Dezenas foram sequestrados no Iêmen e 25 assassinados no Congo
Mais de 90 pessoas foram sequestradas no Iêmen, desde o início de 2026, dentre esses, cerca de 50 são denominados cristãos. As vítimas são detidas nas ruas ou retiradas de suas casas e levadas a locais secretos, onde são mantidas por semanas, para serem interrogadas e investigadas. Segundo parceiros da organização Portas Abertas, experiências de sequestros anteriores indicam que os capturados são submetidos a interrogatórios rigorosos, possivelmente com tortura, forçados a renegarem sua fé ou fornecer informações sobre outros cristãos. Enquanto isso, os familiares não recebem nenhuma informação, e nem advogados têm autorização para intervir.
A motivação para esses crimes é estritamente religiosa, atribuída
principalmente aos rebeldes houthis, grupo muçulmano armado, ligado ao Irã. No
Iêmen, ser descoberto como cristão pode ser fatal. A legislação do país prevê
pena de morte por apostasia, definida como pronunciar palavras ou realizar atos
contrários às regras e princípios do Islã de forma intencional ou insistente.
Em entrevista ao Premier Christian News, Daniel Hodge, especialista
em Iêmen do Portas Abertas, reverberou que a perseguição é amparada pelo livro sagrado
islâmico: “No Alcorão, está escrito que qualquer pessoa que vire as costas para
seu deus é considerada apóstata e pode ser punida com a morte. Então, pode ser
uma convicção religiosa”, disse Hodge. “Eles podem querer ‘limpar’ a terra de qualquer
um que não compactue com sua ideologia”, acrescentou.
Além disso, campanhas midiáticas apoiadas por extremistas, além
de ameaças contra cristãos nas redes sócias e em panfletos impressos, aumentam
o discurso anticristão e a insegurança para os seguidores de Jesus no país. Simultaneamente,
todos os iemenitas sofrem uma grande crise humanitária, deixando a igreja local
ainda mais vulnerável, uma vez que as ajudas emergenciais costumam ser
distribuídas por mesquitas, que priorizam muçulmanos devotos.
Todo este cenário tem forçado dezenas de grupos cristãos informais
a suspenderem suas reuniões e a considerarem deixar o Iêmen, mas outros tantos
querem permanecer para servir, mesmo que em perigo. Isso aponta para um animador
e consistente crescimento na quantidade de devotos e na maturidade da fé cristã
no país árabe. Multiplicam-se histórias pessoais de vidas alcançadas por meio
do aprofundamento de familiares e amigos na fé em Cristo.
“Deus está abrindo portas, muitas pessoas estão interessadas
e querem aprender mais sobre Jesus. Quando me encontro com elas, tento fazer isso
em locais públicos para evitar quaisquer problemas de segurança”, relatou à
Agência Portas Abertas um Iemenita anônimo, que conheceu Jesus por meio de
vídeos do YouTube.
“Mesmo quando somos pegos, oramos para que o trabalho, o ministério,
continue. Peçam a Deus que levante outros que continuarão compartilhando a luz
com o povo iemenita. Aqueles que vivem na escuridão merecem conhecer Jesus”,
exclamou Majed, um dos líderes da igreja local, em seu último contato com
parceiros da Agência Portas Abertas antes de ser sequestrado.
Apesar de ocupar a terceira posição na Lista Mundial da Perseguição
a cristãos, as recentes prisões e esforços repressivos indicam que,
paradoxalmente, o Iêmen abriga uma igreja nativa crescente. Os impulsos de
rebeldes e autoridades em reprimir e perseguir os adeptos do Cristianismo
denotam que o movimento cresceu ao ponto de preocupar os radicais e levá-los a
reagir.
Ao passo que o país do Oriente Médio padece com a guerra, a fome
e o colapso político, Jesus edifica e guarda a Sua Igreja. Os crentes detidos
não representam uma fé em declínio, mas o testemunho de uma fé viva e em
crescimento. Mesmo que nas trevas da opressão, a luz do evangelho insiste em
brilhar no Iêmen.
Ataque a cristãos no Congo
Uma ofensiva brutal atribuída a combatentes das Forças Democráticas
Aliadas (ADF) causou a morte de 25 moradores de uma comunidade cristã em Irumu,
na República Democrática do Congo (RDC). O ataque, ocorrido na madrugada do dia
25 de janeiro, é mais um episódio violento que atinge habitantes do país
africano.
Segundo relatos, os terroristas invadiram a aldeia de forma
coordenada enquanto a maioria das famílias dormia. Homens armados entraram de casa
em casa, executando civis e incendiando residências. “Eles iam de porta em
porta, executando civis sem piedade e incendiando casas”, relatou um agricultor
ao International Christian Concern (ICC). O ativista social local, Christophe
Munyanderu, detalhou o ocorrido dizendo que 18 vítimas foram trancadas e
executadas dentro de uma casa, e outras sete foram alvejadas na estrada enquanto
tentavam fugir. No entanto, o desaparecimento de outros moradores indica que a quantidade
real de mortos possa ser maior do que o confirmado inicialmente.
O ICC também ouviu relatos de uma sobrevivente, mãe de quatro
filhos, que conseguiu escapar se escondendo numa plantação próxima à aldeia: “Ouvimos
batidas na porta e depois gritos”, disse ela. “Disseram-nos para abrir (a
porta) ou iriam queimar a casa. Tapeia boca dos meus filhos para que não
chorassem. Quando os tiros começaram, pensei que meu coração fosse parar.
Quando amanheceu, encontrei os corpos dos meus vizinhos espalhados por toda
parte. Nossa aldeia acabou”, completou a moradora em lágrimas.
O caso repercutiu na República Democrática do Congo e gerou revolta
em líderes religiosos locais, que repudiaram e condenaram o ataque,
descrevendo-o como uma mancha na consciência da nação e um crime contra a humanidade.
“Cristãos estão morrendo enquanto dormem, em suas casas, onde deveriam se
sentir seguros”, exclamou um padre durante uma reunião de oração. “Este sangue clama
a Deus. Até quando os inocentes sofrerão enquanto o mundo assiste em
silêncio?”, completou.
O pastor de uma igreja vizinha também comentou o ataque e clamou
por ações de proteção aos civis: “Eram agricultores, mães, crianças, pessoas
sem armas, sem proteção”, disse ele. “Hoje os enterramos com o coração partido.
Se não houver uma ação urgente para proteger os civis, amanhã será outra
aldeia, outra igreja, outra sepultura”, disse o pastor. O medo e o trauma excedem
aos sobreviventes do ataque e alcançam aldeias próximas, que temem a violência crescente
no país.
Responsáveis por este e outros ataques recentes no leste da
RDC, as Forças Democráticas Aliadas (ADF) são extremistas religiosos ligados ao
Estado Islâmico, que massacram comunidades cristãs, sequestram moradores e
destroem igrejas de forma deliberada e pouco combatida pelas autoridades
locais, visando erradicar o Cristianismo da região.
Os cristãos estão sujeitos à rejeição social, exclusão do convívio
comunitário e pressão para renegar sua fé. Lideres protestantes e católicos que
se posicionam contra a corrupção estatal costumam sofrer assédio, ameaças,
monitoramento ou até mesmo difamação pública, além da suspensão de atividades
da igreja. Atualmente, a República Democrática do Congo ocupa a 29ª posição na
Lista Mundial da Perseguição (LMP) 2026, de acordo com a Missão Portas Abertas,
que monitora a perseguição e violência contra cristãos no mundo.
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