Distintivos Pentecostais

Distintivos Pentecostais


A personalidade teológica do Movimento que marcou a história do cristianismo

O Movimento Pentecostal não é mais filho adotivo do cristianismo. Este poderoso mover de Deus, nos últimos tempos, tem se tomado uma vibrante força nos dias modernos da cristandade. Ao contrário do que muitos pensam, o Movimento Pentecostal não é um novo reavivamento. Isto não começou com o despertamento em meados do século passado. Para nós, pentecostais, isto é meramente um movimento adicionado ao que nasceu na chama do reavivamento que se espalhou por todo o mundo na mudança do século passado.

Embora, a maior parte dos pioneiros do pentecostalismo não se considere separatista, vários distintivos pentecostais têm emergido, o que confere ao Movimento Pentecostal uma característica particular, que é singular e inegavelmente diversa de outros movimentos cristãos.

Falar em línguas

O principal distintivo do pentecostalismo é o falar em línguas. Pentecostais acreditam que o falar em outras línguas é a evidência externa e física do batismo no Espírito Santo. Donald Gee, recentemente falecido, disse: “A marca distintiva do Movimento Pentecostal é o falar em línguas, quer nós gostemos disto ou não, e negá-lo pode deixar-nos talvez ‘evangelicais’, ‘fundamentalistas’, mas não ‘pentecostais’ no sentido distintivo.”(1)

Mas não significa que o falar em línguas é a única evidência do batismo no Espírito Santo. O Espírito não veio meramente para falar, mas sua mensagem é a proclamação de que Ele tem vindo para o crente e o acompanhará no cumprimento da tarefa de ser um instrumento na Grande Comissão.

Falar em línguas não é o apogeu da experiência do crente, mas um ingresso dentro de um serviço mais efetivo e um testemunho mais poderoso de Jesus Cristo. De fato, este é o primeiro propósito da manifestação do Espírito. “Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria, e até nos confins da terra” (Atos 1.8). “Mas, quando vier o Consolador, que eu da parte do Pai vos hei de enviar, aquele Espírito de verdade, que procede do Pai, ele testificará de mim. E vós também testificareis, pois estivestes comigo desde o princípio” (João 15.26-27).

O Espírito capacita os crentes com divina habilidade na realização de seus trabalhos e toma-os eficazes na proclamação do Evangelho. Além disso, o batismo não é um fim em si mesmo, todavia significa o momento do enchimento pleno do homem em Cristo. “Isto tudo pode ser resumido dizendo que o propósito do pentecoste é equipar para o serviço, adequar para o exercício da chamada e dotar de poder para a tarefa da evangelização do mundo”.(2)

Distintivo da cura

Desde o início do Movimento Pentecostal, curas divinas têm sido um dos mais proeminentes distintivos. As doenças vieram para o ser humano por causa da queda do homem; no entanto, a provisão para a cura foi providenciada em Cristo que “tomou sobre si as nossas enfermidades e levou as nossas doenças” (Mateus 8.17) e “e pelas suas feridas fostes sarados” (1 Pedro 2.24). Onde a doença é resultado do pecado, o sangue expiador faz provisão para a cura. E, também, toda doença é resultado direta ou indiretamente da queda do homem. É da natureza de Deus curar. Um dos seus nomes no Antigo Testamento, Jeová-rafa, testifica isso: “Eu sou o Senhor que te sara” (Êxodo 15.26). Seria estranho pensar que Deus, cuja natureza é curar, expressaria a nós através do seu Filho?  Podia um Deus de compaixão e amor fazer mesmo isso?

O ministério da cura pertence a todos os crentes. Ele não está restrito a umas poucas pessoas selecionadas. Os dons de curar foram estabelecidos na igreja para serem operados através do Corpo de Cristo conforme as necessidades e de acordo com a direção do Espírito (1 Coríntios 12.28). A recuperação do doente, como resultado da oração dos crentes, é uma operação normal dentro da igreja pentecostal. O apóstolo Tiago encorajou os santos à oração: “Confessai as vossas culpas uns aos outros e orai uns pelos outros, para que sareis: a oração feita por um justo pode muito em seus efeitos” (Tiago 5.16).

A Palavra de Deus declara expressamente que todos os crentes têm o privilégio de impor as “mãos sobre o ser enfermos, e os curarão” (Marcos 16.18). Pentecostais não somente impõem as mãos sobre os enfermos, eles também ungem com óleo como instruído em Tiago 5.14-15. No entanto, não é o impor as mãos ou a unção com óleo que produzem a cura. Não é obra do homem, mas obra de Deus. O óleo não contém virtude ou poder especial. Ele é simplesmente um óleo de oliva qualquer, porém, quando aplicado, é símbolo do poder divino para a cura por meio do seu Espírito.

