A classificação dos anjos

A classificação dos anjos


O que a Bíblia fala sobre os querubins, os serafins e os arcanjos

Quem são os anjos segundo a Bíblia? Na Bíblia, os anjos são chamados de “mensageiros de Deus”, “mensageiros do Senhor”, “filhos de Deus” ou “santos”. Os anjos do Senhor são dotados de vários poderes sobrenaturais, como, por exemplo, de se tornarem visíveis e invisíveis à vontade, voar, operar milagres diversos e consumir sacrifícios com seu toque de fogo.

Nos últimos tempos, têm surgido muitas heresias concernentes aos anjos, porém como fruto de visões e experiências pessoais. As experiências pessoais não são descartadas, mas elas, justamente por serem pessoais, não devem e nem podem se transformar em doutrina para a Igreja do Senhor, no sentido mais verdadeiro, amplo e coletivo, como congregação.

Os anjos são ministros de Deus para atuarem sob o comando do Altíssimo e da Santa Trindade em nosso favor, nas diversas demandas da vida, quando precisamos do socorro do Alto.

Anjos não devem ser venerados, alvo de adoração, como alguns têm tentado introduzir em nosso meio. No Livro do Apocalipse, quando o apóstolo João se ajoelhou perante o anjo, por ele foi repreendido. Se não, vejamos: “E eu, João, sou aquele que vi e ouvi estas coisas. E, havendo-as ouvido e visto, prostrei-me aos pés do anjo que mais mostrava para o adorar. E disse-me: Olha, não faças tal, porque eu sou conservo teu e de teus irmãos, os profetas, e dos que guardam as palavras deste livro. Adora a Deus” (Apocalipse 22.8,9).

A correta doutrina dos anjos trata de uma realidade espiritual, embasada biblicamente. Para tanto, é necessário que analisemos essa questão exclusivamente do ponto de vista das Escrituras Sagradas, sem quaisquer paixões, achismos, aventuras e ou experiências personalizadas.

Anjos como ministradores

A classificação mais conhecida e específica dos anjos é a que se segue: arcanjos, querubins e serafins, incluindo uma nota sobre Gabriel, anjo citado pelo nome.

Essa classificação em ordens hierárquicas segue o plano divino de autoridade. O princípio de autoridade sofreu uma tentativa de quebra por parte daquele que foi destituído do céu. Deus se mantém no céu. Ele é o cabeça absoluto, soberano, Deus Criador de todas as coisas!

Hebreus 1.14 afirma sobre os anjos: “Não são porventura todos eles espíritos ministradores, enviados para servir a favor daqueles que hão de herdar a salvação?”. Salmos 103.21 nos diz sobre eles: “Bendizei ao Senhor, todos os seus exércitos, vós ministros seus, que executais o seu beneplácito”. Em Salmos 104.4, lemos: “Faz dos seus anjos espíritos, dos seus ministros um fogo abrasador”. Todas essas passagens chamam os anjos de “ministros” ou “ministradores”.

A palavra “ministrador” usada em Hebreus 1.14 é, no grego, “leitourgikos”, que significa “que serve, que presta serviço, ministrador”. Os vocábulos “malak” (hebraico), “angelus” (latim) e “ángelos” (grego), traduzidas por “anjo”, significam “mensageiro”. Por isso a Palavra de Deus os define como espíritos ministradores enviados para servir ao nosso favor. A função dos anjos é servir aqueles “que hão de herdar a salvação” (Hebreus 1.14).

O anjo Gabriel

A palavra “Gabriel” significa “guerreiro de Deus ou homem de Deus”, tanto no hebraico como no grego. Ou também pode significar “poderoso”. A Bíblia fala de Gabriel como anjo, sem se referir a ele como arcanjo, querubins ou serafins. Ele é junto com Miguel, os únicos com seus nomes citados na Bíblia. Gabriel aparece quatro vezes na Bíblia, sempre como um mensageiro do trono, para falar de algum propósito divino:

1) Daniel, para lhe dar revelações escatológicas, isto é, acerca do fim dos tempos: “E ouvi uma voz de homem entre as margens do Ulai, a qual gritou, e disse: Gabriel, dá a entender a este a visão” (Daniel 8.15-27);

2) Daniel na revelação das 70 semanas: “Estando eu, digo, ainda falando na oração, o homem Gabriel, que eu tinha visto na minha visão ao princípio, veio, voando rapidamente, e tocou-me, à hora do sacrifício da tarde” (Dn 9.21).

