Reciclagem é fundamental para aprimorar a missão de ensinador
Como educador e profissional de comprovada influência na formação do caráter e na educação de pessoas, o professor precisa se reciclar sempre para ter bom desempenho como ensinador. Em se tratando de um professor de Escola Dominical, jamais deve-se ter a ideia ou pretensão de delegar ao Espírito Santo aquilo que é obrigação sua como estudo e preparo adequados das lições que vai ensinar. O professor pode até possuir conhecimento que julgue suficiente sobre determinada área, mas ainda assim é possível melhorá-lo.
O professor de Escola Dominical que se preza sabe, à luz da
Palavra de Deus, que será preciso ser, inquestionavelmente, tanto professor
quanto professor-aluno. Cada um tem o dever de aperfeiçoar a sua
individualidade.
Como professor, devemos repassar o que aprendemos aos nossos
alunos. Como professor-aluno, precisamos buscar conhecimento para o
aprimoramento da profissão que abraçamos e desempenhamos. Esse princípio está
norteado no ensino do divino Mestre: “Porque a vós é dado conhecer os mistérios
do reino dos céus, mas a eles não lhes é dado; porque aquele que tem, se dará,
e terá em abundância; mas aquele que não tem, até o que tem lhe será tirado” (Mateus
13.11-12).
O professor já tem o saber, porém, precisa de novas
informações, mesmo possuidor de experiência e formação cultural já definidas.
Já foi dito que “o ignorante aprende e o que sabe recorda” (Baltazar Gracian).
Quem não se dispõe a aprender não ouse ensinar. Ensina-se quando se aprende;
aprende-se quando se estuda. O professor precisa ser aluno, porém, um
aluno-professor. Nisso não há demérito.
Eis algumas ocasiões, nas quais o professor precisa ser
aluno.
1) Quando o ensinador toma conhecimento de temas de
lições programadas para determinada classe – Neste ponto, deve embrenhar-se
no caminho da pesquisa, para enriquecer seus conhecimentos, a fim de alcançar
seus alunos;
2) Quando compreende o valor de métodos criativos – O
professor que pretende passar conhecimento, voltado para a boa formação do seu
aluno, deve aplicar métodos criativos na ministração de suas aulas. O
rendimento é indiscutível;
3) Quando é sensível às necessidades de seus alunos –
Nem sempre o aluno tem aptidão para absorver o que lhe é passado no comentário
da lição, senão com um pouco de persistência e paciência do professor, se este
é sensível à provável necessidade do aluno;
4) Quando reconhece que o ensino envolve toda a sua vida
– O ensino não será absorvido se o aluno perceber que o professor não vive o
que ensina. A autoavaliação é necessária.
O professor precisa ser aluno porque é professor. “Se é
ensinar, haja dedicação ao ensino” (Romanos 12.7). O professor que ensina a uma
faixa etária de comprovados conhecimentos não pode ser reticente ou repetitivo
em suas informações e afirmações, sob pena de perder um pouco de sua
credibilidade.
A Palavra de Deus diz “haja dedicação ao ensino”. O que o
Espírito Santo determina é que o professor precisa aprender mais. E já foi dito
por experimentados profissionais do ensino que “nunca se sabe tanto que não se
precise aprender mais um pouco”.
Questão de consciência
Descrevemos, a seguir, outras razões nas quais são
manifestas ocasiões em que o professor precisa ser aluno:
1) Quando toma consciência de sua vocação para o ensino
– O professor tem que partir para expansão de seus conhecimentos, especialmente
quando se trata da Escola Dominical, uma vez que há variados temas adotados a
cada trimestre do ano letivo. Ensinaríamos uma disciplina sem que a conhecêssemos?
Para conhecer é preciso estudar e é aí que o professor precisa ser aluno.
Vejamos algumas razões:
a) Por serem temas que obedeceram a outra linha de
raciocínio, derivados de outra mente, embora fertilizada pela Espírito Santo,
que também inspira o “professor-aluno”. Pesquisar é preciso.
b) Como em cada lição existem mistérios que Deus quer
revelar a seus filhos, e o professor da ED, em sua vocação de ensinar, é
responsável por transmiti-los, é mister que o ensinador se faça professor-aluno
e, através da oração e meditação, seja divinamente orientado para levar ao seu
aluno a revelação de Deus.
c) Outra ocasião se instala quando o professor necessita de
avaliar a qualidade de suas próprias aulas, tentando encontrar algum ponto
suscetível de melhoras. Essa autoavaliação somente será bem-sucedida se o
professor a estudar. O Dicionário de Verbos e Regimes, 4ª Edição, página
288, no pronominal agregado ao conceito de ensinar, chama isso de “aprender por
si; avisar-se”.
2) Quando encarar o magistério em Cristo como uma chamada
divina – Como uma comissão do Mestre por excelência, com submissão a
Cristo, com lealdade à sua igreja e disposição para possuir atitudes de
aprendiz, aí se dará o momento “quando o professor precisa ser aluno”.
A partir desse ponto, o professor nunca o deixará de ser,
ainda que tenha a qualificação de professor. No professor que a si mesmo se
cuida, vê- se exaltada a profissão do ensinador.
Se há um direito de ensinar, há também, obviamente, um dever
de aprender. A partir desta premissa, fica claro que em muitas ocasiões o
professor precisa ser aluno. Vale salientar que o professor é a única pessoa
que deve encontrar razão para estudar. Se lhe falta o interesse, nada mais
poderá ser feito, senão lamentar-se. É do escritor brasileiro Rui Barbosa a
célebre frase: “Não há tribunais que bastem para obrigar o direito quando o
dever se ausenta da consciência”.