Distintivo do carisma

O carismata (dons, em grego) ou os dons do Espírito ocupam um importante lugar na adoração, devoção e ministério dos pentecostais. Os dons (carismata) do Espírito são distintos do dom (dorea) do Espírito Santo. Todos os dons espirituais residem no Espírito Santo e quando alguém é cheio do Espírito, este passa a ter o potencial de operação de todos os dons espirituais. Porém, visto que Ele é a fonte dos dons, os homens não podem operá-los apenas pelo querer. A operação dos dons ocorre segundo a vontade do Espírito.

Os dons são derramados dentro de três categorias: os dons de revelação, os dons de poder e os dons de expressão. Os dons de revelação são os dons de palavra de sabedoria, da palavra de conhecimento, e de discernimento de espíritos.

Os dons de poder são: fé, milagres e dons de curas. Os dons de expressão são profecias, línguas e interpretação. De acordo com 1 Coríntios 12.8-11 estes dons são conferidos pelo Espírito Santo: “Porque a um, pelo Espírito, é dada a palavra de sabedoria; e a outro, pelo mesmo Espírito, a palavra da ciência, a outro, pelo mesmo Espírito, a fé; e a outro, pelo mesmo Espírito, o dom de curar; e a outro a operação de maravilhas; e a outro a profecia; e a outra o dom de discernir os espíritos; e a outro a variedade de línguas; e a outro a interpretação de línguas. Mas um, só e o mesmo Espírito opera todas estas coisas, repartindo particularmente a cada um como quer”.

Visto que todos os dons são de origem sobrenatural, ninguém tem qualquer coisa em que se gloriar, a não ser em Deus. Nada inato ou qualquer habilidade humana está misturada com a divina operação dos dons. Portanto, não existe razão para orgulho.

A habilidade para exercitar estes dons não reside no homem, mas em Deus. “E há diversidade de operações, mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos. Mas a manifestação do Espírito é dada a cada um, para o que for útil (1 Coríntios 12.6-7).

A palavra manifestação (phaferosis) significa “revelar, tornar claro”. O Espírito Santo revela-se por meio de dedicados obreiros em manifestações espirituais. Aqueles, através de quem os dons são manifestados pela operação do Espírito, devem sempre ficar conscientes do Conferidor. Os dons são para magnificar o nosso Deus e nunca para exaltação da pessoa ou para exibição pública.

Distintivo da proclamação

Desde o começo, o Movimento Pentecostal tem sido uma ação de reavivamento. E o evangelismo, uma natural consequência do reavivamento, tem estado à frente de todas as atividades. Evangelismo é pregar o Evangelho (mensagem) das Boas-Novas de Jesus Cristo em todo seu significado e por todos os métodos para os descrentes de todos os lugares.

Nos primeiros tempos do Movimento Pentecostal, a excitação sobre a recém-estabelecida experiência atraiu o povo, e muito trabalho tinha, então, de ser realizado pelos seguidores. Com o zelo conhecido somente pelos cristãos do Novo Testamento, resgatadores do pentecostalismo em Azusa procuraram perpetuar o fogo do Pentecostes.

A Igreja do Novo Testamento envolvia-se continuamente em evangelismo e aumentava em números dia a dia. De fato, ela cresceu tão rapidamente que os religiosos daqueles dias perguntavam-se “até onde isto cresceria” (Atos 5.24). O Movimento Pentecostal tem recuperado o espírito de evangelismo, narrado no Novo Testamento.

O notável crescimento da Igreja no século passado pode ser atribuído, primeiro, à zelosa e consagrada maneira com a qual os membros e ministros têm desempenhado suas tarefas ao longo do tempo. Segundo, a dependência do sobrenatural e da orientação do Espírito em seus esforços. Terceiro, a mensagem centralizada na morte e ressurreição de Jesus Cristo, a vida futura, a prontidão para o breve Retomo de Cristo. Quarto, a comunhão fortemente entrelaçada dos crentes; e quinto, a prática da fé manifestada no dia a dia.

Distintivo da adoração

A adoração pentecostal não é como a adoração formal de igrejas litúrgicas. O fator dominante na adoração é a orientação do Espírito. Não existe na Bíblia verdadeira adoração sem o Espírito: “Deus é Espírito, e importa que os que o adorem em espírito e em verdade” (João 4.24).

Adoração no Espírito toma-se uma comunicação da alma em louvor e adoração ao Deus invisível. Isto é uma resposta a Deus, pela sua maravilhosa obra para com os filhos dos homens. Esse tipo de adoração é simples, mas significativa. Não requer urna liturgia elaborada, uma organização sofisticada, nem um prédio espaçoso, mas corações sinceros, humildes e quebrantados.

