, mentores e até ditos pastores e mestres que ensinam erros ou doutrinas de demônios, cuja intenção é distorcer e confundir o que cremos. E todas essas influências, somadas às nossas difíceis experiências de vida, facilitam o surgimento de pensamentos intrusivos. Nossas vivências, percepções e racionalizações podem nos fazer pensar o pior, e muitos são os que necessitam de acompanhamento psicológico para diminuir a intensidade dessa intrusão. Até porque as lembranças e sentimentos ruins insistem em dominar nossos pensamentos, tornando nossos dias mais tristes e sombrios.

Quanto mais buscamos a santificação, mais Satanás tenta atacar o que mais valorizamos. E é por essa razão que pensamentos descuidados, gerados espontaneamente, podem ser altamente perigosos. Precisamos aprender a decidir o que vai ocupar nossas mentes, a selecionar conteúdos de programas de televisão, filmes, revistas, jornais, propagandas e conversas. Devemos evitar atividades como a prática da meditação, da hipnose ou o uso de drogas, que podem destruir as muralhas de proteção da nossa mente. Contudo, infelizmente, como se fosse um mal menor, permitimos em nossas mentes o que não permitimos em nossas ações, porque outras pessoas não podem saber dos nossos pensamentos.

A Bíblia nos mostra que Davi, no auge do seu desespero, teve pensamentos de abandono e desesperança: “Até quando te esquecerás de mim, Senhor? Para sempre?” (Salmo 13.1). Jó, quando sofre as catástrofes da vida, foi invadido por pensamentos de medo extremo, confusão e desejo de não ter nascido, assim como Jeremias: “Maldito o dia em que nasci” (Jeremias 20.14). Até mesmo Elias, após uma grande vitória, extremamente cansado e deprimido, exclama: “Basta; toma agora, ó Senhor, a minha vida” (1 Reis 19.4).

Asafe, no Salmo 73, chega perto de questionar o caráter de Deus, mesmo sendo um homem fiel. Pedro, buscando se preservar, nega Jesus, declarando: “Não conheço esse homem” (Lucas 22.57). E Paulo, absolutamente sincero, chega a dizer: “Não entendo o que faço. Pois não faço o que desejo, mas o que odeio. Sei que nada de bom habita em mim, isto é, em minha carne. Porque tenho o desejo de fazer o que é bom, mas não consigo realizá-lo” (Romanos 7.15,18, NVI).

Esses registros de homens de Deus ressaltam que sempre precisaremos analisar nossa mente e vigiar nossos lábios, cujas palavras refletem nosso pensar. Até porque pensamentos intrusivos podem surgir em pessoas que têm intimidade com Deus, especialmente quando estas estão vivenciando sofrimento intenso ou estão cansadas emocionalmente, mesmo guardando uma fé genuína. Afinal, ter conflitos mentais não é o mesmo que viver em pecado.

Assumindo o domínio do pensamento

Todos nós precisamos construir muros de proteção mental, recusando pensamentos pecaminosos e nos apropriando de pensamentos que honrem a Deus. Como é a partir dos nossos pensamentos que nossas emoções e ações se desdobram, é justamente nos pensamentos que os desejos plantam suas raízes e nos seduzem ao pecado ou ao erro.

Nossas mentes não podem ser estufas mentais onde pensamentos intrusivos, ilegítimos, uma vez plantados, sejam alimentados e estimulados antes de serem transformados em ações ilegítimas. Nossos pensamentos são poderosos e perigosos e precisam estar sob controle.

Sabemos que Deus acompanha a formação do nosso pensamento em nossa mente, quando ele ainda está sendo elaborado, compondo-se a partir de estímulos em várias áreas corticais, envolvidas com imagens, lembranças, significados e valores. E se nossos pensamentos provocam avalanches de sentimentos e atitudes, precisamos priorizar o cuidado com o que pensamos: “Finalmente, irmãos, tudo o que for verdadeiro, tudo o que for nobre, tudo o que for correto, tudo o que for puro, tudo o que for amável, tudo o que for de boa fama, se houver algo de excelente ou digno de louvor, pensem nessas coisas” (Filipenses 4.8, NVI).

A seleção dos nossos pensamentos não é feita por Deus, mas por nós mesmos. Nós pensamos o que escolhemos pensar, e essa escolha se inicia com a decisão do que optamos por lembrar, fazer, ver, ouvir, ler e imaginar. Não podemos encobrir ou sabotar o que pensamos. Precisamos avaliar nossos pensamentos e falar sobre eles com pessoas confiáveis e com Deus, especialmente quando forem intrusivos, pecaminosos ou repetitivos.

Pensamentos intrusivos só podem ser vencidos pela renovação no nosso modo de pensar: “Quanto à antiga maneira de viver, vocês foram ensinados a despir-se do velho homem, que se corrompe por desejos enganosos, a serem renovados no modo de pensar e a revestir-se do novo homem, criado para ser semelhante a Deus em justiça e em santidade provenientes da verdade” (Efésios 4.22-24, NVI)

A Bíblia nos ordena levar cativos a Cristo nossos pensamentos e raciocínios, bem como nos dá uma lista do que pensar. Isso significa que decidimos o que pensar, o que sentir e como agir. Assim sendo, que saibamos identificar e rejeitar os pensamentos intrusivos. Que tenhamos a consciência de produzir pensamentos puros e dignos, agradáveis a Deus, que estimulem uma autoestima positiva, desenvolvam sentimentos puros e construam uma autoestima e autoimagem satisfatórias. E que haja em nós, sempre, o cuidado de preservar a mente de Cristo!

por Elaine Cruz

Compartilhe este artigo. Obrigado.

Deixe seu comentário

Seu comentário é muito importante

Postagem Anterior Próxima Postagem