Em uma análise do texto de Mateus 2.1-12, na narrativa do nascimento de Jesus Cristo, vemos escondido entre o registro, três diferentes reações ao nascimento do Salvador.
A reação dos Magos: Reação da fé
A tradição diz que eram Gaspar, Melquior e Baltasar, sozinhos
partiram a Jerusalém. Não sabiam, como os pastores que foram informados pelo anjo
(Lucas 2.8-12), que a Criança era humilde. Chegando a Belém não encontraram nenhuma
guarda real protegendo o recém-nascido Rei. Nenhuma grande autoridade terrena estava
presente. Jesus estava deitado numa manjedoura. O Rei dos reis fora colocado
num cocho para animais. Mas, apesar de tudo isso quando viram o Menino
“prostrando-se, O adoraram” (Mateus 2.11). Através da humilde aparência exterior
de Jesus, reconheceram a presença da Divindade. Deram-lhe o coração como a Seu
Salvador, apresentando então suas dádivas (v.11):
1) Ouro: Símbolo da realeza, era presente para um Rei (além
se servir de sustento para e durante a fuga ao Egito).
2) Incenso: Símbolo da fé, era presente para um Sacerdote (simbolizar
a oração que chega a Deus como fumaça).
3) Mirra: Representa a morte como Salvador, era presente para
um Profeta (era usada para embalsamar os corpos).
O que levou os magos do Oriente a virem a Israel buscando um
encontro pessoal com o Rei dos judeus? Não foi, em primeiro lugar, a estrela
que os levou a essa decisão, pois ela foi apenas um fato visível posterior. A realidade
do nascimento de Jesus foi o motivo de sua viagem.
A certeza dos magos de que Jesus realmente havia nascido levou-os
a Belém. Certamente o sinal visível da estrela guiando seu caminho foi para
eles uma grande ajuda em sua longa jornada. Esse fato deixa bem claro que qualquer
pessoa pode vir a Jesus, porque Ele existe.
É muito animador e um testemunho alentador vermos que os magos
do Oriente não permitiram que sequer um pensamento de dúvida fizesse vacilar seus
corações, roubando-lhes sua certeza de encontrar o Rei que procuravam. E quanto
a nós? Temos crido realmente que Ele existe? Em de seu destino. Por que Ele não
o fez e permitiu essa interferência? Porque Ele queria que as intenções dos inimigos
fossem manifestas! Porque Ele queria motivar a nossa fé hoje. Porque Ele
desejava ensinar-nos a lição de que ainda que haja acidentes no percurso, Ele
está na direção e no controle absoluto de todas as coisas!
Os cristãos verdadeiros sempre responderão ao Natal com louvor
e ação de graça. Eles cantarão um cântico cheio de significado (Salmo 40.1-3). Quando
o Espírito de Deus controla a mente e o coração, a alma convertida entoa um
novo cântico.
Canta um novo cântico porque reconhece que a promessa de Deus
se tem cumprido em sua experiência. Reconhece que sua transgressão foi perdoada
e seu pecado coberto.
Jesus é o caminho de nossa fé, o objeto de nossa fé e o alvo
de nossa fé. A fé é que nos une a Jesus. Aquele que crê sempre estará onde Ele
está.
A reação de Herodes: Reação da perplexidade
Herodes, o Grande, era um idumeu, designado pelo senado romano
para reinar sobre a Judéia. Ele descendia de Esaú e supõe-se que se converteu
ao judaísmo apenas por conveniência. Herodes multiplicou o esplendor de Jerusalém
como nenhum outro e era considerado extremamente capaz em seu tempo, apesar disso,
esse homem era possuído pelo medo de perder o poder. Ele afligiu-se com a ideia
de um rival em potencial para o seu trono. O astuto monarca foi despertado diante
da notícia trazida pelos magos do nascimento de um novo rei, o rei dos judeus.
Essa notícia tornou seu coração resistente. O temor espalhou-se “... toda Jerusalém
perturbou-se com Ele” (vs.3). É fácil entender a razão desta agitação entre o povo.
As pessoas que habitavam Jerusalém estavam familiarizadas com as atrocidades que
Herodes era capaz de cometer. Temendo um tumulto, ele bem que poderia decretar o
massacre de centenas ou milhares de pessoas. O temor experimentado por Herodes finalmente
o levou a mandar “matar todos os meninos que haviam em Belém... de dois anos
para baixo...” (vs.16). Esta crueldade foi um dos últimos atos de sua vida. Pouco
tempo depois ele foi obrigado a submeter-se àquela condenação que ninguém pode
desviar. (Mateus 2.19). Em sua ganância, perdeu o trono e deixou de conhecer ao
Salvador.
A reação dos escribas: Reação dos indiferentes
Quando Herodes perguntou aos escribas “onde havia de nascer
o Cristo” (vs.4). Os líderes religiosos deram-lhe a resposta correta, citaram a
profecia (vs.5,6). Apontaram Belém como sendo o local do glorioso nascimento.
Porém, recusaram-se a buscar “o Cristo” por si mesmos. Nem mesmo iriam a Belém,
a ver se estas coisas eram assim. O orgulho e a inveja fecharam seus corações para
“a luz verdadeira, que alumia a todo homem” (Jo1.9). Eles consideraram as novas
trazidas pelos magos como fanatismo e, portanto, indignas de atenção. Seu
orgulho e obstinação cresceram até culminarem em decidido ódio contra o Salvador.
Foram estes líderes que prenderem, julgaram e levaram-no até Pilatos, incentivaram
a população a gritar “crucifica-o” (Marcos 15.11-13).
Muitas pessoas ainda hoje reagem com indiferença à mensagem
do Natal. Muitos ainda celebram o Natal sem Cristo. Não procuram ao Salvador. Natal
hoje, com muita frequência, é símbolo de Papai Noel, compras, presentes, festas
e tudo o mais. A indiferença ante o nascimento de Jesus torna as pessoas meros religiosos,
que apesar de saberem o caminho espiritual, não se dispõem a andar por ele. Se contentam
com as tradições, com a superficialidade no relacionamento com Deus. Estão tão perto
do Salvador, mas passarão a eternidade longe dele. Com Jesus o que importa não
é saber muito, falar muito ou fazer muito, o que importa é largar tudo e ir até
Ele.
por Sérgio Pereira
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