Missionários se adaptam às necessidades locais para anunciar a Cristo
A mensagem não pode mudar, mas o método, em algumas circunstâncias, pode ser adaptado à cultura e à necessidade local, com o objetivo de atender à missão de proclamar Cristo aos povos. Nesse sentido, conheça nesta matéria algumas iniciativas que têm aberto portas para o Evangelho ao redor do mundo.
Limpar banheiro e evangelizar
A percepção de uma necessidade não suprida direcionou missionários
a adotarem uma estratégia incomum para evangelização de refugiados no Oriente
Médio. “Os missionários estão indo limpar os banheiros dentro do campo de refugiados”,
afirmou Paulo Locatelli, missionário brasileiro com décadas de atuação na
África por meio da Secretaria Nacional de Missões (Senami). da Convenção Geral
dos Ministros das Igrejas Evangélicas Assembleia de Deus do Brasil (CGADB).
Enquanto ministrava em um Congresso de Missões da Igreja Assembleia de Deus em
Dirceu, Teresina, no Piauí, Paulo explicou aos presentes que, diante de uma região
tão resistente à pregação do evangelho, a limpeza dos banheiros públicos,
instalados pela Organização das Nações Unidas (ONU), foi vista como uma brecha para
demonstrar o amor de Deus na prática. “O serviço deles é limpar o banheiro. E
vendo esta ação, o povo olha e diz: ‘Por que isso? Por que realizar esse
trabalho com alegria e com amor?’”, testemunhou o missionário.
Segundo ele, os questionamentos e dúvidas geradas por essas
atitudes “abrem as portas”, oportunizando a resposta dos missionários “‘O que
está em nós é o que nos dá essa alegria; Ele é quem nos dá essa graça, é quem
nos dá essa força’, respondemos, e a porta vai se abrindo e o evangelho vai
sendo pregado”, explicou.
Amparada por este testemunho, a Assembleia de Deus em Dirceu
publicou em suas redes sociais: “Pela fé, o evangelho avança, até onde poucos
estão dispostos a ir. Enquanto muitos procuram plataformas, no Oriente Médio há
missionários que encontram propósito em um balde, uma vassoura e um coração
disponível. Em campos de refugiados e regiões marcadas pela dor, [...] existe
uma necessidade que quase ninguém quer suprir, e é justamente ali que o
evangelho ganha espaço. [...] Enquanto servem, também semeia esperança, amor e
a Palavra de Deus. Cada ato de serviço se torna uma ponte para alcançar vidas
que talvez nunca entrariam em uma igreja. Isso nos lembra que missões não
começam no púlpito, começam na disposição. Porque onde há alguém disposto a
servir, há uma porta aberta para Deus agir.”
Canal de TV para refugiados
Por meio do SAT-7, uma rede internacional de televisão via
satélite e com plataforma de streaming cristã, refugiados em países da África e
do Oriente Médio, e habitantes de nações oprimidas por governos ditatoriais,
estão tendo acesso a Cristo e ao evangelho, enquanto lidam com conflitos,
migrações e privações. Com uma tecnologia de difícil controle por parte dos regimes
autoritários, as televisões via satélite funcionam como uma das raras janelas
de informação e apoio espiritual disponíveis em determinados países.
Os jovens e adolescentes são alcançados pela SAT-7 principalmente
por meio das redes sociais. “Eles nos perguntam: ‘Amor? Deus é amor?’. ‘Perdão?
Devemos perdoar as pessoas que nos magoaram?’. E somos muito honestos quando respondemos
que realmente não é fácil, especialmente no Oriente Médio, onde há muitos
inimigos por perto. Mas as pessoas sentem e respeitam essa honestidade”, esclarece
Rita el-Mounayer, uma das líderes do ministério.
