120 anos do Avivamento de Azusa

120 anos do Avivamento de Azusa


Em 2026, comemoramos os 120 anos do avivamento espiritual iniciado na Rua Azusa, na cidade de Los Angeles, estado da Califórnia, nos Estados Unidos da América. O chamado “Avivamento da Rua Azusa”, iniciado em 1906, redesenhou o pentecostalismo no mundo moderno. O Movimento Metodista ou Wesleyano, fundado por John Wesley no século 18, foi precursor do moderno Movimento Pentecostal, e o Movimento Holiness (da Santidade), surgido no século 19, se tornou uma plataforma para o edifício do pentecostalismo atual. Ainda na virada do século 19 para o século 20, o chamado “Moderno Movimento Pentecostal” alcançou notoriedade mundial pela instrumentalidade de Charles Parham.

Parham inaugurou a Escola Bíblica Betel, na cidade de Topeka, Kansas, em 1901, com cerca de 40 alunos que, ao serem convidados para estudar o Livro de Atos, entenderam que deveriam buscar o batismo no Espírito Santo com evidência de línguas. Mas, o que realmente marcaria a história do pentecostalismo moderno aconteceria cinco anos depois, em 1906, na Rua Azusa, onde um servo de Deus reuniria crentes em um galpão para orar e buscar o Senhor. Naquele endereço, uma multidão seria marcada pelo avivamento espiritual. Era o local para o início do Movimento Pentecostal na Era Moderna. O nome desse líder era William Joseph Seymour. William J. Seymour nasceu em Certerville, Lousiana (EUA), no dia 2 de maio de 1870, filho do casal Simon e Phyllis, que tinham escapado da escravidão. William nasceu em um mundo de horrível violência racial. Com 25 anos de idade, ele saiu de Lousiana e foi morar em Indianápolis para buscar emprego. Foi ali que Seymour passou a frequentar a Simpsom Chapel Methodist Episcopal Church. De lá se mudou para Ohio, onde conheceu a Church of God Reformation Movement. Um dia, ele saiu de Ohio e foi para o Texas, ao ficar sabendo que o evangelista Charles F. Parham faria uma cruzada evangelística na cidade. Era 1905. Em Houston, Seymour conheceu Lucy Farrow, que pediu a ele que liderasse por dois meses uma pequena igreja que ela pastoreava, período em que ela seguiria com Parham para suas cruzadas ao redor do país.

Quando Farrow retornou, falou para Seymour sobre a doutrina do batismo com Espírito Santo, que Parham ensinava. Ele ficou muito interessado no tema e, por insistência da amiga, se inscreveu em uma escola aberta por Parham em Houston, muito parecida com aquela que ele tinha inaugurado em Topeka, Kansas. No entanto, por ser negro, não podia ficar dentro da sala e conseguiu um lugar no corredor para acompanhar as aulas. Já em 1906 e tendo concluído seus estudos, Seymour desejou muito começar uma igreja e pregar a nova doutrina. Foi então que conheceu Miss Neely Terry. Ela morava na Califórnia e o convidou para ir para lá a fim de liderar a Nazareh Church naquela cidade. Em Los Angeles, Califórnia, foi onde Seymour marcaria a história do Movimento Pentecostal moderno, primeiro realizando reuniões na Rua Bonnie Brae, 214. O próprio Seymour afirmou que este foi o local onde o Pentecostes se iniciou. E quando não cabiam mais as pessoas no endereço, ele alugou um galpão na Rua Azusa, 312. Foi nesse local que o movimento se tornou conhecido mundialmente.

A pregação de Seymour era que a linha do sangue de Jesus superou a linha da cor. Na Rua Azusa, “negros, brancos e hispânicos cultuavam juntos. Homens e mulheres compartilhavam responsabilidades na liderança. As barreiras entre o clero e os leigos desapareceram”. O pesquisador Cecil M. Robeck Jr. lembra que “Seymour cercou-se de uma equipe interracial capaz, formada por homens e mulheres, muitos dos quais se voluntariaram para trabalhar”. Era também um contexto de segregação nos Estados Unidos. Fora de Azusa, os reflexos da discriminação racial podiam ser vistos, com os brancos não permitindo que os negros participassem das programações e se incomodando, separando lugares específicos para os negros e impondo-lhes limitações quanto à participação nas atividades eclesiásticas. Por isso mesmo, os negros redesenharam os sistemas de cultos, mais voltados à liberdade dos louvores, com mais fervor nas pregações e o surgimento de novos movimentos voltados para as pessoas de pele escura, como é o caso das chamadas Black Churches nos Estados Unidos. Se do lado de fora de Azusa os homens negros sequer podiam olhar para uma mulher branca, pois poderiam ser linchados na rua ou até serem presos, dentro do galpão do avivamento as mulheres brancas dobravam os seus joelhos e pediam que mãos negras fossem postas sobre suas cabeças para que elas recebessem o poder do Espírito Santo.

