Jesus deu poder aos discípulos de curar cegueira e também cegar?

Jesus deu poder aos discípulos de curar cegueira e também cegar?


Por que, em Atos 13.9-11, Paulo ora e Elimas fica cego, mesmo que por um tempo provisório? O mesmo poder que Jesus deu aos Seus discípulos de dar vista aos cegos também foi de cegar aqueles que veem?

Na Palavra de Deus, encontramos diversos episódios de cura, porém o mesmo Deus que cura carrega em sua mão “a balança do seu juízo”. O relato ocorrido em Pafos é intrigante. Elimas, o mágico, “opunha-se-lhes” (Atos 13.8), mas Paulo, cheio do Espírito Santo, pronuncia sobre ele uma sentença: cegueira temporária, conforme registrado em Atos 13.10,11. Vale lembrar aqui que o termo grego para “algum tempo” (v.11) é χρι καιρο, mostrando que seria um tempo específico. A cegueira dele teria um fim breve, o que revela que Deus é misericordioso! A cegueira era disciplinar, não definitiva, deixando oportuno o arrependimento.

Paulo, certamente, lembrou-se da sua impactante experiência de conversão, onde também teve a experiência da cegueira temporária (Atos 9.8,9). Ao cegar Elimas, Paulo não exercia vingança, mas estava usando o mesmo instrumento que havia dado certo com ele. Também Jesus, quando enviou os Doze (Mateus 10) e os Setenta (Lucas 10), conferiu0lhes uma autoridade que não era apenas restauradora, mas também judicial. O próprio Senhor havia advertido: “Se alguém não vos receber [...] em verdade vos digo que no dia do juízo será mais tolerável a sorte de Sodoma e Gomorra do que a daquela cidade” (Mateus 10.14,15). A autoridade apostólica, portanto, carregava em si tanto a bênção quanto a maldição, uma amostragem fiel da própria estrutura da aliança no Sinai (Deuteronômio 28).

A Escritura é farta em registrar casos onde Deus responde à zombaria do Seu poder com juízo corporal. Vemos um exemplo no caso de Miriam (Números 12.1-15), que criticou a autoridade de Moisés e ficou leprosa. Embora por pouco tempo, também foi uma maneira divina de tratar a rebeldia contra a liderança de Moisés.

Outros exemplos são os rapazinhos de Betel (2 Reis 2.23,24), que Zombaram de Eliseu, dizendo: “Sobe, calvo!” (עָָלָָה קֵֵרֵֵחַַ - “Aleh qareakh”). Duas ursas saíram do bosque e feriram quarenta e dois deles. O texto é impactante, pois diz que Eliseu “os amaldiçoou em nome do Senhor” ( קֵָלַָלָ שֵֵׁם יְְהוָָה- “qalal shem YHWH”). Ou seja, o mesmo Eliseu que realizou milagres extraordinários pelo poder de Deus agora verbaliza palavra de juízo para aquela zombaria. De igual modo ocorreu com Uzá (2 Samuel 6.6,7). Ele tocou na Arca da Aliança com intenção aparentemente protetora, mas em desobediência às recomendações divinas no tocante à condução da Arca, logo morreu ali mesmo. O juízo não esperou explicação.

Também Ananias e Safira (Atos 5.1-11), que mentiram ao Espírito Santo diante da comunidade apostólica, caíram mortos. O juízo de Deus agiu, mesmo num cenário de curas e milagres realizados pelos apóstolos. Outro caso foi o de Herodes Agripa (Atos 12.21-23). Ele aceitou as aclamações do povo, que o chamava de “deus” e, “comido de vermes, expirou”. O juízo foi imediato e grotesco, proporcional à blasfêmia. Ainda temos Geazi (2 Reis 5.20-27). O moço de Eliseu focou no lucro pessoal, usurpando à Naamã. O profeta então pronunciou sobre ele a lepra de Naamã para sempre. O juízo foi hereditário.

Concluímos, portanto, que o poder dado aos homens de Deus de realizar curas e milagres não anula a “balança” julgadora de Deus, que trata situações de zombaria e blasfêmia concernentes à Sua Pessoa e Obra, muito embora seja Deus riquíssimo em misericórdia.

por Diogo Roos

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