O Natal é mais do que uma simples festividade: é a celebração do cumprimento das promessas divinas que ecoaram ao longo de toda a história bíblica. As profecias do Antigo Testamento anunciaram a vinda do Messias, que traria redenção, esperança e paz para a humanidade. Vamos explorar como essas profecias se realizaram e o impacto contínuo do nascimento de Jesus para os crentes de hoje, destacando a profundidade teológica e prática do evento que mudou o curso da história.
Desde o Gênesis, observamos a promessa de um libertador. Em
Gênesis 3.15, naquilo que teologicamente se chama de protoevangelho, Deus
declara à serpente: “E porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua semente
e a sua semente; esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar”. Este
versículo é entendido como a primeira profecia messiânica, indicando a vitória final
do descendente da mulher sobre o mal, personificado pela serpente.
Ao longo da narrativa bíblica, os profetas foram
responsáveis por transmitir mensagens que não apenas repreendiam e corrigiam,
mas também apontavam para o futuro e para a esperança de um Salvador. Isaías,
por exemplo, viveu durante um período de turbulência política e espiritual em
Israel e Judá. Em meio a essa situação, ele profetizou sobre o nascimento de um
filho que seria um sinal de esperança: “Portanto, o mesmo Senhor vos dará um
sinal: Eis que a virgem conceberá, e dará à luz um filho, e será o seu nome Emanuel”
(Isaías 7.14). Este versículo não apenas confortou o povo de Judá em meio às
ameaças externas, mas também foi apontado para um cumprimento futuro em Jesus
Cristo, como descrito em Mateus 1.23.
Outro aspecto importante a considerar é que as profecias messiânicas
carregam uma dimensão de dupla aplicação. Em muitos casos, elas têm um cumprimento
imediato, que se refere à situação contemporânea do profeta, e um cumprimento escatológico,
que aponta para a obra redentora de Cristo. Por exemplo, o livro de Miquéias
5.2 menciona que o Messias surgiria de Belém, uma pequena vila de Judá: “E tu,
Belém Efrata, posto que pequena entre milhares de Judá, de ti sairá o que será
Senhor em Israel, e cujas saídas são desde os tempos antigos, desde os dias da
eternidade”.
Esta profecia destaca a humildade da origem do Messias e a
sua natureza eterna — um paradoxo que se complementa perfeitamente em Jesus,
que nasceu em Belém e é descrito como o “Verbo que se fez carne” (João 1.14).
Essas promessas messiânicas também se conectam ao conceito
do “servo sofredor”, especialmente em Isaías 53. Nesta passagem, o Messias é
descrito como alguém que “foi ferido por causa das nossas transgressões, e
moído por causa das nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava
sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados” (Isaías 53.5). O contraste entre
o servo exaltado e sofredor revela um aspecto profundo do ministério de Cristo:
Ele seria o Rei prometido, mas também o Cordeiro que se sacrificaria para redimir
Seu povo.
As profecias messiânicas no Antigo Testamento culminaram na
vida e no ministério de Jesus Cristo, conforme narrado nos Evangelhos. Esses
cumprimentos servem como uma confirmação da identidade messiânica de Jesus, bem
como da fidelidade de Deus em cumprir Suas promessas. Em Isaías 7.14,
encontramos uma das profecias messiânicas mais conhecidas. Esta profecia foi
dada em um contexto de crise nacional, onde o profeta assegurava ao rei Acaz
que Deus estava no controle e daria um sinal de esperança. A expressão “Emanuel”
significa “Deus conosco”, apontando para a presença divina que se manifestaria
de forma concreta no meio do povo.
No Novo Testamento, Mateus conecta diretamente esta profecia
ao nascimento de Jesus: “Tudo isto aconteceu para que se cumprisse o que foi
dito da parte do Senhor, pelo profeta, que diz: Eis que a virgem conceberá e
dará à luz um filho, e chamá-lo-ão pelo nome de Emanuel, que traduzido é: Deus
conosco” (Mateus 1.22,23). Aqui, Mateus não apenas afirma o cumprimento da profecia,
mas também enfatiza o significado teológico de Jesus como a encarnação de Deus
entre os homens, marcando o início de uma Nova Aliança.
A localização do nascimento do Messias também foi predita séculos
antes, em Miquéias 5.2. Este versículo destaca tanto a humildade do local
escolhido para o nascimento do Messias quanto a natureza eterna do prometido,
que existe “desde os dias da eternidade”.
Os Evangelhos confirmam que Jesus nasceu em Belém, conforme
descrito em Mateus 2.1 e Lucas 2.4-7. Essa precisão na localização não é
acidental, mas parte do plano soberano de Deus, que levou José e Maria até Belém
por meio de um decreto do imperador romano (Lucas 2.1). Assim, a profecia se
cumpre de maneira precisa, demonstrando que mesmo eventos históricos aparentemente
aleatórios são usados por Deus para cumprir Suas promessas.
Isaías 9.6 apresenta uma profecia que descreve o caráter e
os títulos do Messias: “Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu, e o
principado está sobre os seus ombros; e se chamará o seu nome Maravilhoso, Conselheiro,
Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz”. Essa profecia não apenas
anuncia o nascimento do Messias, mas também revela Sua natureza multifacetada:
Ele seria, ao mesmo tempo, um governante e um ser divino, carregando títulos
que apontam para Sua majestade e missão de trazer paz.
No Novo Testamento, a missão de Jesus como o Príncipe da Paz
é reafirmada. Em Lucas 2.14, os anjos proclamam aos pastores: “Glória a Deus
nas alturas, paz na terra, boa vontade para com os homens”. Isso ecoa a promessa
de Isaías de que a vinda do Messias traria paz entre Deus e a humanidade. Além
disso, o próprio Jesus afirma “Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la
dou como o mundo a dá” (João 14.27), cumprindo a promessa de ser uma fonte de
paz eterna para todos os que creem.
Uma das profecias mais sombrias relacionadas ao nascimento de
Jesus está em Jeremias 31.15: “Assim diz o Senhor: Uma voz se ouviu em Ramá,
lamentação, e choro amargo; Raquel chorando por seus filhos, e não quis ser consolada,
porque já não existem”. Originalmente, essa passagem descrevia o lamento pelas crianças
de Israel levadas ao exílio, mas Mateus a aplica ao massacre dos inocentes
ordenado por Herodes: “Então se cumpriu o que foi dito pelo profeta Jeremias,
que diz: Em Ramá se ouviu uma voz, lamentação, choro e grande pranto; Raquel
chorando seus filhos, e não querendo ser consolada, porque já não existem” (Mateus
2.17,18).
O cumprimento das profecias messiânicas no nascimento de Jesus
Cristo é uma prova inquestionável da fidelidade e soberania de Deus. Cada
detalhe previsto no Antigo Testamento foi realizado de maneira precisa,
confirmando a identidade de Jesus como o Messias prometido. Assim, ao celebrar
o Natal, somos lembrados de que Deus cumpre Suas promessas, e podemos confiar
que Ele continuará a realizar Seus planos soberanos, conduzindo-nos para um
futuro de esperança eterna em Cristo.
por Brayan Lages
Compartilhe este artigo. Obrigado.

Postar um comentário
Seu comentário é muito importante