Se no primeiro dia de janeiro de 1901, na Escola Bíblica Betel, liderada pelo pastor Parham, a jovem Agnes Ozman foi batizada com o Espírito Santo, tornando-se a primeira pentecostal do século 20, foi por meio das pregações de William Joseph Seymour, em 1906, que o pentecostalismo fixou suas raízes. Afinal, “a Rua Azusa, em Los Angeles, Califórnia, é geralmente entendido como sendo o ponto do qual o avivamento pentecostal se espalhou rapidamente. [...] Milhares de pessoas receberam o batismo com Espírito Santo”. O avivamento que aconteceu nos Estados Unidos, no início do século 20, resultou em um crescimento vertiginoso do pentecostalismo em todo o mundo. Líderes que foram influenciados pelo avivamento levaram a mensagem pentecostal para os mais variados lugares do planeta. Alguns exemplos são Thomas Ball Barratt, norueguês, que “se tornou conhecido como o apóstolo pentecostal para a Europa setentrional e ocidente”; os italianos Luigi Francescon e Giacomo Lombardi, que espalharam a mensagem no Brasil, Argentina e Itália; John Graham, precursor do pentecostalismo em solo africano; e Mary Rumsey, que recebeu o batismo com Espírito Santo na Rua Azusa e levou a doutrina pentecostal para a Coréia. Além desses nomes, temos os suecos Daniel Berg e Gunnar Vingren, que empreenderam um trabalho missionário no Brasil e fundaram as Assembleias de Deus em nossa nação.

Os fundadores das Assembleias de Deus do Brasil, os suecos Daniel Berg e Gunnar Vingren, tiveram contato direto com o pastor William Durham, em Chicago, que esteve na Rua Azusa e levou o ensino do batismo com Espírito Santo para a região onde os suecos congregavam, e foi de lá que receberam a chamada divina para vir ao Brasil. O nome do movimento de Azusa, chamado de “Missão da Fé Apostólica”, também foi utilizado no Brasil pelos fundadores, nos primeiros anos do trabalho aqui.

Como diz Menzies, em Azusa temos a chave catalisadora para o atual Movimento Pentecostal. O avivamento foi marcado por gritos, clamores e choro em voz alta. O caso tornou-se manchete no jornal Los Angeles Times, quando editores afirmaram em tom de sarcasmo que o local se tornou uma “esquisita babel de línguas”, e uma “nova seita de fanáticos à toa”. Mas, o que estava acontecendo era a manifestação do poder do Espírito Santo entre os crentes. Um típico culto realizado no galpão da Azusa, 312, em Los Angeles, é descrito assim por Stanley Horton: “Pessoas de todas as classes, de todas as etnias, ricos e pobres, educados ou não, continuaram a participar dos cultos, todos humildemente buscando ao Senhor. Três vezes por dia, e o fervor continuou ao longo de três anos. A cada novo dia, um total de cerca de 1,3 mil pessoas participavam dos cultos. Muitos ficavam do lado de fora do galpão em pé, olhando pela janela, famintos por Deus. No amanhecer do dia seguinte, frequentemente encontrava-se uma multidão ainda nas dependências da missão, orando por aqueles que ainda não haviam recebido o batismo no Espírito Santo. [...] Irmão Seymour vinha e ficava de joelhos sob duas caixas de madeira usadas como púlpito. Assim que ele orava, a glória caía” (Horton, 2006, pp. 31 e 32). Os cultos da Rua Azusa tornaram-se modelos para a liturgia de reuniões pentecostais durante toda a história do movimento nos séculos 20 e 21. A cidade que se tornou palco mundial de atrações que recebiam e ainda recebem pessoas do mundo todo também se tornou o palco do maior avivamento espiritual da Era Moderna. Se em Los Angeles é possível visualizar Hollywood, a mais famosa indústria cinematográfica do mundo, e a Disneyland, o parque de diversões mais famoso da Terra, em Los Angeles também é possível conhecer uma rua pequena que, em 1906, foi o palco do avivamento espiritual de maior notoriedade na Era Moderna. Louvemos a Jesus por 120 anos do Avivamento da Rua Azusa, e mantenhamos as bases colocadas por nossos pais da fé, que pregavam: “Jesus Cristo salva, cura, batiza com Espírito Santo e em breve voltará para buscar a Sua Igreja!”. E oremos: “Converte-nos, Senhor, a ti, e nós nos converteremos; renova os nossos dias como dantes” (Lm 5.21).

Referências Bibliográficas

ALVES, Eduardo Leandro. A mensagem pentecostal na alma do brasileiro: compreensões sobre o início do pentecostalismo no Brasil. Azusa: Revista de Estudos Pentecostais. Joinville: V. 8, n. 1, p. 22,23.

HORTON, Stanley M. Um dia em Azusa. Revista Manual do Obreiro, ano 28, nº 34, 2º trimestre de 2006. Rio de Janeiro: CPAD.

MENZIES, William. HORTON, Stanley. Doutrinas Bíblicas – Uma perspectiva Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1995.

MENZIES, William. As raízes. Revista Manual do Obreiro, ano 28, nº 33, 1º trimestre de 2006. Rio de Janeiro: CPAD.

ROBECK JR. Seymour, William Joseph. In: The New International Dictionary of Pentecostal and Charismatic Movements. EUA: Zondervan, 2002, p. 1053-1058.

SYNAN, Vinson. O século do Espírito Santo – 100 anos do avivamento pentecostal e carismático. São Paulo: Editora Vida, 2009.

por Jonas José

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