Texto antigo fala da existência de homens de grande estatura e ferocidade
Recentemente, a existência de gigantes na Antiguidade, os quais
são mencionados na Bíblia, voltou ao centro do debate devido a um papiro
egípcio preservado, conhecido como papiro Anastasi I (foto), com cerca de 3.300
anos, que integra o acervo do Museu Britânico desde 1839. O texto reacendeu
discussões após ser citado no site da Associates for Biblical Research, onde
passou a ser apresentado como um elemento de corroboração extrabíblica para algumas
das passagens do Antigo Testamento que mencionam gigantes.
O documento descreve encontros com o povo Shosu, que teria
“quatro ou cinco côvados” de altura, o que poderia chegar a quase 2,5 metros.
Considerando que um côvado egípcio media cerca de 50 centímetros, essa
descrição sugere indivíduos significativamente mais altos do que a média das
populações da época. O papiro assume a forma de uma carta escrita em um contexto
de guerra, na qual são detalhados o terreno hostil e os desafios militares
enfrentados. Nele, o escriba Hori alerta para os perigos de uma estreita passagem
de montanha, afirmando: “o desfiladeiro estreito está infestado de Shosu
escondidos sob os arbustos”. Essa passagem é frequentemente destacada como a
principal evidência de que os Shosu seriam descritos como figuras intimidadoras
por causa do tamanho e da ferocidade.
A Associação para Pesquisa Bíblica enfatizou esse trecho como
indício de que os Shosu, possivelmente identificados como cananeus, eram de
tamanho excepcional. Para esse grupo, o caráter supostamente instrutivo do
texto reforçaria a ideia de que as medidas descritas não seriam meramente
exageros literários. Já críticos agora argumentam que o papiro Anastasi I
seria, na verdade, uma carta satírica. O debate em torno do documento ganha
força porque dialoga com diversas passagens bíblicas que mencionam povos de
grande estatura naquela região. Além do conhecido episódio de Davi e Golias, a
Bíblia descreve raças ou tribos inteiras de pessoas gigantes. Até mesmo antes
do Dilúvio eles são mencionados.
Em Gênesis 6.4, lê-se: “Havia, naqueles dias, gigantes na terra;
e também depois, quando os filhos de Deus entraram às filhas dos homens e delas
geraram filhos; estes eram os valentes que houve na antiguidade, os varões de
fama”. De acordo com a Bíblia, mesmo após o Dilúvio, surgiram outros gigantes,
como pode ser visto no relato aparece em Números 13.33, quando os israelitas
descrevem o encontro com pessoas de tamanho extraordinário durante sua jornada:
“Também vimos ali gigantes, filhos de Anaque, descendentes dos gigantes; e
éramos aos nossos olhos como gafanhotos e assim também éramos aos seus olhos”. Para
os defensores da literalidade das afirmações do papiro Anastasi I, ele
forneceria um paralelo extrabíblico que reforçaria essas narrativas. O Museu
Britânico descreve o papiro Anastasi I como um documento histórico que ilustra
a vida militar e o conhecimento geográfico do Egito antigo. Até o momento, as
evidências disponíveis limitam-se a inscrições e referências textuais, sem
provas físicas por enquanto.
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