A história de Israel está ligada ao contexto escatológico. Deus escolheu esse povo com um tríplice propósito, a saber: mostrar ao mundo o Seu poder e a Sua glória, e que somente Ele é Deus (Romanos 9.17). O segundo propósito foi dar ao mundo os Seus oráculos, e o terceiro foi dar o Salvador do mundo (João 4.22). Dado que Israel e o povo de Deus ocupam um espaço relevante no texto bíblico, é essencial ao cristão entender como a história se desenvolve e sua relação com a Igreja.
O termo “antissemitismo”, do grego anti, “contra”, e Sem, o
nome de um dos filhos de Noé, foi cunhado pelo agitador e jornalista alemão
Wilhelm Marr, em 1879, para designar a campanha antijudaica em curso na Europa.
Não demorou para o uso do termo se generalizar, denotando todas as formas de
hostilidade manifestadas contra os judeus ao longo da história: antissemitismo econômico,
social e étnico.
Embora o termo seja do século 19, essa hostilidade aos
judeus é antiga. A Enciclopédia Judaica aponta Antíoco Epifânio (175-164
a.C.) como o primeiro antissemita. Mas Israel foi marcado pelo ferro e pelo
fogo desde o seu nascimento. Primeiro, no Egito, quando o faraó escravizou os
hebreus e determinou que todas as crianças do sexo masculino fossem mortas (Êxodo
1.15-22). A segunda tentativa de extermínio dos judeus ocorreu na Pérsia, como
lemos no livro de Ester sobre o plano de Hamã (486-465 a.C.), um alto funcionário
de Xerxes I (Assuero), rei da Pérsia (Ester 3.8,9). Mais uma vez, pela
intervenção divina, por meio da rainha Ester e de seu tio Mardoqueu, o povo foi
salvo (Ester 3.13; 8.16,17). É evidente que essas hostilidades eram tentativas diabólicas
de impedir a vinda do Messias. Isso teria acontecido se os judeus tivessem sido
destruídos.
Ao longo da história, muitos usaram os evangelhos para fundamentar
sua doutrina antissemita: “Que o sangue dele caia sobre nós e sobre os nossos filhos!”
(Mateus 27.25); e: “Vocês são do diabo, que é o pai de vocês” (João 8.44). Mas
essa interpretação dos antissemitas é equivocada. As palavras que Mateus
registrou não se referem a todo o povo de Israel, mas àqueles que estavam exigindo
de Pilatos a morte de Jesus. Ainda que fossem dirigidas a toda a nação — o que
não é o caso — significariam castigo, e não proscrição para sempre. Exemplo
disso é visto nos discursos de ameaças e repreensões dos profetas do Antigo
Testamento, que sempre vêm acompanhados de perdão e reconciliação. Além disso,
Jesus já os perdoou do alto da cruz: “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que
fazem” (Lucas 23.34). E, no que diz respeito às palavras duras de Jesus (João 8.44),
elas foram dirigidas aos Seus oponentes, e não a toda a nação de Israel.
O apóstolo Paulo, que teve problemas com os judeus dos seus
dias, escreveu: “Será que Deus rejeitou o seu povo? De modo nenhum! Porque eu
também sou israelita, da descendência de Abraão, da tribo de Benjamim. Deus não
rejeitou o seu povo, a quem de antemão conheceu” (Romanos 11.1,2). O Novo
Testamento não nos arma sequer com uma sílaba a favor do antissemitismo. O
pronunciamento bíblico em relação aos antissemitas é de maldição, e de bênçãos
para os que amarem os judeus e o povo de Israel (Gênesis 12.1-3); essa promessa
feita a Abraão é extensiva a Isaque (Gênesis 26.4) e a Jacó (Gênesis 28.13,14).
O termo “sionismo” vem de “Sião”, o nome de uma colina fortaleza
dos jebuseus, chamada “a fortaleza de Sião, isto é, a cidade de Davi” (2 Samuel
5.7). Sião se refere, muitas vezes, na Bíblia, a Jerusalém e a todo o Israel (Salmo
74.2; 126.1). Há nesse nome implicações escatológicas (Isaías 2.4) e teológicas
importantes; ele aparece também como sinônimo do lar celestial preparado para
os salvos (Hebreus 12.22-24).
