Conselho de Paz conta com EUA, Israel, Egito e países árabes; dias antes do acordo, porém, algumas nações haviam mostrado desprezo por Israel
Em 8 de outubro, foi assinado um acordo histórico entre Israel e Hamas, mediado pelo governo dos Estados Unidos e com apoio dos países árabes e o Egito, que encerrava, após exatos dois anos, o maior conflito entre as forças israelenses e um grupo terrorista palestino. Em dois anos, foram 1.665 mortos pelo lado israelense, sendo 1.219 somente no dia 7 de outubro de 2023; e 67 mil palestinos mortos (dados dos próprios palestinos), sendo 17% deles – cerca de 11,4 mil – soldados do Hamas. Israel, porém, fala de 20 mil soldados do Hamas mortos durante o conflito – isto é, dois terços de todo o exército terrorista, já que, antes do conflito, o grupo tinha, conforme dados da inteligência de Israel, cerca de 30 mil soldados. Além disso, durante esse período de guerra, Israel eliminou milhares de soldados do grupo terrorista Hezbollah e conseguiu, com a participação decisiva do exército norte-americano, destruir o projeto nuclear iraniano em junho.
Os detalhes do acordo e sua execução até agora
O cessar-fogo entrou em vigor em 10 de outubro. Pelo acordo
de paz, o Hamas libertou todos os reféns restantes em Gaza. Havia 48 ainda não
entregues, dos quais 20 vivos e 28 mortos. Todos os vivos foram devolvidos,
enquanto os mortos, até o fechamento desta edição, ainda estavam sendo
entregues, já que o estado e a localização deles, segundo o Hamas, dificultava
uma entrega imediata. Até o fechamento desta edição, 10 dos 28 corpos já haviam
sido entregues e identificados pelo governo de Israel como sendo mesmo de
reféns.
Em troca, Israel libertou 2 mil combatentes do Hamas,
incluindo 303 que estavam cumprindo penas perpétuas; e Israel também retirou
seus soldados para linhas pré-designadas dentro da Faixa de Gaza – antes, as
Forças de Defesa de Israel (FDI) estavam ocupando mais de 70% do território;
agora, estão ocupando apenas 50%. Na área sem a presença das FDI, a notícia era
que o Hamas e clãs palestinos lutavam entre si pelo poder, tendo enviado
dezenas de mortos nesse conflito interno.
A libertação dos 20 reféns vivos ocorreu poucas horas antes
da Cúpula sobre Gaza, que aconteceu na cidade egípcia de Sharm el-Sheikh, com a
presença do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Os 20 reféns
libertados foram: Matan Angrest (22 anos), Gali Berman (28 anos), Ziv Berman
(28 anos), Elkana Bohbot (36 anos), Rom Braslavski (21 anos), Nimrod Cohen (21
anos), David Cunio (35 anos), Ariel Cunio (28 anos), Evyatar David (24 anos),
Guy Gilboa Dalal (24 anos), Maxim Herkin (37 anos), Eitan Horn (39 anos), Segev
Kalfon (27 anos), Bar Kuperstein (23 anos), Omri Miran (48 anos), Eitan Mor (25
anos), Yosef Haim Ohana (25 anos), Alon Ohel (24 anos), Avinatan Or (32 anos) e
Matan Zangauker (25 anos). Os 28 reféns mortos nas mãos do Hamas são Tamir
Nimrodi (20 anos), Bipin Joshi (24 anos), Tamir Adar (38 anos), Sonthaya
Akrasri (30 anos), Muhammad al-Atarash (39 anos), Sahar Baruch (24 anos), Uriel
Baruch (35 anos), Inbar Hayman (27 anos), Itay Chen (19 anos), Amiram Cooper
(85 anos), Oz Daniel (19 anos), Ronen Engel (54 anos), Meny Godard (73 anos), Ran
Gvili (24 anos), Tal Haimi (41 anos), Asaf Hamami (41 anos), Guy Illouz (26
anos), Eitan Levi (53 anos), Eliyahu Margalit (75 anos), Joshua Mollel (21
anos), Omer Neutra (21 anos), Daniel Peretz (22 anos), Dror Or (48 anos), Suthisak
Rintalak (43 anos), Lior Rudaeff (61 anos), Yossi Sharabi (53 anos), Arie
Zalmanowicz (85 anos) e Hadar Goldin (23 anos).