3) Zacarias, para anunciar o nasci mento de João Batista: “E, respondendo o anjo, disse-lhe: Eu sou Gabriel, que assisto diante de Deus, e fui enviado a falar-te e dar-te estas alegres novas” (Lucas 1.19);

4) Maria, para anunciar o nascimento de Jesus: “E, no sexto mês, foi o anjo Gabriel enviado por Deus a uma cidade da Galileia, chamada Nazaré”, (Lucas 1.26);

Os querubins

No hebraico “kerub” e no grego “cheroubim”, o vocábulo “querubim” (singular) ou “querubins” (plural) origina-se do hebraico “kerub”, cujo significado é “guardar”, “cobrir”. No hebraico, querubim é um vocábulo correlato com um verbo acadiano que significa “bendizer”, “louvar”, “adorar”. Os querubins estão diretamente ligados à santidade de Deus e à sua adoração (Êxodo 25.20,22; 26.31; Números 7.89; 2 Samuel 6.2; 1 Reis 6.29,32; 7.29; 2 Reis 19.15; 1 Crônicas 13.6; Salmos 80.1; 99.1; Isaías 37.16; Ezequiel 1.5-26; 9.3; I0.1-22; 11.22). Como também com a glória de Deus, pois onde a glória do Senhor se manifesta, os querubins estão presentes (Isaías 37:16).

Êxodo 25:22: E ali virei a ti, e falarei contigo de cima do propiciatório, do meio dos dois querubins (que estão sobre a arca do testemunho), tudo o que eu te ordenar para os filhos de Israel.

Ezequiel 9:3: E a glória do Deus de Israel se levantou de sobre o querubim, sobre o qual estava indo até a entrada da casa; e clamou ao homem vestido de linho, que tinha o tinteiro de escrivão à sua cintura.

Ezequiel 10:18: Então saiu a glória do Senhor de sobre a entrada da casa, e parou sobre os querubins.

Tanto em Ezequiel como em Apocalipse, os querubins são apresentados como “seres viventes” (Ezequiel 1, 9,10 e Apocalipse 4), embora alguns teólogos façam distinção entre os querubins e os seres viventes, mas, ao que tudo indica, trata-se mesmo de querubins.

Na Bíblia, vemos alguns episódios da aparição dos querubins:

1) No monte santo de Deus: Antes da sua queda, Satanás é conhecido como querubim ungido, que foi estabelecido para proteger: “Tu eras querubim ungido para proteger, e te estabeleci; no monte santo de Deus estavas, no meio das pedras afogueadas andavas” (Ezequiel 28.14).

2) No Éden: No Éden, os querubins foram colocados como guardiões, após o pecado do homem. Os querubins estão estritamente relacionados a santidade de Deus, desse modo, foram colocados ali para impedir que o homem, uma vez posto fora dele, voltasse para comer da árvore da vida (Gênesis 3.22,24). Com isso, forma colocados para guardar com uma espada flamejante, o caminho da árvore da vida: “E, depois de lançar fora o homem, Deus colocou querubins a leste do jardim do Éden e uma espada flamejante que se movia em todas as direções, para guardar o caminho da árvore da vida” (Gênesis 3:24).

3) Na tampa da Arca da Aliança (Propiciatório): Deus colocou dois querubins na tampa da arca, chamado de propiciatório (Êxodo 25:17-22). Deus se manifestava no meio dos querubins, quando falava com Moisés e Arão (Êxodo 25:22; Números 7:89). Por isso que o salmista diz, que Deus está entronizado entres os querubins: “O Senhor reina; tremam as nações. Ele está entronizado entre os querubins, comova-se a terra” (Salmos 99.1).

4) Nas cortinas do Tabernáculo: Os querubins estavam bordados nas dez cortinas do tabernáculo: “Faça o tabernáculo, que terá dez cortinas, de linho retorcido, pano azul, púrpura e carmesim; faça as cortinas com querubins, obra de artista” (Êxodo 26:1). Estavam bordados no véu do lugar santíssimo: “Depois, farás um véu de pano azul, e púrpura, e carmesim, e linho fino torcido; com querubins de obra prima se fará” (Êxodo 26.31; 36.35).

