Dentre as muitas histórias narradas nos evangelhos, a história do endemoninhado de Gadara é uma das mais espetaculares demonstrações da missão messiânica de Jesus. O Espírito Santo estava sobre Jesus para anunciar as Boas Novas, curar e libertar (Lucas 4.18), enfatizando funções importantes do Messias: Salvador, e Libertador.
Quando o Senhor ordenou aos Seus discípulos partirem para a
outra margem, não era apenas mudança geográfica. Era uma ação evangelística e
de libertação, era socorro divino indo ao encontro daqueles que estavam
assentados à sombra da morte (Mateus 4.16). Passar para a outra margem traz uma
conotação de uma nova fase de experiências que os discípulos deveriam viver.
Jesus é tomado por um profundo sono e, enquanto descansa,
Seus discípulos lutam contra a força do vento que agita o lago. A angústia apoderou-se
dos companheiros de Cristo, pois perderam a esperança em todas as suas
habilidades. Assim, clamando por socorro, despertaram o Mestre. Jesus ordena
que o vento e o mar se acalmem, e surge uma grande bonança (Marcos 4.39).
Na caminhada com Cristo, sempre aprendemos algo novo.
Observe que Jesus, ao repreender a tempestade, questiona não as habilidades dos
discípulos, mas a fé deles (Marcos 4.40). Existem momentos em que nossas habilidades
não valerão na nossa jornada com Jesus, principalmente quando o assunto é
aprendizado espiritual. É necessário confiarmos mais em Quem está conosco no barco
e nos deu a ordem [Jesus], que em nossas habilidades. Perceba que, dos doze que
ali estavam, somente quatro eram pescadores. E esses quatros distintos “homens
do mar” (Pedro, André, João e Tiago) nada puderam fazer. Os discípulos questionaram
o cuidado do Mestre e agora o Mestre questiona-os sobre a fé deles (Marcos
4.38,40).
Dali, eles atravessam e chegam em Gadara, uma região
gentílica. Marcos enfatiza que Jesus e os discípulos chegaram à terra (chõra) dos
gadarenos, destacando que não se tratava de uma cidade (polis), mas de um
território rural. Era um território impuro. Marcos, ao destacar a residência do
endemoninhado, nos sepulcros, evidencia impureza máxima segundo a lei (Marcos 5.2,3,5).
Aquele era um ambiente dominado por forças malignas, porém Jesus decididamente
foi lá. Jesus não tem repulsa em visitar os lugares mais inóspitos para socorrer
o perdido. A Bíblia relata que o homem possesso, ao ver Jesus, veio ao encontro
dEle (Marcos 5.6). É importante destacar que esse “viu” a que o evangelista se
refere não é apenas no aspecto físico, mas na capacidade de discernimento de
quem Jesus era. Por isso, ele se prostra confessando (Marcos 5.6).
O texto diz que uma legião de demônios possuía aquele pobre homem,
mas nenhum batalhão infernal é páreo para competir com a autoridade de Jesus.
Ele é o Deus encarnado cheio de autoridade sobre todas as dominações. O texto
nos faz entender que a legião insiste em permanecer, mas Jesus é enfático em
ordená-la sair, demonstrando que há libertações que são processos. Assim sendo,
não pode haver desistência, pois o adversário de nossas almas é insistente.
Jesus expulsou a legião e entregou novamente a mentalidade e
o sentimento de decoro ao homem que agora é encontrado assentado, vestido e em
são juízo (Marcos 5.15). Jesus trouxe auxílio para a alma e o físico daquele
homem, outrora errante e clamando incontrolável com a alma angustiada. Agora, ele
estava com paz serena e apto a compreender as grandezas de Deus.
Por algumas boas razões, podemos dizer que aquele moço gadareno
foi o primeiro missionário em terras gentílicas:
1. Decápolis era uma
região predominantemente gentílica;
2. Ele foi enviado
diretamente por Jesus para anunciar as obras de Deus ali;
3. Seu testemunho
alcançou uma população não-judaica;
4. Seu “sermão” era
sua própria transformação; ele passou a contar o que Cristo havia feito em sua
vida.
A Bíblia diz que ele foi por toda parte anunciando as
grandezas de Deus. O homem que antes era incapacitado devido à sua triste situação
de possessão agora está capacitado e legalizado por Cristo para anunciar as
Boas Novas de salvação e, como todo crente verdadeiramente liberto, antes de ir
para sua casa, ele foi anunciando a todos o que Deus lhe havia feito. Deus
deseja resgatar os moribundos deste mundo. O Senhor Jesus anela por almas que,
mesmo que estejam na mais terrível escuridão, clamem por socorro. Ele ouve e vai
ao encontro, pois somente em Suas mãos há poder para resgatar o pecador das
cadeias de Satanás.
por Antônio Adson Rodrigues
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