O sionismo espiritual é o desejo dos judeus de retornarem à terra
dos seus antepassados, já manifestado na Primeira Diáspora (Salmo 137.5,6), e
é, ao mesmo tempo, símbolo do lar dos crentes em Jesus no Céu. Durante a Segunda
Diáspora, o sionismo aparece na literatura judaica como demonstração da
esperança do retorno a Sião, isso na poesia e na música. Esse retorno é uma promessa
de Deus anunciada na Bíblia desde Moisés e os profetas. O mesmo Deus que
advertiu o povo, ainda nos dias de Moisés, sobre a diáspora em caso de desobediência
aos mandamentos do Senhor (Levítico 26.33), prometeu também trazer de volta o
povo (Jeremias 31.17; Ezequiel 11.17).
Sionismo é também o nome do movimento nacional judaico pelo estabelecimento
de um lar nacional e independente em Eretz Israel. No final do século 19, os
movimentos nacionalistas da Europa, que contribuíram para a unificação da
Alemanha, por Bismarck, e da Itália, por Cavour, despertaram os judeus para a
construção de sua pátria. O Caso Dreyfus, na França (1894), acendeu a luz
amarela sobre as ameaças contra os judeus na Europa. O jornalista Theodor Herzl,
correspondente do jornal vienense Neue Freie Presse, acompanhou o caso e chegou
à triste conclusão de que não havia mais espaço para os judeus na Europa. Ou
reconstruiriam sua nação, ou desapareceriam da terra. Ele fundou o Movimento Sionista
Mundial, em 1897, em Basileia, na Suíça.
Em 1917, o ministro das Relações Exteriores britânico, Lord Arthur
James Balfour, assinou a Declaração Balfour. Segundo o documento, “o Governo de
Sua Majestade encara favoravelmente o estabelecimento de um lar nacional para o
povo judeu na Palestina e usará seus melhores esforços para facilitar a realização
desse objetivo”. Árabes e judeus viviam ali. Nessa época, os árabes viam com
simpatia a Organização Sionista Mundial. Com a fragmentação do Império
Turco-Otomano, aos árabes foi prometido um Estado, que, ao final, se dividiu em
17, e aos judeus, um.
Os turcos otomanos ocuparam a região desde 1500 até o fim da
Primeira Guerra Mundial (1918). Eles cobravam impostos da população da região
por árvores plantadas, o que explica o abandono da terra; era cumprimento de
Ezequiel 33.28. Foi nesse contexto que as autoridades judaicas compraram
propriedades na região, e os judeus reconstruíram o seu país, em cumprimento
das promessas de Deus (Amós 9.13-15).
O renascimento do moderno Estado de Israel, em 27 de novembro
de 1947, na primeira Assembleia Geral das Nações Unidas, pôs fim à Segunda Diáspora,
iniciada no ano 70 d.C., por ocasião da destruição de Jerusalém pelos romanos.
A publicação do primeiro Diário Oficial do país, em 14 de maio de 1948,
anunciou Ben-Gurion como primeiro-ministro. Desde então, Israel tornou-se uma nação
soberana, e isso é promessa de Deus nos profetas e pelo Senhor Jesus (Zacarias
8.7,8; Lucas 21.24).
A onda de antissemitismo e antissionismo continua crescendo.
Uma linha de pensamento chega a defender que o antissionismo é uma face moderna
do antissemitismo, pois nega o direito de existência de Israel como Estado
soberano. Por detrás do discurso da causa palestina, a ênfase está mais na
extinção do Estado de Israel do que na criação de um Estado árabe. Numa visita
à cidade de Hebrom, em Israel, vi muitos camelôs oferecendo aos turistas
souvenirs; um deles vendia chaveiros com o mapa de Israel, mas com o nome
“Palestine” em seu lugar. Isso revela o imaginário em que Israel não existe.
Israel está no contexto histórico-escatológico do programa divino;
por isso, a Bíblia garante que esse povo jamais desaparecerá da terra. Sua
história abrange desde os tempos bíblicos, passa pela dispensação da Igreja e segue
até o epílogo da história. Por isso, a Igreja não substitui Israel, e as
profecias sobre Israel como povo de Deus ainda se cumprem. Oremos pela paz de
Jerusalém (Salmo 122.6).
por Esequias Soares
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