Nos nossos dias tornou-se muito comum encontrar pregadores na TV ou na internet, que proclamam a teologia da prosperidade, dizendo que o crente não pode ser pobre ou estar em sofrimento, pois isso demonstra falta de fé ou a existência de pecado. Esses pregadores afirmam com muita veemência que o cristão deve ser rico e muito saudável sempre, por causa da sua fé em Cristo. São os pregadores da prosperidade, que, na verdade, vendem esta ideia, pois pedem contribuições aos seus telespectadores, tornando-se, em muitos casos, mercadores da prosperidade, infelizmente.
Muitos cristãos, que estão passando por dificuldades
financeiras ou por enfermidades, ao ouvir essas mensagens ficam se perguntando:
Será que isto é verdade? E o que eu faço, já que estou nesta situação? Estou em
pecado ou não tenho fé suficiente para ser abençoado?
Quero dar uma resposta a estes cristãos. Em primeiro lugar,
o irmão deve saber que mais importante do que as opiniões humanas é a Palavra
de Jesus, não importando se o homem que fala na mídia é importante e famoso ou
um desconhecido; se ele tem várias graduações acadêmicas, ou nenhuma.
O que importa mesmo é sabermos o que o Senhor Jesus declara
sobre as riquezas. Elas são, realmente, um sinal da bênção de Deus, de uma fé
operosa, de uma vida que agrada ao Pai Celeste? E quanto ao sofrimento? Isto
não pode, de forma alguma, existir na vida do discípulo de Cristo? O cristão
deve esperar uma vida de “sombra e água fresca” quando decide seguir a Jesus?
Andará em uma estrada sem obstáculos, sem dificuldades e sobressaltos, por ter
a companhia do Senhor?
Podemos encontrar respostas a todas estas questões nas
Palavras de Jesus, registradas nos quatro Evangelhos. É neste registro
inspirado que devemos buscar a orientação segura para nossa vida, pois a
própria Palavra declara que “o que foi escrito, para nosso ensino foi escrito”
(Romanos 15.14). Vejamos, pois, alguns dos ensinos do Senhor Jesus sobre as
riquezas:
O Mestre declarou no Sermão do Monte (Mateus 6) que não
devemos ajuntar tesouros na terra, mas no céu, mostrando quais riquezas devemos
buscar com maior interesse: as riquezas espirituais. Mostra, inclusive, que o
tesouro acumulado no céu não pode ser roubado nem destruído, ao contrário das
riquezas terrenas, que são tão instáveis, sujeitas à ação de ladrões e à
deterioração. Uma pequena traça pode tornar sem valor uma peça de roupa
caríssima, bordada a ouro e com diamantes incrustados nela. Um tesouro
acumulado com tanto esforço pode facilmente ser levado pelo ladrão. A ênfase do
Senhor é que devemos acumular tesouros onde eles estejam seguros eternamente.
Um homem pode, portanto, usar atividades seculares para acumular tesouros no
céu, quando trabalha para glória de Deus. Outro homem pode usar as atividades
religiosas para acumular apenas tesouros na terra, quando as realiza para obter
qualquer vantagem entre os homens, como pagamento pelos seus atos.
Jesus diz ainda que onde estiverem as nossas riquezas estará
o nosso coração (a nossa atenção, o nosso interesse). Ou seja, o Mestre mostra
que colocamos nossa atenção naquilo que mais valorizamos, por isso devemos
pensar muito bem sobre o que vamos entesourar, pois nosso interesse denuncia o
que realmente valorizamos. O Senhor declara ainda neste mesmo sermão: “não
podeis servir a dois senhores, não podeis servir a Deus e às riquezas”,
revelando que a riqueza pode facilmente dominar a nossa vida, tornando-se algo
sem a qual não podemos viver ou ser felizes.
Os evangelhos sinóticos também registram o encontro de
Cristo com o jovem rico (Mateus 19, Marcos 10 e Lucas 18), quando o Senhor
declara que as riquezas podem impedir um homem de entrar no reino dos céus.
Aquele jovem parecia estar interessado na vida eterna, mas afastou-se de Jesus
com tristeza, pois já havia entregue seu coração às riquezas terrenas. Ainda,
na parábola do semeador, relatada nos três evangelhos (Mateus 13, Marcos 4 e
Lucas 8), o Mestre declara que a sedução das riquezas é como espinhos que
sufocam a Palavra no coração do que a ouve. Com todas estas palavras, o Mestre
mostra que aquele que põe seu coração nas riquezas terrenas está colocando em
risco a sua fé nEle, que é a única possibilidade de alcançar a vida eterna. Por
valorizar tanto os bens terrestres, o homem pode perder a herança celestial. O
relato dos evangelhos, então, não apoia as declarações da teologia da
prosperidade, mas mostra as riquezas terrenas como algo que não deve dominar o
coração do cristão, algo que não deve ser visto como um verdadeiro sinal da
aprovação divina e que pode mesmo tornar-se um concorrente de Cristo na disputa
da devoção humana, tirando o Cristo eterno do primeiro lugar em nosso coração e
colocando em seu lugar as riquezas temporárias.
Quanto a sofrer aflições e tribulações nesta terra, o Mestre
disse no Sermão do Monte que se passarmos por estas coisas por causa dele,
somos bem aventurados (muito felizes) e teremos uma recompensa no céu. Aquele
que passa por provações e perseguições não está necessariamente fazendo algo
que desagrade a Deus. Pelo contrário, pode estar sofrendo exatamente por estar
agradando a Deus e desagradando ao mundo. Quem escolhe ser amigo de Deus não
pode ser, de forma alguma, amigo do mundo, pois a amizade com o mundo é
inimizade contra Deus. E quem escolhe ser amigo de Deus será considerado pelo
mundo como inimigo. Por isso, o cristão é perseguido nesta terra.
Quanto à saúde corporal, Jesus não desvalorizou o corpo, mas
disse que antes de buscar a satisfação das suas necessidades mais básicas, o
homem deve buscar o reino de Deus (Mateus 6.33). Mais importante do que comer,
beber, vestir, necessidades que são apontadas na base da pirâmide da satisfação
humana, está a necessidade de pertencer ao reino de Deus e fazer a vontade do
Pai. O Mestre chega mesmo a dizer, no Evangelho de João, que a sua comida
(aquilo que o alimentava, que lhe dava verdadeira disposição) é fazer a vontade
do Pai (João 4.33).
Cristo nunca afirmou que o cristão seria miserável ou
viveria desamparado e passando necessidades. Pelo contrário, Ele garante que o
Pai sabe do que necessitamos e cuida muito bem de nós. O Senhor nos orienta,
porém, a confiarmos em Deus e não nas riquezas. Quando Ele enviou os setenta
discípulos, de dois em dois, disse-lhes que não levassem bolsa, nem dinheiro,
nem alimento (Lucas 9.3), e os discípulos declararam que nada lhes faltou no
caminho (Lucas 22.35).
Assim, querido irmão que está sendo perturbado pelos
pregadores midiáticos, pode ficar tranquilo se enfrentar dificuldades e não
tiver muito dinheiro, que isto não é sinal necessário de falta de fé ou
santidade. Aliás, se você não enfrentar nenhuma perseguição ou tentação e se
tiver dinheiro suficiente para viver de forma autossuficiente como o rico
retratado no capítulo 12 do Evangelho de Lucas, então deveria, sim, ficar muito
preocupado e procurar o seu pastor para aconselhamento.
Um pastor real, não um virtual, que não pode aconselhar nem
discipular ninguém.
REFERÊNCIAS
BALDWIN, Joyce G.1 e 2 Samuel Introdução e comentário. São
Paulo: Vida Nova, 1988.
Bíblia do ministro com concordância: Nova Versão
Internacional / (traduzida pela Comissão de Tradução da Sociedade Bíblica
Internacional). São Paulo: Editora Vida, 2002.
BARKLAY, William. Comentário Bíblico do Novo Testamento.
Marcos: tradução portuguesa – versão eletrônica.
DANIEL, Silas. Violência no Antigo Testamento. Resposta Fiel
Apologia da Fé Cristã. Rio de Janeiro: CPAD ano 6 – N° 23, 2007.
por Raydfran Leite de Oliveira
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