Durante a execução do acordo de paz, o Hamas chegou a violar
os termos do cessar-fogo, não só parando a entrega de corpos dos reféns mortos,
mas também atacando tropas israelenses, o que resultou em bombardeios e ataques
das FDI que levaram à cerca de 104 mortes do lado palestino. Porém, desde o dia
29 de outubro até o fechamento desta edição, o cessar-fogo havia sido mantido.
Em comunicado, o Exército israelense afirmou que “de acordo com a diretriz da
liderança política e após uma série de ataques, nos quais dezenas de alvos
terroristas e terroristas foram atingidos, as Forças de Defesa de Israel
iniciaram a retomada da aplicação do cessar-fogo em resposta às violações do
Hamas. As FDI continuarão a manter o acordo de cessar-fogo e responderão firmemente
a qualquer violação dele”. Segundo o ministro da Defesa de Israel, Israel Katz,
“não haverá imunidade para nenhuma liderança do Hamas”.
Pelo acordo, os militantes do Hamas terão ainda, após a
entrega de todos os corpos dos reféns mortos, que entregar suas armas e deixar
a Faixa de Gaza, recebendo salvo-conduto para deixar o país. Na prática,
imagina-se que muitos deles não o façam e se misturem no meio da multidão. As
lideranças restantes do Hamas estariam dispersas hoje entre Doha, no Catar, e
Gaza.
Ainda segundo o acordo, a Faixa de Gaza será governada por
um Conselho de Paz presidido pelos Estados Unidos e que tem entre seus membros
Israel, os países árabes e o Egito. Como representante do referido Conselho, governando
futuramente Gaza, o nome escolhido era o do ex-primeiro-ministro britânico Tony
Blair, 72 anos. A região será policiada por soldados dos países árabes e de Israel,
e a região será totalmente reconstruída com investimentos que virão dos países
árabes.
Um dado interessante é que, dias antes do antes do acordo,
mais de 150 países – com medo de o projeto de um Estado palestino desaparecer,
com tudo sendo anexado por Israel – haviam reconhecido, mesmo sem nunca ter
existido, a existência de um Estado da Palestina, dentre eles a maioria das nações
da América Latina, África e Ásia, além de França, Bélgica, Reino Unido,
Austrália e Canadá. Entretanto, no final das contas, tal reconhecimento não
valeu de nada, já que o acordo de paz criou em Gaza um espaço que não é Estado
palestino, mas uma área governada pelos Estados Unidos e Israel, junto com
outros países árabes e o Egito.
Festa em Israel: Trumpsaudado como “segundo Ciro”
Na Cúpula sobre Gaza no Egito, o presidente Donald Trump se reuniu
com o líder egípcio e os líderes dos países árabes para uma cúpula de paz que
teve como objetivo discutir os próximos passos do cessar-fogo. Antes, porém, do
encontro, Trump esteve em Israel, discursando no Knesset, o parlamento
israelense, ocasião onde afirmou: “Este é um dia histórico para o Oriente Médio
e um triunfo incrível para Israel e para o mundo. (...) Os Estados Unidos se
unem a vocês nesses dois votos eternos — nunca esquecer e nunca mais repetir.
