Cristãos prestam auxílio aos afetados na Colômbia, no Nepal e no Tibete
Uma tragédia de grandes proporções voltou a atingir comunidades, desta vez no Himalaia. No dia 26 de agosto, o colapso de uma geleira após um terremoto desencadeou uma avalanche de gelo e rochas, seguida por enchentes na região de fronteira entre o Nepal e o Tibete, na China. O desastre destruiu casas, estradas, pontes e, até o fechamento desta edição, havia contabilizado mais de 1,3 mil mortes e aproximadamente 5 mil desaparecidos, de acordo com autoridades locais.
O episódio se soma ao terremoto de magnitude 7,4 que atingiu
a Colômbia no dia 10 de agosto, noticiado em setembro (edição 1696) no jornal
Mensageiro da Paz. O abalo afetou 494 municípios em 16 departamentos, deixando mais
de 361 mil pessoas desabrigadas, cerca de 4,5 mil feridos e 230 desaparecidos,
e mais de 330 mortos, segundo relatório da Unidade Nacional de Gestão de Riscos
de Desastres (UNGRD).
Em meio a cenários de destruição e luto, igrejas locais e organizações
cristãs internacionais têm encontrado oportunidades para servir às comunidades
afetadas. Segundo Julián Gutiérrez, diretor da organização Portas Abertas na
Colômbia, a crise oferece à Igreja uma oportunidade de ajudar e testemunhar. “Em
momentos de sofrimento, os cristãos são chamados a refletir a luz de Cristo.
Como Jesus afirmou em Lucas 21.13, isso resultará em oportunidade para testemunharmos.
Em meio ao caos, a Igreja é chamada a ser luz para aqueles que perderam a
esperança”, declarou.
Danos em igrejas na Colômbia
Entre os estragos e prejuízos causados pelo terremoto na
Colômbia, há um impacto devastador na infraestrutura social e habitacional das
regiões afetadas. Segundo a UNGRD, foram danificadas mais de 163 mil casas, com
mais de 31 mil destruídas, quase 6 mil edifícios avariados e cerca de 600
completamente desabados. Segundo a organização Portas Abertas, no município de
Tapalito, em Chocó, uma igreja sofreu danos estruturais e outras congregações
no oeste da Colômbia, rachaduras.
Em Buenaventura, um pastor e um membro ficaram feridos após desabamento
de uma parede do templo onde congregam. Considerada uma área sensível em relação
à violência e à presença de grupos armados, a cidade contabilizou dez mortes,
174 feridos e danos em sete igrejas, além de casas pastorais e residências de
famílias cristãs. O acesso a comunidades em áreas rurais foi dificultado pelo
bloqueio de estradas pelos deslizamentos. De acordo com Portas Abertas, a
tragédia impactou igrejas e lares de cristãos que já conviviam com perseguição
de grupos armados ilegais, como o casal Valoy, visitado por um pastor anônimo.
“Eles perderam a casa. Até a pequena cama onde dormiam foi lançada para fora”,
relatou o líder cristão. Parceiros locais da Portas Abertas indicaram 111
famílias cristãs diretamente atingidas pelo terremoto, entre mortos, feridos,
perdas de renda e danos severos em residências, casas pastorais e locais de
culto.
Resposta da Igreja
Diante deste cenário, diversas igrejas, organizações evangélicas,
pastores e líderes locais se mobilizaram para oferecer ajuda emergencial e
recursos à população atingida. Presente em diversos departamentos da Colômbia,
a igreja Centro Cristiano Misión Global, fundada e presidida pelo pastor José
Satírio dos Santos, foi uma das que se mobilizaram no socorro por meio da
arrecadação e distribuição de recursos. