Aprendendo a orar com Jesus

Aprendendo a orar com Jesus


Quando esteve nesta terra, Jesus nos deixou o maior exemplo de uma vida de oração. Embora fosse o Verbo Vivo, Ele viveu em completa dependência do Pai, a fim de mostrar que a intimidade com Deus é indispensável para todo aquele que deseja viver os propósitos dos Céus neste mundo. Ao observarmos Sua vida, percebemos que a oração não era algo raro, mas um hábito constante que marcava Seu ministério e impactava aqueles que O seguiam.

A vida de Jesus confirma a importância que Ele dava à oração. Embora jamais tenha deixado de ser Deus, ao encarnar para vir a este mundo, Ele esvaziou-se da Sua glória e viveu em perfeita submissão ao Pai (Filipenses 2.5-8). Sua missão foi cumprida pelo poder do Espírito Santo, e a oração ocupava um lugar central nessa jornada. Antes de iniciar Seu ministério público, Jesus permaneceu quarenta dias no deserto em jejum e oração (Mateus 4.1-11). Durante Seu ministério, frequentemente retirava-se para lugares solitários para orar (Lucas 5.16). Na noite que antecedeu Sua crucificação, passou longas horas em intensa oração no Jardim do Getsêmani, entregando Sua vontade ao Pai (Mateus 26.36-46). Até mesmo na cruz do Calvário, Jesus não deixou de orar (Lucas 23.34). Se Cristo não subestimou o poder da oração, por que faríamos diferente?

Os capítulos 5 a 7 do Evangelho de Mateus registram o famoso Sermão da Montanha, onde estão os fundamentos da ética cristã. Nele, Jesus ensina sobre diversos assuntos referentes ao Reino de Deus, como as bem-aventuranças, o amor ao próximo, a prática da justiça, o jejum e outros temas que orientam a vida cristã. Entre esses ensinamentos, o nosso Mestre amado fala sobre oração, ressaltando a importância dessa prática e demonstrando como Seus seguidores deveriam orar.

Ao ensinar sobre oração, Jesus começa mostrando como ela não deve ser praticada. Em Mateus 6.5, Ele repreende aqueles que transformavam a oração em um “espetáculo religioso”. Os fariseus gostavam de orar em público para serem admirados pelas pessoas e para serem considerados mais piedosos que os demais. O objetivo deles não era agradar a Deus, mas alcançar o reconhecimento humano. Jesus condena essa atitude, porque a oração jamais deve ser usada como meio de exibição, mas como encontro sincero entre o crente e o seu Pai celestial.

Logo em seguida, Jesus apresenta o verdadeiro propósito da oração. Em Mateus 6.6, Ele orienta Seus discípulos a entrarem em seu quarto, fecharem a porta e orarem ao Pai, que vê o secreto. Com isso, Jesus ensina que, quando oramos, desenvolvemos um relacionamento de intimidade com Deus. Quando oramos, não estamos apenas cumprindo uma obrigação religiosa, mas nos aproximando do Criador do universo, reconhecendo nossa total dependência dEle e entregando todas as áreas da nossa vida aos Seus cuidados. Diante dessa verdade, é importante ressaltar que não devemos orar apenas quando enfrentamos dificuldades, pois Deus não quer que sejamos “filhos interesseiros”, mas deseja que tenhamos um relacionamento real e profundo com Ele. Deus quer que o busquemos não somente para que Ele resolva nossos problemas, mas porque amamos Sua presença e desejamos viver em comunhão com Ele. Jesus deixou bem claro que o Pai conhece perfeitamente todas as nossas necessidades, intenções e pensamentos antes mesmo de verbalizarmos (Mt 6.32), mas ainda assim Ele faz questão de nos ouvir, pois a oração fortalece o nosso relacionamento com Ele.

Ainda em Mateus 6.9-13, Jesus apresenta um modelo de oração a ser seguido. Se, poucos versículos antes, Ele havia condenado as repetições vazias dos gentios (Mateus 6.7), fica bem claro que Sua intenção não era entregar aos discípulos uma “oração pronta” para ser repetida mecanicamente, mas um modelo, um exemplo daquilo que deve orientar nossas orações espontâneas.

A primeira lição desse modelo de oração é a maneira como nos dirigimos a Deus: “Pai nosso que estás nos céus” (Mateus 6.9). No Antigo Testamento, os judeus dificilmente chamavam Deus de Pai. Porém, por meio da obra redentora de Cristo, fomos adotados como filhos de Deus (Romanos 8.15). Portanto, não nos aproximamos de Deus pelos nossos próprios méritos, mas pela graça revelada em Jesus Cristo. Esse fato transforma completamente nossa vida de oração, porque nos traz a convicção de que Deus não está distante de nós, pois Ele é o nosso Pai.

O modelo ensinado por Jesus também revela elementos que devem estar presentes em nossas orações. Em primeiro lugar, devemos adorar a Deus, reconhecendo Sua santidade, Sua grandeza e agradecendo a Ele por todos os Seus benefícios. A oração começa colocando Deus no centro, antes mesmo de apresentarmos nossos pedidos (Mateus 6.9). Além disso, devemos reconhecer a superioridade da vontade de Deus sobre a nossa: “Seja feita a tua vontade” (Mateus 6.10), visto que os planos dEle são sempre melhores que os nossos. Mesmo quando não compreendemos as circunstâncias, sabemos que a vontade de Deus é boa, perfeita e agradável (Romanos 12.2).

Somos também convidados a apresentar diante do Senhor nossas petições (Mateus 6.11). Deus não espera orações superficiais e vazias, mas se agrada de um coração sincero e quebrantado. Por isso, podemos abrir nossa alma diante dEle com total confiança, expondo-lhE nossas necessidades, preocupações e ansiedades, pois Ele conhece nossas dores e se importa com cada detalhe da nossa vida.

Outro aspecto fundamental da oração é o pedido de perdão (Mateus 6.12). Ao orarmos, devemos reconhecer nossas falhas e pedir perdão a Deus, mas, ao mesmo tempo, precisamos pedir que o Senhor nos ensine a perdoar aqueles que nos feriram. O perdão não é uma capacidade natural do ser humano, mas uma obra do Espírito Santo em nosso coração. Por isso, enquanto oramos, Deus transforma nossos sentimentos e nos capacita a liberar perdão.

Jesus também ensina que devemos pedir forças para vencer as tentações (Mateus 6.13) e permanecer firmes diante de tudo aquilo que tenta nos afastar da presença de Deus, porque pelas nossas próprias forças não somos capazes de resistir o mal. A vida cristã envolve batalhas espirituais constantes e somente pela graça do Senhor somos fortalecidos para permanecer fiéis (Efésios 6.10). Por fim, a oração ensinada por Jesus se encerra com um belíssimo hino de adoração: “Porque teu é o Reino, e o poder, e a glória, para sempre. Amém!” (Mateus 6.13).

A vida do nosso Senhor Jesus Cristo demonstra que a oração não é uma simples prática religiosa, mas o fundamento de um relacionamento vivo com Deus. Se o Filho de Deus viveu em constante comunhão com o Pai e fez da oração uma prioridade, também somos chamados a fazer o mesmo. Quanto mais oramos, mais conhecemos Deus. Quanto mais oramos, mais nossa fé é fortalecida. Quanto mais oramos, mais nos tornamos parecidos com Cristo. Quando oramos, vemos a mão de Deus intervir de forma sobrenatural na história. Por isso, a partir de hoje, experimente ter uma vida de constante oração!

por Sâmia Lobato

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