Conheça a trajetória que o levou das missas ao Evangelho do Senhor
“Depois de quase 30 anos de vida sacerdotal, eu acho que você caiu, bateu a cabeça e está louco!”. Foi essa reação que o irmão Dilomar Fabio Rossi, conhecido como irmão Fábio, ouviu de pessoas próximas ao anunciar sua decisão de deixar o sacerdócio. No entanto, sua resposta a eles revelou a convicção que marcou sua mudança de vida: “Queira Deus que eu tivesse batido a cabeça, pois teria descoberto o meu primeiro amor muito antes”.
Seu testemunho foi compartilhado pela primeira vez no
púlpito da Igreja Evangélica Assembleia de Deus de Joinville (IEADJO), em Santa
Catarina, durante o culto da família no dia 10 de maio. Na ocasião, o irmão
Fabio relatou sua trajetória de fé, a saída da Igreja Católica após quase três
décadas de ministério sacerdotal e a decisão de seguir a Cristo, culminando em seu
batismo nas águas.
Em abril de 2019, Fabio Rossi solicitou oficialmente seu
desligamento como sacerdote seguindo os trâmites estabelecidos pela Igreja Católica.
“Enviei meu pedido ao tribunal do Vaticano para obter a liberação do papa. Como
o Vaticano é um estado soberano, as normas que regem o mesmo pedem esse processo.
A não ser que o sacerdote opte por deixar o ministério sem seguir esse caminho.
Resolvi fazer tudo conforme determinavam as regras. Assim, fechei uma porta com
gratidão, mas sem compartilhar mais daqueles costumes e crenças”, explicou.
Segundo Fabio, o que o motivou escrever essa carta de
desligamento foi único: “O amor a Deus dentro de mim estava quase morrendo. O que
eu fazia não era por amor, mas por obrigação, inclusive celebrar a missa”,
contou.
Antes mesmo de ele ser liberado pela Igreja Católica, o
irmão Fabio procurou o líder da IEADJO, o pastor Sérgio Melfior, no gabinete, e
pediu orientação. “Durante sete anos, a única pessoa que sabia, guardou em
silêncio e orou muito por mim foi um ‘anjo’ chamado pastor Sérgio, o qual posso
considerar como meu pai espiritual. Enfim, foi uma história muito linda de fé,
amor, paciência e resiliência naquilo que Deus preparava”, comentou.
Porém, a resposta do pontífice nunca chegava. Os anos se
passaram e a autorização só foi concedida pelo Vaticano em 2023. “Eu não posso
falar mal de igreja alguma, não foi a placa [da igreja] que me trouxe para
dentro [da IEADJO], mas o amor dEle que me acolheu. Eu o ouvi falar comigo:
‘Vem fazer experiência de Deus aqui’”, lembrou Fabio.
Após ser liberado pela Igreja Católica, Fabio Rossi retornou
ao gabinete pastoral e explicou ao pastor Sérgio que, mesmo desligado da antiga
denominação, ele precisava de um tempo para ouvir Deus. “Eu quero entender esse
mistério dentro de mim. Porque muitas vezes, quando você está no barulho, você
não consegue escutar Deus. Você tem que se voltar, dobrar os joelhos, você tem
que se humilhar. É uma Metanoia nova. Você tem que pegar a Palavra de Deus de
novo, você tem que se voltar para ela, e não mais para as falácias humanas. Você
tem que voltar aqui para a Palavra de Deus e dizer: ‘Senhor, me faz de novo’”, testemunhou
irmão Fábio.
O ex-sacerdote católico declara que, após a conversa
pastoral, Deus o juntou de novo, como um vaso novo, conforme Ele queria. “Eu
precisei me deixar como barro, voltar à casa do Pai, à casa do Oleiro. Ele me
juntou, Ele pegou todos os meus cacos, juntou todo aquele meu pó humano e me
refez conforme Ele quis”.
Nesse mesmo período, irmão Fabio voltou a trabalhar. E como profissional
de Relações Públicas, ele passou a trabalhar dentro da UTI de um hospital em
Curitiba (PR). Isso aconteceu na época da Covid-19. “Eu tinha que cuidar de todos
que passavam, os que viviam e morriam. Sabe quantas pessoas morriam por dia?
Duzentas. E durante os quatro anos da pandemia, Deus me guardou e eu não
contraí a doença nenhuma vez”, relatou. Para complementar a renda mensal, Fabio
ainda trabalhava em uma plataforma global de e-commerce e marketplace que conecta
consumidores, durante 12 horas por dia e em pé, fazendo a separação das
mercadorias a serem encaminhadas para os clientes. Depois, ele voltou a morar em
Joinville, mesmo local onde trabalhara como padre por mais de 20 anos. “Tomei
essa decisão depois de orar muito e o Espírito Santo me revelar que eu deveria voltar
para o mesmo local e servi-lo na Assembleia de Deus”, lembra irmão Fábio.
No feriado de Páscoa em 5 de abril deste ano, o ex-padre confirmou
sua decisão em servir ao Senhor e foi batizado nas águas no tanque batismal da
Igreja Assembleia de Deus em Joinville. Irmão Fabio relembrou os desafios enfrentados
durante a transição e a convicção desenvolvida a partir de sua experiência com
o Evangelho, declarando que o seu propósito está definido: “Eu vim aqui porque quero
ser servo de Deus. Vocês são a minha nova família. Só peço que vocês sempre
orem por mim”, concluiu.
O pastor Sérgio Melfior destacou o período de acompanhamento
com o mais novo membro. “Foi um tempo maravilhoso. O discipulado dele com o
pastor Joary dura mais ou menos de três a quatro horas, e eu quero louvar a
Deus pela vida dele. Essa caminhada de sete anos valeu a pena. Hoje, o irmão
Fábio está aqui, crente, para a glória de Deus”, celebra o líder da AD em Joinville.
Compartilhe este artigo. Obrigado.

Postar um comentário
Seu comentário é muito importante