E preciso força de vontade do indivíduo para descobrir que
sua própria capacidade de trabalho é renovável. Aliás, é uma exortação bíblica.
“Transformai-vos pela renovação do vosso entendimento” (Romanos 12.2). Verdade
é que o professor pode aprender as técnicas de ensino e aplicá-las no processo de aprendizagem dos
seus alunos, porém, precisa ter força de vontade e desejo de trabalhar.
Diz o escritor William Martin, em sua introdução ao ensino
da Escola Dominical: “Só se aprende com a prática”. Portanto, aprendendo as
técnicas do ofício de ensinar e trabalhando adequadamente, chegar-se-á um dia à
qualificação de bons mestres. Entende-se que o professor voluntária ou
involuntariamente está sempre na esfera do aprendizado.
Aprendendo a ouvir
Estudando a expressão do apóstolo Paulo em 2 Timóteo 2.1-2,
nos deparamos com quatro gerações de cristãos com um método único e eficaz de
aprendizado: o ouvir. “Tu, pois, meu filho, fortifica-te na graça que há em
Cristo Jesus e o que de mim, entre muitas testemunhas, ouviste, confia-o a
homens fiéis, que sejam idôneos para também ensinarem a outros”. As quatro
gerações de cristãos acima mencionadas têm funções similares na área do ensino.
A primeira tem, por exemplo, o apóstolo Paulo, que
confessou: “Recebi do Senhor o que também vos ensinei”. A segunda recebeu pela
audição. Paulo afirma: “O que de mim, entre muitas testemunhas, ouviste”.
Timóteo, por exemplo, recebera a comissão de ensinar o que aprendera junto a
outros (“muitas testemunhas”), repassando-o para a terceira geração (“homens
fiéis”), e esta, por sua vez, ensinaria à quarta geração (“outros”). Assim,
temos Cristo, que ensinou a Paulo; Paulo, que ensinou a Timóteo; Timóteo, que
ensinaria a homens fiéis, que ensinariam a outros.
O método audiovisual foi de uma eficácia indiscutível,
fantástica, com resultados que perduram até os nossos dias, depois de quase
dois mil anos.
Cada geração, especialmente as duas primeiras, precisaram se
reciclar, como vemos na expressão: “Fortifica-te na graça que há em Cristo
Jesus”, a fonte onde deveriam permanecer ligados como alunos. É de vital
importância a atualização de conhecimentos já adquiridos, principalmente quando
se tem a responsabilidade de transmiti-los para não serem passadas informações
defasadas, revelando desconhecimento, apresentando ignorância de fatos novos.
Fonte atualizadora
Uma fonte segura para um pesquisador se reciclar é a que
procede de origem divina, a Palavra de Deus, de onde tiramos lições e métodos
insuperáveis para alcançar os propósitos que Deus tem para com os seus. Lemos
em 2 Timóteo 3.16-17: “Toda Escritura divinamente inspirada é proveitosa para
ensinar, para redarguir, para corrigir, para instruir em justiça, para que o
homem de Deus seja perfeito, e perfeitamente instruído para toda a boa obra”.
O professor da Escola Dominical não é um professor comum.
Ele não ensina matérias simplesmente pesquisadas, mas reveladas. As pesquisas
trazem muitas novidades, e por isso mesmo surge a necessidade de reciclagem
para o professor, para sua atualização. O professor da Escola Dominical falará
de temas oriundos do céu, da divina fonte.
Deus quer que os homens conheçam seus mistérios, como lemos
em Colossenses 1.26-28: “O mistério que esteve oculto desde todos os séculos, e
em todas as gerações, e que agora foi manifesto aos seus santos; aos quais Deus
quis fazer conhecer quais as riquezas da glória deste mistério entre os
gentios, que é Cristo em vós, esperança da glória; a quem anunciamos,
admoestando a todo o homem, e ensinando a todo o homem em toda a sabedoria;
para que apresentemos todo o homem perfeito em Jesus Cristo”.
O próprio Mestre orando ao Pai (João 17.26), fez algumas
revelações importantes para os que ousam se chamar professores da Escola
Dominical, mas que recusam atender aos requisitos aqui explicitados: “...lhes
fiz conhecer o teu nome, e lhes farei conhecer mais”. Ora, se seus discípulos
já tivessem os conhecimentos completos daquilo que haveriam de ensinar, não
teriam necessidade de “conhecer mais”. Nisso conhecemos mais um momento, quando
o professor precisa ser aluno. Há sempre o que se aprender, de cujos
conhecimentos há sempre o que se ensinar. Nossos conhecimentos jamais se
completarão.
O eunuco da rainha de Candace era, em sua época, um homem
culto. Afirmamos isso em virtude da função que exercia como ministro da
Fazenda. Contudo, muito havia que aprender e por isso disse a Filipe, no
tocante à palavra profética que lia: “Como poderei entender, se alguém não me
ensinar?” (Atos 8.31). Ele recebeu o convite de Filipe, servo do Senhor, para
aprender o significado da Escritura não compreendida. E imperioso que se
entenda entre os chamados mestres a importância de se aprender sempre.
Quando o leitor deste artigo estiver debruçado sobre este
conteúdo, passar-lhe-á pela cabeça inúmeras razões não abordadas aqui e que com
certeza estarão estimulando-o a alinhar-se as aqui apontadas, com a consciência
esclarecida de que “Nunca se sabe tanto, que não se precise aprender mais um
pouco”.
por José Lúcio Ribeiro Filho
Compartilhe este artigo. Obrigado.

Postar um comentário
Seu comentário é muito importante