Em tempos trabalhosos na educação dos nossos filhos, quando as crianças estão sendo influenciadas e sufocadas pela tecnologia, uso excessivo das redes sociais e tendo pais cada vez mais indiferentes com o que acontece com seus filhos, precisamos esclarecer o papel de ser pai e como participar do processo de desenvolvimento da criança. Vamos partir aqui da infância, principalmente do primeiro ao sétimo ano de vida, que, segundo os neurocientistas, abre a chamada “janela de genialidade”, ou seja, é o momento de maior desenvolvimento do cérebro, quando acontecem trilhões de conexões entre os neurônios, as chamadas sinapses, sendo em torno de um milhão delas por segundo. Isso significa que, nesse período, tudo que a criança aprende forma memórias para a vida toda. É o que Salomão declarou: “Ensina a criança no caminho que deve andar e quando estiver velho não se desviará dele” (Pv 22.6).
É na infância que a criança cria vínculos, apegos, amor, disciplina
e segurança ao estar com os pais. O brincar é fundamental nestes vínculos,
levando a criança a crescer em todas as áreas. O médico Manuel Antonio Fernández
destaca que “o tempo de recreio compartilhado entre pais e filhos é o mais bem
aproveitado por ambos, tanto do ponto de vista emocional como do puramente neurológico
para os pequenos”, acrescentando: “Assim, quanto mais brincam, melhor é, porque
isso estimula todos os sentidos e capacidades do cérebro infantil, tanto as
áreas motoras como as sensoriais e cognitivas”.
Pais brincando com os
filhos fortalece os vínculos e o apego seguro, nutre segurança, melhora a
conexão, diminui o estresse e aumenta o amor entre pais e filhos. O brincar
desenvolve diversas habilidades. Vejamos elas a seguir.
Neuroplasticidade cerebral - As experiências e a
aprendizagem infantil com as brincadeiras na sala da aula secular, na Escola Dominical,
com os pais em casa e em outras formas de estudar e brincar levam à
plasticidade cerebral, que são as mudanças no cérebro e suas conexões quando aprendemos
ou experimentamos algo novo. O cérebro cresce quando aprendemos.
Imaginação e criatividade - Torre Blanca Vacas,
especialista em terapia comportamental na infância-adolescência no Centro de
Psicologia Aplicada, em Madrid, Espanha, afirma que o brincar “ajuda a
desenvolver a imaginação e a criatividade, podendo ultrapassar os limites
físicos, gerando uma sensação de liberdade nos menores”. E prossegue: “Além
disso, é um ponto importante no desfrute, na calma, facilitando a superação do estresse,
estimulado pelos diversos fatores que influem na rotina diária”. Segundo a
especialista, o ato de brincar está efetivamente envolvido nas habilidades e
destrezas motoras, cognitivas, sociais e emocionais, favorecendo as conexões
com o mundo e consigo mesmo. Isso favorece a criação e o estabelecimento de
normas e regras de funcionamento, a resolução de problemas, assim como o
vínculo com os outros. Os pais precisam valorizar esse lado dos seus filhos.
Libera neurotransmissores - O brincar gera muitas
mudanças em nível neuronal, favorecendo a liberação de várias substâncias que melhoram
o desenvolvimento físico, cognitivo e emocional da criança. “Entre essas
substâncias, podemos ver a influência da serotonina e das endorfinas, que
reduzem o estresse e a ansiedade e favorecem a regulação do estado de ânimo, potencializando
a calma, a alegria, a felicidade”. Dessa forma, os jogos que produzem maiores
benefícios são “os quebra-cabeças, os de procurar o par, os de associação de
ideias e os de construção, que favorecem a perspectiva e a lógica”, acrescenta.
“Os desenhos, o uso de areia mágica e massa de modelar, ou seja, as atividades
manuais, favorecem a motricidade e a imaginação. Ou podemos incentivar o jogo
simbólico, como brincar de mamãe e papai, de médico, de professor, o que ajuda
a se conectar com a realidade e a se colocar no lugar de outros, facilitando o
desenvolvimento e a potencialização da linguagem e das emoções.
Brincadeiras são formas de as crianças conhecerem, experimentarem
e entenderem o mundo. São estímulos que colocam o sistema nervoso para
funcionar, contribuindo para o desenvolvimento das habilidades motoras,
raciocínio lógico, linguagem, socialização, imaginação, emoções, autoestima e
autonomia da criança. Ao participar desse processo lúdico, os pais assumem a
função de moldadores desse desenvolvimento. Como já dito, o brincar contribui na
neuroplasticidade cerebral, em que tudo que se aprende e experimenta muda o
cérebro, criando memórias, novos comportamentos e aprendizados para a vida
toda.
Entender o mundo e a vida - Brincadeiras são formas
de as crianças conhecerem, experimentarem e entenderem o mundo. São estímulos
que colocam o sistema nervoso para funcionar, contribuindo para o
desenvolvimento das habilidades motoras, raciocínio lógico, linguagem, socialização,
imaginação, emoções, autoestima e autonomia da criança. Ao participar desse
processo lúdico, os pais assumem a função de moldadores desse desenvolvimento.
Levar a criança a Deus - Pais cristãos precisam
desenvolver habilidades para levar seus filhos a Deus com leveza e suavidade. A
Palavra de Deus, o louvor e a mensagem podem ser transmitidas de forma lúdica,
criativa e agradável, de forma que a criança aprenda sobre Deus e a salvação.
Pais, tirem seus filhos das redes sociais e dos filmes
mundanos e os levem a Cristo, reservando um tempo de qualidade para estar com
eles, exercitando o brincar e ensinando a Palavra de forma sábia, agradável,
lúdica e produtiva. Em tempos desafiadores para criar filhos, pais precisam
orar, amar, acolher e criar vínculos com eles. Que Deus nos ajude.
BIBLIOGRAFIA
GARCIA, Carolina. O que acontece no cérebro de uma criança
quando ela brinca com seus pais. 17.02.21, https://msebrasil.org/brasil.org/
por Israel Alves Ferreira
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