As várias faces do ministério de Jesus estão apresentadas pelos escritores sagrados dos Evangelhos. Mateus, por exemplo, afirma que o Senhor Jesus deu prioridade ao ensino da Palavra de Deus. “E percorria Jesus todas as cidades e aldeias, ensinando nas sinagogas deles, e pregando o evangelho do Reino, e curando todas as enfermidades e moléstias entre o povo” (Mateus 9.35).
De um modo geral, é o apóstolo Paulo o responsável pelas
prescrições elementares da educação cristã no âmbito eclesial. Ele advertiu
Timóteo, por exemplo, mencionando, de maneira explícita, que a atividade do
ministério pastoral tem uma estreita relação com o ensino. “Persiste em ler,
exortar e ensinar, até que eu vá.” (1 Timóteo 4.13).
Ele também instruiu Timóteo a observar, como critério, na
ordenação dos obreiros, a necessidade de eles terem aptidão para ensinar: “O
bispo deve ser um homem que ninguém possa culpar de nada. Deve ter somente uma
esposa, ser moderado, prudente e simples. Deve estar disposto a hospedar
pessoas na sua casa e ter capacidade para ensinar” (1 Timóteo 3.2 – NTLH).
Nossa atividade como educadores cristãos têm um sentido
prático, isto é, precisamos ter um alvo definido. Vejamos como Paulo expressou
isso: “Pois eu assim corro, não como a coisa incerta assim combato, não como
batendo no ar” (1 Coríntios 9.26). Paulo estava convicto de que a sua atividade
apostólica, objetivamente, atingiria o seu apogeu quando da sua morte e da sua
consequente entrada no céu, onde aguardaria a justa recompensa.
Nessa perspectiva, podemos afirmar que a concepção bíblica
da educação cristã está estruturada, didaticamente, sobre três pilares:
O Conteúdo
O educador cristão deve ter o entendimento de que as
Escrituras têm a singularidade da inspiração divina: “Toda a Escritura é
divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar, para redarguir, para
corrigir, para instruir em justiça” (2 Timóteo 3.16). Isso implica atribuir a
autoria do conteúdo a Deus, a fonte da inspiração e da revelação bíblica. O
apóstolo Pedro, em seu discurso sobre a fidedignidade da Palavra de Deus,
afirmou: “porque a profecia nunca foi produzida por vontade de homem algum, mas
os homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo” (2 Pedro
1.21).
Além da inspiração, a Palavra de Deus tem a finalidade de
atingir o ser humano na sua plenitude: “Porque a Palavra de Deus é viva, e
eficaz, e mais penetrante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até à
divisão da alma, e do espírito, e das juntas e medulas, e é apta para discernir
os pensamentos e intenções do coração” (Hebreus 4.12).
O conteúdo bíblico é muito importante, haja vista os
objetivos a que ele se propõe. É pelo conhecimento da Palavra de Deus que o
homem consegue confrontar a santidade de Deus com o seu estado de
pecaminosidade. E é crendo no poder purificador da Palavra de Deus que os seus
pecados são removidos. Foi esta a lição que o Senhor Jesus deu aos seus
discípulos: “Vós já estais limpos pela palavra que vos tenho falado.” (João
15.3).
É, também, com o conteúdo bíblico que o professor trabalha o
desenvolvimento do caráter cristão dos seus alunos. Vejamos dois textos
importantes: “Até que todos cheguemos à unidade da fé, e ao conhecimento do
Filho de Deus, a homem perfeito, à medida da estatura completa de Cristo” (Efésios
4.13). “Antes crescei na graça e conhecimento de nosso Senhor e Salvador, Jesus
Cristo. A ele seja dada a glória, assim agora, como no dia da eternidade. Amém”
(2 Pedro 3.18).