A partir do primeiro contato, uma equipe de suporte
acompanha esses jovens, orando com eles e tirando dúvidas sobre o evangelho. “Eles
tentam se conectar com as pessoas, tentam responder às suas perguntas e oram
com elas. E então, no final, quando sentimos que é seguro, especificamente para
elas, nós as conectamos a uma igreja local ou igreja clandestina”, explicou. “É
obra do Espírito Santo. Louvado seja Deus, pois a esperança em Cristo não
conhece limites”, completou Rita.
Palhaço ministra a crianças
De forma criativa, o missionário Marcos Antônio tem atuado
no ministério infantil como Palhaço Alegria. Além das visitas a hospitais,
igrejas e casas de repouso no Brasil, Marcos transformou a palhaçaria em um
projeto missionário em Moçambique, responsável pela distribuição de alimentos para
famílias carentes e por levar alegria e esperança a um povo tão marginalizado.
Em uma visita à comunidade de Tala Valeta, em junho, que
coincidia com as celebrações do dia das crianças no país, o missionário apresentou
uma encenação ilustrativa sobre o sacrifício de Jesus, chamado de Jeso na
língua local, o shona.
“Fiquei encantado com a reverência deles na hora da Palavra.
Ninguém vai beber água, ninguém vai ao banheiro e seus olhinhos brilham
prestando atenção”, testemunhou Marcos, “Começou a chover e a água entrava na
igreja, mas eles permaneceram adorando ao Senhor porque queriam ouvir Deus. Foi
um momento lindo”. Durante as ações em Moçambique, mais de mil crianças foram
evangelizadas e alimentadas. Segundo o missionário, a maioria delas teve o primeiro
contato com um palhaço nessa ocasião.
Mecânico alcança vidas
No início de 2025, um missionário chamado Daniel foi
direcionado a uma comunidade rural no interior da Colômbia com a missão de reestabelecer
uma congregação há anos fechada pela atuação de guerrilhas e grupos armados.
Segundo relatos, o encerramento das atividades, havia tornado a região hostil
ao evangelho, restando apenas um cristão na localidade.
A partir da chegada de Daniel e de sua família, o
missionário utilizou seus conhecimentos em mecânica para consertar motores,
ferramentas e equipamentos agrícolas enquanto aproveitava para se conectar aos
moradores e compartilhar o evangelho. “Muitos não podiam pagar com dinheiro”, disse
o líder do ministério, “mas ofereciam-lhe comida e produtos agrícolas, criando
laços de confiança e gratidão”, completou.
Com os corações mais receptíveis à mensagem, o ministério promoveu
uma campanha evangelística com cultos de adoração e discipulado. De acordo com
os organizadores, toda a comunidade se uniu para participar do evento, inclusive
pessoas ligadas a grupos armados. Como fruto dessas ações, cinco famílias
entregaram suas vidas a Cristo. “Homens e mulheres que antes praticavam
bruxaria ou trabalhavam para grupos armados abandonaram esses caminhos para
viver em paz, cultivar a terra e servir a Deus”, relatou o líder do ministério
à Christian Aid Mission. Atualmente, a congregação voltou as suas atividades e
soma mais de 20 membros.
Cristo aos jovens na Eslovênia
Em um contexto onde os evangélicos são vistos com
desconfiança e existem apenas nove igrejas somando 300 membros, em um país com
2,2 milhões de habitantes, o missionário Daniel Bates e sua esposa, Heather,
enviados à Eslovênia, não conseguiram se conectar aos moradores, sobretudo por
barreiras idiomáticas.
As interações só passaram a existir quando o casal de missionários,
ligados ao Conselho de Missões Internacionais (IMB), se envolveu com uma
comunidade de atividades recreativas tradicionais do país. Eles passaram a
participar de encontros semanais, que reúnem competidores de diversas regiões do
país e também de grupos online. “Usamos redes como parte da nossa estratégia de
engajamento digital para o ministério. É onde as pessoas estão, então queremos
estar lá também”, relatou o missionário.
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