5) No véu do lugar santíssimo: Estavam bordados no véu do lugar santíssimo: “Depois, farás um véu de pano azul, e púrpura, e carmesim, e linho fino torcido; com querubins de obra prima se fará” (Êxodo 26.31; 36.35).

6) No Templo de Salomão: Salomão colocou dois querubins de madeira de oliveira, revestidos de ouro, com 4,45 metros de altura, com suas asas medindo 4,45 metros, sendo um querubim de cada lado do templo (1 Reis 6:23-28).

7) O salmista declarou que Deus montou em um querubim e voou: Eles serviram de carruagem para Deus: “E montou num querubim, e voou; sim, voou sobre as asas do vento” (2 Samuel 22: 11; Salmos 18:10).

A aparência dos querubins:

1) Têm quatro faces

Ezequiel 1:6,10: E cada um tinha quatro rostos, como também cada um deles quatro asas. E a semelhança dos seus rostos era como o rosto de homem; e do lado direito todos os quatro tinham rosto de leão, e do lado esquerdo todos os quatro tinham rosto de boi; e também tinham rosto de águia todos os quatro.

Ezequiel 10:14: E cada um tinha quatro rostos; o rosto do primeiro era rosto de querubim, e o rosto do segundo, rosto de homem, e do terceiro era rosto de leão, e do quarto, rosto de águia.

Apocalipse 4:6-8: E havia diante do trono um como mar de vidro, semelhante ao cristal. E no meio do trono, e ao redor do trono, quatro animais cheios de olhos, por diante e por detrás. E o primeiro animal era semelhante a um leão, e o segundo animal semelhante a um bezerro, e tinha o terceiro animal o rosto como de homem, e o quarto animal era semelhante a uma águia voando. E os quatro animais tinham, cada um de per si, seis asas, e ao redor, e por dentro, estavam cheios de olhos; e não descansam nem de dia nem de noite, dizendo: Santo, Santo, Santo, é o Senhor Deus, o Todo-Poderoso, que era, e que é, e que há de vir.

2) Têm seis asas

Apocalipse 4:8: E os quatro animais tinham, cada um de per si, seis asas...

3) São cheios de olhos

Apocalipse 4:8: ...e ao redor, e por dentro, estavam cheios de olhos;

4) Têm semelhança de homem

Ezequiel 1:5: E do meio dela saia a semelhança de quatro seres viventes. E esta era a sua aparência: tinham a semelhança de homem.

5) Têm pés direitos

Ezequiel 1:7: E os seus pés eram pés direitos;

6) têm a planta do pé de uma bezerra

Ezequiel 1:7: ...e as plantas dos seus pés como a planta do pé de uma bezerra

7) Têm o brilho de cobre polido

Ezequiel 1:7: ...e luziam como a cor de cobre polido

8) Têm mãos de homem

Ezequiel 1:8: E tinham mãos de homem debaixo das suas asas, aos quatro lados; e assim todos quatro tinham seus rostos e suas asas.

9) Aspecto de fogo

Ezequiel 1:13: E, quanto à semelhança dos Querubins, o seu aspecto era como ardentes brasas de fogo, com uma aparência de lâmpadas; o fogo subia e descia por entre os seres viventes, e o fogo resplandecia, e do fogo saíam relâmpagos;

10) Se movimentam como relâmpagos

Ezequiel 1:14: E os seres viventes corriam, e voltavam, à semelhança de um clarão de relâmpago.

Os serafins

A palavra “Serafim” vem do hebraico “saraph”, que significa “afogueados, aquilo que queima, que se purifica com fogo”. Serafins - Ocorrências: 2 vezes - VT (2) nos livros: Isaías. Em nenhum outro lugar há menção nas escrituras a respeito dos serafins, somente em Isaías 6. Os serafins estão relacionados a santidade e ao altar de incenso: “Porém um dos serafins voou para mim, trazendo na sua mão uma brasa viva, que tirara do altar com um tenaz” (Isaías 6:6).

