O Senhor revela mistérios a quem é íntimo dEle

O Senhor revela mistérios a quem é íntimo dEle


Para esta reflexão, usaremos as seguintes palavras de Jesus: “Não me escolhestes vós a mim, mas eu vos escolhi a vós, e vos nomeei, para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça, a fim de que tudo quanto em meu nome pedirdes ao Pai ele vos conceda” (João 15.16).

Os capítulos 14 a 17 e os primeiros versículos do capítulo 18 do Evangelho escrito por João registram os derradeiros momentos do Mestre com os Seus discípulos. Percebemos que a convivência do Senhor com eles era muito dinâmica. Jesus fazia questão de que participassem de todos os momentos de Seu ministério. Quando os chamou, Ele não esperou que participassem das atividades depois, mas imediatamente.

No chamado a Pedro, o Mestre disse: “Não temas; de agora em diante, serás pescador de homens” (Lucas 5.10). Quando chamou Tiago e João, a Bíblia diz que eles largaram o barco e passaram a seguir Jesus (Mateus 4.21,22). Assim, vemos que a chamada do Senhor Jesus não é protelada; ela é imediata. Quando Ele escolhe, já prepara e espera que nós estejamos prontos para segui-lO.

Pode ser que o ponto principal de nossa chamada ainda vai chegar, mas, a partir do momento que somos chamados, já começamos a participar da intimidade com o Senhor. Assim aconteceu com Davi, quando foi ungido rei de Israel. O jovem pastor estava lá, no meio das ovelhas. Quando o profeta Samuel o ungiu, por determinação do Senhor, a Bíblia diz que o Espírito do Senhor se apoderou dele (1 Samuel 16.13). Então, a partir daquele momento, ele já estava sendo preparado para algo maior que Deus já tinha planejado para a sua vida. É necessário que saibamos que quando o Senhor nos chama, Ele vai preparando-nos aos poucos. Mas a chamada e a prontidão devem ser imediatas.

Acompanhando Jesus em Seu ministério, os discípulos presenciaram os milagres realizados pelo Senhor. Viram mortos sendo ressuscitados, cegos recebendo cura, paralíticos andando, leprosos sendo limpos e endemoninhados sendo libertos. Enfim, presenciaram detalhes do ministério do Senhor Jesus. Também estiveram presentes quando Jesus ministrava a Sua Palavra, ouvindo o que era ensinado em todos os momentos. Podemos entender que havia mensagens e palavras que eles ainda não conseguiam compreender totalmente. Por exemplo, quando Jesus disse a Pedro: “Eu edificarei a minha Igreja” (Mateus 16.18). Certamente, naquele momento, Pedro não entendeu o que significava “Igreja”. Durante Seu ministério, Jesus ainda não havia falado nada sobre a Igreja. Assim, Seus discípulos não sabiam o que representava aquela expressão. Depois, o apóstolo Paulo falou detalhadamente sobre isso (1 Timóteo 3.15; Colossenses 1.18; 1 Coríntios 12.12-27; Efésios 4.15,16; 5.25-27). Então, naquele momento, eles não entendiam o que estava sendo exposto.

Eles também não compreenderam imediatamente quando Jesus disse que derrubaria o templo e o reconstruiria em três dias (João 2.17-22). Não entenderam quando Jesus falou que iria morrer. Tanto que Pedro retrucou: “Senhor, tem compaixão de ti; de modo nenhum te acontecerá isso” (Mateus 16.22). Eram mistérios que Jesus conhecia, mas eles, não.

O interessante em nossa jornada ministerial é que há mistérios que Jesus conhece e que, evidentemente, nós não conhecemos. O importante é que, nessa intimidade que vamos construindo com o Senhor, Ele vai revelando os mistérios que tem para cada um de nós. É nessa intimidade com Deus que Ele revela os mistérios para aqueles que foram chamados e escolhidos. Ele revela para quem quer e da maneira que quer. Uns recebem um tipo de revelação e outros recebem outro, mas o Senhor se revela.

Nos últimos momentos de Jesus com os Seus discípulos, o Mestre abre ainda mais o Seu coração. Parece que o Senhor começa a falar com os Seus discípulos de forma mais íntima. Quanto a nós, obreiros, se não tivermos intimidade com o Senhor, está faltando muita coisa. É na intimidade com Ele que estão a direção, a motivação e a orientação para o nosso trabalho.

por José Wellington Costa Junior

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