Estela que fala de Davi é exposta nos EUA

Estela que fala de Davi é exposta nos EUA


Encontrados vestígios de comunidade de seguidores de Simão, o Mago

Até o dia 3 de novembro, o Museu da Bíblia, em Washington DC, capital dos Estados Unidos, apresentou a exposição “A Casa de Davi: Uma Dinastia Esculpida em Pedra”, que tem como destaque a célebre Estela de Tel Dan, considerada uma das descobertas arqueológicas bíblicas mais relevantes do último século e que é uma das comprovações arqueológicas da existência do rei Davi além do texto bíblico. A peça, que pertence ao Museu de Israel, estava em exposição nos EUA desde o final de 2024, inicialmente no Museu Judaico em Nova York.

Descoberta em 1993 no norte de Israel, a estela registra as vitórias militares de um rei arameu, provavelmente Hazael, sobre governantes de Israel e Judá. Nos fragmentos preservados, aparece a expressão “Casa de Davi”, primeira evidência extrabíblica de que o famoso rei de Judá foi reconhecido como fundador de uma dinastia real. Antes dessa descoberta, estudiosos céticos viam Davi como figura lendária, à semelhança do rei Arthur do folclore britânico, devido à ausência de provas arqueológicas fora do texto bíblico. A Estela de Tel Dan, porém, mudou o rumo do debate acadêmico ao indicar que, cerca de um século após sua morte, Davi já era lembrado como personagem histórico e patriarca de uma linhagem governante.

Achada propriedade de discípulos de Simão, o Mago

No início de setembro, arqueólogos israelenses anunciaram a descoberta de uma grande propriedade agrícola samaritana em Khirbet Kafr Hatta, no centro de Israel, em um local associado ao personagem bíblico Simão, o Mago, mencionado no capítulo 8 do livro de Atos. Segundo relato dos Pais da Igreja, Simão fundou uma seita gnóstica, que foi posteriormente liderada por um mago chamado Menandro, nascido exatamente em Khirbet Kafr Hatta, onde foi descoberta a antiga propriedade.

A escavação é fruto de uma colaboração entre a Autoridade de Antiguidades de Israel (AAI) e o Ministério da Construção e Habitação, que está desenvolvendo um novo projeto residencial na região. Estima-se que a propriedade agrícola tenha funcionado por cerca de quatro séculos, entre os anos 300 e 700 d.C., durante os domínios romano e bizantino. Segundo os diretores da escavação da AAI, Alla Nagorsky e Dr. Daniel Leahy Griswold, “tudo aponta para a grande riqueza e prosperidade da comunidade samaritana local ao longo dos anos”. Além dos mosaicos e das decorações em forma de frutas, foram encontrados um lagar para produção de azeite, um armazém e um local de banho ritual de purificação. “Esse tipo de lagar de azeite é mais típico da região de Jerusalém e da Sefelá da Judeia, sendo menos comum em Samaria”, disse Nagorsky.

Durante os séculos V e VI, os samaritanos se rebelaram contra o domínio bizantino, o que resultou na destruição de diversos assentamentos. Entretanto, a propriedade recém-descoberta parece ter resistido a esse período, preservando não apenas sua estrutura, mas também elementos da cultura samaritana, mesmo sob a constante ameaça bizantina. “Este é um sítio fascinante, que revela a trajetória histórica entre os tempos de prosperidade e declínio da comunidade samaritana. Sua longa existência e os achados impressionantes permitirão reconstruir a sua história ao longo dos séculos e enriquecer nosso conhecimento sobre essa população na antiguidade”, disse Nagorsky.

Catedral cristã de 1,5 mil anos achada na França

Arqueólogos no sudeste da França descobriram, debaixo dos mercados de Vence, comuna a oeste da cidade de Nice, restos de uma antiga catedral cristã e um batistério notavelmente preservado que datam de mais de 1.500 anos, o que eles chamaram de uma das descobertas mais significativas em décadas. Os resultados das escavações foram apresentados à imprensa em 31 de julho, após meses de trabalho, informou a FSSPX News. “Esta descoberta é de tal magnitude que só ocorre uma vez a cada 50 ou 60 anos na Europa”, disse Fabien Blanc-Garidel, chefe do serviço arqueológico da área metropolitana de Nice.A renovação dos mercados de Vence levou à descoberta da catedral no início deste ano. Desde março, equipes trabalhando sob a supervisão de Franck Sumera, curador geral do serviço de arqueologia da Direção Regional de Assuntos Culturais (DRAC) de Provença-Alpes-Côte d’Azur, revelaram um complexo com cerca de 30 metros. Os escavadores dizem que o local reflete mais de seis séculos de vida cristã, do século V ao XI, antes da catedral ser abandonada e destruída. Entre as descobertas notáveis   está um batistério externo, em seu estado original, sem modificações posteriores. Blanc-Garidel descreveu o batistério como uma “construção circular, provavelmente cercada por uma colunata e coberta”, com um espaço batismal octogonal na parte externa e em forma de cruz na parte interna. Ela era revestida com um concreto romano feito de ladrilho triturado.

“A fonte está em muito bom estado”, disse Blanc-Garidel à Fox News Digital, acrescentando que a estrutura “confirma a antiguidade do bispado de Vence e aumenta nosso conhecimento das primeiras práticas religiosas cristãs nos Alpes Marítimos e na Provença”. Naquela época, o batismo ainda era administrado principalmente a adultos e por imersão, em contraste com o ritual de ablução praticado na moderna Igreja Católica Romana.

Arqueólogos também descobriram túmulos na nave da catedral, que se acredita serem de bispos e cônegos. Especialistas afirmam que as descobertas lançam luz sobre as práticas cristãs da época e a ascensão do Cristianismo na região.

Tesouro de 1,4 mil anos encontrado na Galileia

Uma descoberta que chamou a atenção recentemente em Israel foi a de um tesouro de moedas e joias da era bizantina achado perto do Mar da Galileia. Com quase 1.400 anos, ele foi descoberto por uma equipe de arqueólogos durante escavações na antiga cidade de Hippos, também conhecida como Sussita, situada nas encostas das Colinas de Golã. O anúncio foi feito no final de setembro e o tesouro consiste em 97 moedas de ouro puro e joias como brincos adornados com pérolas e pedras semipreciosas. “Este está entre os cinco maiores tesouros de ouro daquele período encontrados na região”, declarou Michael Eisenberg, arqueólogo da Universidade de Haifa e codiretor da escavação, em entrevista ao Live Science. A descoberta foi feita em julho por Edie Lipsman, um detector de metais que se deparou com o tesouro enquanto caminhava próximo a uma grande pedra e duas antigas paredes. “O dispositivo enlouqueceu, eu não conseguia acreditar. Moedas de ouro começaram a aparecer uma após a outra”, relatou Lipsman.

Provavelmente o tesouro foi enterrado devido a conflitos na época. Em 614, o Império Sassânida invadiu a Palestina bizantina. Os moradores das cidades cristãs da região, incluindo Hippos, escondiam suas riquezas à medida que os soldados estrangeiros avançavam, mas a região continuou sendo palco de batalhas por anos. Jerusalém caiu durante o ataque de 614, os bizantinos recuperaram a cidade cerca de 15 anos depois, mas, em 636, os muçulmanos a reconquistaram. Logo, Hippos começou a declinar e foi abandonada após um terremoto que atingiu a Galileia em 749. Por isso, “a primeira metade do sétimo século contém o maior número de reservas emergenciais de moedas de ouro e bronze. As pessoas ficaram apavoradas e deixaram relativamente muitas reservas, principalmente moedas”, afirma Eisenberg.

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