Algumas características dos serafins:

Estão na parte de cima de Deus

Isaías 6:2: Serafins estavam por cima dele; cada um tinha seis asas; com duas cobriam os seus rostos, e com duas cobriam os seus pés, e com duas voavam.

Têm seis asas

Isaías 6:2: Cada um tinha seis asas; com duas cobriam os seus rostos, e com duas cobriam os seus pés, e com duas voavam.

Clamam

Isaías 6:3: E clamavam uns aos outros, dizendo: Santo, Santo, Santo é o Senhor dos Exércitos; toda a terra está cheia da sua glória.

Trabalham no Altar de Incenso

Isaías 6:6: Porém um dos serafins voou para mim, trazendo na sua mão uma brasa viva, que tirara do altar com um tenaz;

Os arcanjos

A palavra “arcanjo” no grego é “archangelo”, que significa “anjo príncipe; um anjo que lidera outros anjos ou um anjo chefe”. O termo “arch” significa “Príncipe de principados”. O prefixo “arch” sugere tratar-se de um anjo chefe, principal ou poderoso. Quanto ao número de arcanjos, não sabemos ao certo, pois a bíblia dar nome somente de um arcanjo: Miguel (Judas v.9). Embora a Bíblia cite apenas um arcanjo, ela dá a entender que pode haver outros (Daniel 10:13). No dia do Arrebatamento, o Senhor será acompanhado dos arcanjos: “Porque o mesmo Senhor descerá do céu com alarido e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus (...)” (1 Tessalonicenses 4.16). Se houvesse apenas um arcanjo, a preposição viria articulada “do” arcanjo, porém a preposição é “de”, dando ideia de que haja mais de um (como se observa no original). Em Daniel 10.13, Miguel é citado como “um dos primeiros”, e não o primeiro.

O arcanjo Miguel

Miguel é o único que é citado na bíblia como um arcanjo. Seu nome em hebraico é “Mikael” e significa: “Quem é como Deus:”, talvez para representar uma resposta a Lúcifer, cujo coração se elevou dizendo: “Serei semelhante ao Altíssimo” (Isaías 14.14). Ele é responsável pela nação de Israel, pois ele que peleja em favor da nação de Israel (Daniel 12:1). Daniel estava orando e a resposta estava sendo impedida de descer, Miguel veio para lutar contra o príncipe da pérsia: “Mas o príncipe do reino da Pérsia se pôs defronte de mim vinte e um dias, e eis que Miguel, um dos primeiros príncipes, veio para ajudar-me, e eu fiquei ali com os reis da Pérsia” (Daniel 10.13); “Mas eu te declararei o que está escrito na escritura da verdade; e ninguém há que se esforce comigo contra aqueles, a não ser Miguel, vosso príncipe” (Daniel 10.21).

Miguel também é responsável por disputar e contender com satanás, por causa do corpo de Moisés: “Mas o Arcanjo Miguel, quando contendia com o diabo e disputava a respeito do corpo de Moisés, não ousou pronunciar juízo de maldição contra ele; mas disse: O Senhor te repreenda” (Judas 1.9).

No Apocalipse vemos Miguel e seus anjos, batalhando contra satanás e seus anjos em uma batalha épica, sendo assim, expulsando satanás do céu para terra: “E houve batalha no céu; Miguel e os seus anjos batalhavam contra o dragão, e batalhavam o dragão e os seus anjos; mas não prevaleceram, nem mais o seu lugar se achou nos céus. E foi precipitado o grande dragão, a antiga serpente, chamada o Diabo, e Satanás, que engana todo o mundo; ele foi precipitado na terra, e os seus anjos foram lançados com ele” (Apocalipse 12:7-9).

Nas Escrituras, Miguel é descrito como: o arcanjo (Judas v.9); o líder das hostes angélicas no conflito com Satanás e os seus anjos maus (Apocalipse 12.7); um dos primeiros príncipes (Daniel 10.13); “vosso Príncipe” (Daniel 10.21); e o grande príncipe, “defensor dos filhos do teu povo” (Daniel I2.1).

Que o Deus nos ajude a compreender, através das escrituras sagradas, o melhor desses ministradores, que foram criados para servirem aos propósitos do Eterno e para atuarem em favor da Noiva do Cordeiro, que é a sua Igreja.

por Carlos Roberto da Silva

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