O Fundamento
A fé cristã tem como alicerce a ortodoxia do Evangelho. Esse
evangelho, anunciado e ensinado à igreja primitiva, tinha o caráter
cristocêntrico: “Porque ninguém pode pôr outro fundamento além do que já está
posto, o qual é Jesus Cristo.” (1 Coríntios 3.11). “Edificados sobre o
fundamento dos apóstolos e dos profetas, de que Jesus Cristo é a principal
pedra da esquina” (Efésios 2.20).
O conteúdo bíblico neotestamentário, sobretudo, visava à
formação espiritual dos cristãos primitivos. Por isso, as epístolas, com ênfase
nos textos paulinos, contêm um arcabouço doutrinário suficiente para
fundamentar a fé cristã e para resguardá-la de qualquer heresia emergente.
O apóstolo Paulo teve o cuidado de enviar instruções, em
suas cartas pastorais, a fim de que os ministros observassem a natureza dos
ensinos em suas igrejas. Veja: “Se alguém ensina alguma outra doutrina e se não
conforma com as sãs palavras de nosso Senhor Jesus Cristo e com a doutrina que
é segundo a piedade, é soberbo e nada sabe” (1 Timóteo 6.3,4a).
Com a igreja primitiva em franco desenvolvimento, não faltou
ocasião para alguns falsos mestres se infiltrarem entre os irmãos e
disseminarem seus ensinos espúrios. Paulo tomou conhecimento das distorções que
estavam sendo ensinadas em algumas igrejas e, por isso, necessitou escrever e
instruir os irmãos acerca do genuíno evangelho que eles haviam conhecido. Foi o
caso, por exemplo, dos irmãos da Galácia, que estavam sofrendo dificuldades de
serem integrados à igreja, porque certos mestres queriam impor-lhes a adoção
dos costumes judaicos e a observância à lei mosaica. Observe a afirmação de
Paulo: “Assim, como já vo-lo dissemos, agora de novo também vo-lo digo. Se
alguém vos anunciar outro evangelho além do que já recebestes, seja anátema” (Gálatas
1.9).
O Paradigma
O professor cristão deve ser exemplo para os seus alunos,
demonstrando com a sua vida aquilo que ensina. Certa vez, Jesus falou acerca
dos escribas e fariseus, dizendo que os seus discípulos deveriam seguir o
ensino deles a respeito da Lei, mas não os seus exemplos pessoais: “Ele disse:
- Os mestres da Lei e os fariseus têm autoridade para explicar a Lei de Moisés.
Por isso vocês devem obedecer e seguir tudo o que eles dizem. Porém não imitem
as suas ações, pois eles não fazem o que ensinam” (Mateus 23.3 – NTLH).
Todos os homens devem prestar contas a Deus pelas
declarações feitas, mas não praticadas (Tiago 1.22-27); porém, alguns homens,
por causa de seu ofício, são considerados mais responsáveis diante de Deus pela
prescrição desacompanhada de prática (Tiago 3.1). Portanto, não surpreende que
Paulo destaque a Timóteo e a Tito a ordem de Deus para que façam não somente
exortações, mas também que sejam exemplos (1 Timóteo 4.12; Tito 2.7).
O que as Escrituras dizem acerca da liderança espiritual é
intimidador para os ministros contemporâneos do Evangelho. Como podemos nos
colocar como exemplos éticos, uma vez que ainda não somos perfeitos? O apóstolo
Paulo, como sabemos, não foi um modelo de perfeição, mas ele ousou dizer aos
irmãos de Corinto que fossem seus imitadores (1 Coríntios 11.1). Ao escrever
para os irmãos de Filipos, o apóstolo deixa claro que poderiam seguir o seu
exemplo: “O que também aprendestes, e recebestes, e ouvistes, e vistes em mim,
isso fazei; e o Deus de paz será convosco.” (Filipenses 4.9). A vida de Paulo,
transformada e plenamente comprometida com Cristo, podia ser um verdadeiro
paradigma para os irmãos das igrejas da Galácia: “Já estou crucificado com
Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na
carne, vivo-a pela fé do Filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si
mesmo por mim.” (Gálatas 2.20).
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