No Sermão do Monte (Mateus 5–7), Jesus utilizou parábolas, ilustrações e alegorias para ensinar os princípios do Reino de Deus. Em Mateus 7.13,14, Ele apresenta uma parábola sobre duas portas e dois caminhos — um largo e outro estreito — que representam dois estilos de vida: o daqueles que seguem o Reino de Deus e o dos que vivem segundo o próprio ego. Com essa figura, Jesus revela a realidade da salvação e a necessidade de escolhas conscientes. Surge, então, a pergunta: o que simboliza essa “porta” e o que ela nos ensina?
Só há uma “Porta” que conduz à salvação: Jesus
Em diversas ocasiões, Jesus apropriou-se do conceito simbólico
de porta. Por exemplo, ao falar sobre a oração, Ele disse “Batam, e a porta
lhes será aberta” (Mateus 7.7b), mostrando aos ouvintes que a oração é uma
porta que abre caminho para receber a resposta de Deus. Ao advertir a igreja
impenitente de Laodiceia, convidando-a ao arrependimento, Jesus afirmou: “Eis
que estou à porta e bato” (Apocalipse 3.20a). E, por fim, ao falar sobre a Sua
própria pessoa, o Mestre declarou: “Eu sou a porta” (João 10.9).
Ao se identificar como a “porta”, Jesus deixou claro que somente
por meio dEle Suas ovelhas encontrariam o mais importante prêmio da vida: a salvação.
O Senhor não ofereceu outras opções ou outros caminhos para a redenção humana. Ele
é, definitivamente, a porta que conduz ao caminho da vida eterna (João 10.8,9).
Sabemos que, em um mundo marcado pela pluralização e pela relativização,
muitos rejeitam a Cristo e a Sua verdade. Tais pessoas acabam construindo suas próprias
“portas”, que conduzem, inevitavelmente, a um caminho de morte. Contudo, devemos
lembrar que, segundo Jesus, só há uma “porta” que conduz o ser humano à
salvação. Por isso, Ele afirmou: “Eu sou a porta; se alguém entrar por mim,
será salvo; entrará e sairá, e encontrará pastagens” (João 10.9). Assim, a
primeira verdade que aprendemos sobre “a porta estreita” é que, metaforicamente,
ela faz alusão à própria pessoa de Jesus. Somente através dessa porta o homem
pode encontrar a salvação e seguir o caminho que o conduzirá à Eternidade.
Precisamos tomar decisões certas para nos adequar aos padrões
da “porta”
Jesus apresentou aos Seus ouvintes uma característica peculiar
da “porta”: ela é estreita. Quem deseja chegar ao caminho que leva à vida
eterna precisa, necessariamente, entrar por essa porta estreita. Contudo, ela
não é a única opção disponível de porta. Há também a porta larga, a preferida
da maioria (Mateus 7.13). Porém, apesar de atrativa, o destino de quem entra
pela porta larga é a perdição, segundo as próprias palavras de Jesus.
Para passar pela “porta estreita”, é preciso tomar decisões firmes.
A primeira decisão é mudar de identidade, nascendo de novo por meio da salvação
oferecida graciosamente por Cristo (João 3.3; Efésios 2.8). Em todo o Sermão do
Monte, Jesus deixou claro que o padrão exigido dos cidadãos do Reino de Deus
deveria ser superior a tudo o que viviam anteriormente. Eles deveriam adotar a
identidade do Reino de Deus, de salvos em Cristo. Assim, entrar pela “porta estreita”
significava adequar-se ao padrão dessa porta.
O padrão da “Porta” (Jesus) exige fé, humildade, renúncia e santidade.
Não é possível passar por ela levando consigo uma bagagem de práticas pecaminosas
que tornam a travessia impossível. É preciso renunciar a antiga identidade,
tendo fé e convicção para rejeitar as propostas nefastas deste mundo.
Confiar e descansar são exigências para passar pela
“porta”
Além de reconhecer que Jesus é a Porta e adequar-se ao Seu
padrão, é preciso confiar e descansar em Suas promessas. A porta é estreita e,
muitas vezes, não se enxerga claramente o que há do outro lado. Essa limitação leva
muitos a desistirem por falta de fé. Entretanto, quem confia em Cristo caminha,
mesmo sem ver, sustentado pela certeza de Suas palavras.
Entrar pela porta estreita requer desprendimento: deixar para
trás tudo o que impede o avanço — medo, incredulidade e pecados não
confessados. Jesus nos convida a atravessar com confiança, certos de que Ele
tem o controle de todas as coisas. O discípulo que confia não precisa ver o
destino final para dar o passo de fé; basta crer que aquEle que prometeu é fiel
para conduzir à vida eterna.
Portanto, a confiança é o selo da verdadeira fé. É no
descanso em Cristo que o cristão encontra força para seguir firme, mesmo quando
o caminho parece difícil ou solitário.
Considerações finais
A “porta estreita” nos revela, primeiro, que Jesus é a única
porta que conduz o homem à salvação e, portanto, Ele próprio é essa Porta. Em
segundo lugar, aprendemos que é necessário tomar decisões corretas,
adequando-nos aos padrões de santidade exigidos por Cristo. Entrar pela “porta estreita”
requer fé, renúncia e obediência.
REFERÊNCIAS
CARSON, D. A. O comentário de Mateus. São Paulo:
Shedd Publicações, 2010.
SHELTON, James B. Mateus. In: ARRINGTON, French L.; STRONSTAD, Roger (org.). Vol. 1 e 2. Comentário
Bíblico Pentecostal: Novo Testamento. 4. ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2009.
STAMP, Donald (ed.). Bíblia de Estudo Pentecostal.
Rio de Janeiro: CPAD, 2012.
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