Achado em Tel Eton reforça evidências do combate à idolatria em Judá
A descoberta de um pilar de 2,7 mil anos em Tel ‘Eton, na Judeia, aponta para o combate à idolatria pelo rei Ezequias, registrado na BÃblia (2 Reis 18.1-7; 2 Crônicas 29-31; e IsaÃas 36.7). O achado foi divulgado na edição de 2026 do periódico cientÃfico Jerusalem Journal of Archaeology, da Universidade Hebraica de Jerusalém.
O estudo, conduzido pelo professor Avraham Faust, se concentra
em um artefato maciço com aproximadamente 1,4 metro de altura e cerca de 750 quilos,
dividido em dois segmentos, com marcas de encaixe correspondentes. Conhecida em
hebraico como massebah, pedras como essa eram erguidas no antigo Oriente Médio
relacionadas a práticas religiosas. “As pessoas usavam pedras grandes como
sÃmbolo. Seu significado exato é debatido, mas todos os estudiosos concordam
que elas eram usadas em contextos religiosos”, disse o professor Faust.
O objeto foi encontrado em uma grande residência conhecida pelos
arqueólogos como “EdifÃcio 101” ou “Casa do Governador”, mais especificamente
no maior dos quatro cômodos da construção. Os vestÃgios indicam que a massebah
ficava exposta de forma visÃvel, destacando-se no local. No entanto, ela já
havia sido removida de sua posição original e realocada horizontalmente a uma
plataforma de pedras em algum momento antes do final do século VIII a.C.,
quando a cidade foi destruÃda pelos assÃrios (2 Crônicas 32). “Os responsáveis
pela mudança nas práticas religiosas podem ter desejado eliminar a função
ritual da pedra e talvez quisessem que os antigos objetos rituais fossem
profanados, mas as pessoas que realizaram a mudança parecem tê-la tratado com
respeito”, afirmou Faust. “Eles a removeram de uso sem destruÃ-la,
neutralizando efetivamente seu significado de culto e preservando o objeto em
si”, frisou.
De acordo com o autor do artigo, o pilar pode ter sido removido
quando Ezequias estabeleceu uma grande reforma espiritual no Reino de Judá, derribando
locais de cultos pagãos e conduzindo seu povo de volta à adoração exclusiva ao Senhor.
“E fez o que era reto aos olhos do Senhor, conforme tudo o que fizera Davi, seu
pai. Este tirou os altos, e quebrou as estátuas, e deitou abaixo os bosques” (2
Reis 18.3-4). A BÃblia destaca igualmente a reforma promovida por Josias,
bisneto de Ezequias, que em seu reinado também colaborou para mudanças
significativas nos cultos de Judá. No entanto, o achado foi datado entre os séculos
VIII e VII a.C., perÃodo correspondente ao governo de Ezequias. “Como se acredita
que a reforma de Josias tenha ocorrido mais tarde, no século VII, ela não é
realmente relevante”, argumentou Faust, “mas acredita-se que Ezequias tenha
reinado no século VIII, então poderia fazer sentido”.
Até o momento, as maiores relações arqueológicas com as reformas
do monarca se resumiam a mudanças a estruturas públicas, como os sÃtios de
Arade e Berseba. Caso a descoberta deste pilar esteja realmente associada a
Ezequias, seria uma prova do impacto dessa reforma no ambiente doméstico.
Compartilhe este artigo. Obrigado.

Postar um comentário
Seu comentário é muito importante