Meios

Elementos distintivos da adoração pentecostal são:

1) Unidade edificante – Um dos impressionantes traços da adoração pentecostal é o espírito de unidade. Este marco era também proeminente na igreja do Novo Testamento: “E perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão e nas orações” (Atos 2.42). Não existe lugar para o isolamento na adoração pentecostal.

A adoração propicia comunhão, consolo, edificação, exortação, e oração uns pelos outros (Tiago 5.16; Tessalonicense 4.18; 5.12 e Hebreus 10.25). A comunhão dos santos provê força, coragem e edificação para os crentes.

2) Oração poderosa – Pentecostais são dedicados à oração. Oração não é o exercitar de um ritual mas a comunicação da alma dos crentes diretamente pelo Espírito ao Pai. Oração é a prioridade dos adoradores pentecostais, até porque foi numa reunião de adoração que a igreja pentecostal veio a existir. Quando o Espírito Santo vem sobre a congregação, orando, em comum acordo, é como se fosse um rugido de muitas águas. Segue-se urna espontânea explosão de petições e louvor na igreja. Esta é a adoração que vem dos Céus. “E ouvi como que a voz de uma grande multidão, e como que a voz de muitas águas, e como que a voz de grandes trovões, que dizia: Aleluia!...” (Apocalipse 19.6).

3) Cânticos alegres – Muitas das canções pentecostais podem ser classificadas como música da alma, isto é, um transbordar do mais íntimo do ser. Pessoas que são cheias do Espírito expressam seu louvor a Deus em cânticos (Efésios 5.19). Um observador habilmente descreveu os cânticos congregacionais dos pentecostais: “Não eram cantados os convencionais hinos da igreja (....) isto pode ser mais bem descrito, eu acho, conforme as Escrituras, como um som de júbilo (...) Eles explodiam. Cada partícula do ser de cada um deles derramava-se em adoração quando cantavam, nada tornava-se abatido, nem seus líderes tentavam reprimi-los.(3)

O apóstolo Paulo descreve os cânticos daqueles que são cheios do Espírito: “Falando entre vós em salmos, e hinos, e cânticos espirituais; cantando e salmodiando ao Senhor no vosso coração” (Efésios 5.19). Cantar no Espírito não é uma exibição de talento, nem isto é feito para o entretenimento dos ouvintes. É a melodia que sai do coração para Deus.

4) Dons espirituais – Espera-se a presença dos dons na adoração pentecostal. O reconhecimento da operação de dons espirituais no culto de adoração cultiva um desejo por coisas espirituais. E se o padrão da Bíblia para a divina adoração for seguido, haverá manifestação de dons espirituais na igreja. A regra para a operação de dons espirituais no culto de adoração é: “... Faça-se tudo para a edificação” (1 Coríntios 14.26).

5) Reação espiritual – Em um culto pentecostal, adoradores podem reagir, levantando suas mãos para Deus como expressão de adoração em petições, louvor, súplica e rendição; batendo palmas para expressar alegria; erguendo suas vozes em  declarações de louvor a Deus, chorando de gozo no Senhor, gargalhando ou de outras maneiras. Pois, sendo o homem urna criatura emocional, ele responde de vários modos ao toque de Deus. Entretanto, cabe a cada pessoa observar os costumes da igreja em que está inserido.

6) Pregação ungida – A mensagem do ministro é uma parte vital do culto pentecostal. A verdadeira pregação pentecostal é aquela em que a congregação e o ministro atuam juntos. Os pregadores pentecostais pregam, crendo que algo acontecerá e igualmente, como parte da adoração, o povo pentecostal corresponde. Por esta razão, muitos sermões pentecostais terminam com a congregação em volta do altar buscando a Deus.

Pregação pentecostal aponta Deus aos homens, e eles reagem à Palavra buscando sua face. Pentecostalismo, então, tem características distintivamente diferentes, mas solidamente baseadas na eterna Palavra de Deus.

Durante o século do reavivamento do Espírito Santo, o movimento pentecostal tem percorrido a Terra com o pleno Evangelho de Jesus Cristo. Até que Jesus volte outra vez, pentecostais continuarão anunciando a mensagem do  Evangelho pleno para multidões em todo o mundo, proclamando que “a promessa vos diz respeito a vós, a vossos filhos, e a todos os que estão longe; a todos quantos Deus nos chamar” (Atos 2.39).

Bibliografia

1) GEE, Donald., Spiritual Gifts in the Work of the Ministry Today (Springfield, Missouri: Gospel Publishing House, 1963), pg. 83.

2) HUGHES, Ray H., What is Pentecost? (Cleveland, Tennessee: Pathway Press, 1963), pg. 21.

3) GOSS, Ethel A. The Winds of God (New York: Comet Press, 1958), pg. 128.

por Ray H. Hughes

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