(...) Contra todas as probabilidades, fizemos o impossível e trouxemos nossos reféns
de volta para casa”.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, por sua
vez, além de agradecer todo o apoio recebido por Israel pelo governo norte-americano,
agradeceu às FDI e a todas as forças de segurança, acrescentando que “com a ajuda
de Deus, juntos continuaremos alcançando os objetivos e expandindo a paz com
nossos vizinhos”. Netanyahu declarou ainda que o presidente Donald Trump foi “o
maior amigo que Israel já teve na Casa Branca” em toda a sua história. Por sua
vez, o presidente do Knesset, Amir Ohana, comparou Trump ao rei Ciro, da
Pérsia, que foi o instrumento de Deus para autorizar a volta do povo judeu a
Israel no sexto século a.C. Ele seria, segundo Ohana, um “segundo Ciro”. Disse
o presidente do Knesset que Trump não era apenas “mais um presidente
americano”, mas um “gigante da história judaica, alguém para quem precisamos
olhar dois milênios e meio atrás, nas brumas do tempo, para encontrar um
paralelo em Ciro, o Grande”.
Trump e sua comitiva foram recebidos com muita alegria e festa
pelo povo de Israel. Israel e outros líderes pediram o Prêmio Nobel para Trump
por costurar esse acordo que resultou na bem-sucedida devolução dos reféns, no cessar-fogo
e na criação de uma perspectiva nova e esperançosa para Gaza, mas que só o
tempo dirá se realmente dará certo.
O desprezo por Israel e o Julgamento das Nações
Dias antes da assinatura do acordo de paz, mais precisamente
no dia 26 de setembro, na cidade de Nova York, durante a 80ª Assembleia Geral
da ONU, Israel sofreu uma das maiores manifestações de oposição da parte das
nações do mundo. Isso se deu durante o início do pronunciamento do
primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu. Mal havia ocupado a tribuna e
líderes de diversas nações levantaram-se e abandonaram o local, enquanto outros
líderes aplaudiam o premiê. A colunista da seção Em Dia com Israel do jornal
Mensageiro da Paz, a professora Sara Alice Cavalcanti, frisa que “a cena
emblemática foi reproduzida tanto por países contra como por países a favor da
causa israelense, especialmente na luta para deter o avanço terrorista desde o
Irã”. Sara destaca o que estava por trás do gesto e lembra que tal ato evoca um
acontecimento futuro profetizado nas Escrituras.
“O protesto, previamente combinado, foi uma resposta de
países que não aceitaram a reação de Israel aos ataques sofridos, que, vale
lembrar, foram iniciados pelo Hamas. Mesmo assim, diante de várias cadeiras
vazias, Netanyahu fez do parlatório um local para esclarecimento e alerta de
que o fanatismo e o terror não podem avançar. Fez, inclusive, menção àqueles
que, mesmo condenando seu país em público, em secreto agradecem o
posicionamento de Israel, ‘fazendo o trabalho sujo’ em favor de outras nações.
Uma severa denúncia também foi feita: países sensibilizaram-se com sua nação logo
após os ataques sofridos há dois anos, no entanto, retiraram seu apoio logo que
Israel, uma nação soberana, defendeu seu povo e seu território. Uma questão foi
deixada para a reflexão dos presentes: como os países que eles representavam
reagiriam diante de circunstâncias semelhantes?”, resumiu Sara.
Um dado triste para nós, em particular, como brasileiros, é
que o Brasil estava entre os países que se retiraram da Assembleia. “A maioria
das comitivas retirou-se antes do início da fala, numa espécie de encenação; e um
dos membros da delegação brasileira afirmou que ‘o ato fala por si próprio’.
Juntaram-se ao Brasil, muitos usando o keffiyah(lenço árabe), vários diplomatas
de nações árabes, africanas e europeias. Mantiveram-se no plenário os
representantes dos Estados Unidos, do Reino Unido, da Noruega, França, Itália e
representantes da União Europeia”, destaca a professora.
Em seu discurso, Netanyahu ressaltou que a proposta de dois Estados
no território israelense, como se pretende, não é uma solução, uma vez que
grupos terroristas liberarão o eventual Estado palestino, e o pretendido por
esses grupos é a aniquilação do Estado judeu. Somente a destruição de Israel os
satisfaria. A professora lembra que “enquanto Netanyahu discursava, suas
palavras foram retransmitidas na região de Gaza, parte delas em hebraico, para
consolo e esperança dos reféns ainda cativos. O consolo estendeu-se aos demais
cidadãos israelenses, pois está descartada qualquer possibilidade de acordo que
não respeite a segurança dos judeus e da minoria drusa, citada de forma
comovente na ocasião. A paz não seria acordada através da destruição de
Israel”.
Sobre o significado e a importância do discurso e da reação
a ele, frisa a irmã Sara: “A qualidade do discurso e os fortes argumentos apresentados
marcaram a ocasião, ficando claro, para quem o ouviu e viu as fortes imagens,
que estivemos diante de um momento histórico. Verdadeiramente, não apenas
histórico, mas um evento de efeitos escatológicos, um evento com consequências
futuras poderosas. A Bíblia indica que o mapa do mundo passará por uma tremenda
transformação. Isso ocorrerá após o período chamado de tribulação, após a
derrota do iníquo, do homem que será a própria encarnação do mal, o chamado
Anticristo. A vinda do Senhor Jesus em glória o destruirá, enviando-o para o
lago de fogo e de enxofre. O milênio terá início, não sem antes haver o
julgamento das nações. Sobre esse assunto, citamos o pastor Antônio Gilberto:
‘Certamente as nações comparecerão mediante seus representantes. O propósito deste
juízo é determinar quais as nações serão poupadas e ingressarão no reino do
Filho de Deus. Outras serão desarraigadas e desaparecerão como nações. O mapa
do mundo sofrerá, pois, muitas alterações. Após o julgamento, os que restarem
das nações (Zc 14.16) ingressarão no reino milenar na Terra. (...) A base desse
juízo é a maneira como essas nações tratam os irmãos de Jesus (os judeus) (Ler
Joel 3.2 e Mateus 25.41-43)’ (Calendário da Profecia, CPAD, pp. 91 e 92)”.
A professora continua: “É necessário ressaltar que tal
julgamento não objetivará comportamentos individuais, mas as nações devidamente
representadas terão suas decisões avaliadas pelo Justo Juiz, especialmente pela
forma como trataram os judeus. Isso, é claro, não significa concordar com todos
os atos alheios, mas denuncia o antissemitismo, os boicotes, as perseguições e
a recusa em oferecer apoio. Entendendo que mesmo os países que mantém certo
padrão em suas relações com Israel e com os judeus podem, ao longo da História,
ter sofrido variações, tendo alterado sua política de governo e de estado, logo
um julgamento dessa monta não poderia ser entregue senão Àquele que detém o
conhecimento pleno de atos e intenções, sendo o Único legitimador do juízo subsequente”.
Sara conclui lembrando que “o assunto é de particular
interesse para os que amam Israel e são cidadãos de países que, no presente
momento, manifestam-se contrariamente à sua existência e às suas decisões.
Mesmo levando em consideração que o julgamento somente ocorrerá num tempo em que
já a Igreja terá sido arrebatada, é doloroso pensar na possibilidade da
não-existência de algum dos atuais países que embelezam, com suas bandeiras e
com seus povos o quadro multicolorido das nações. A leitura dos textos bíblicos
é o ‘pano de fundo’ necessário para completar aquilo que assistimos naquela
sexta-feira em setembro: Israel sendo vaiado, os líderes de diversas nações
retirando-se, alguns poucos ovacionando e aplaudindo, num diferencial que
deixou claro que as nações também fazem suas escolhas. Mencionei ‘leitura dos
textos bíblicos’? Melhor seria afirmar que nossos olhos têm contemplado o desenrolar
profético do princípio das dores. Maranatha! O Senhor, que também é Senhor das
nações, vem! ‘Ora, vem, Senhor Jesus!’”.
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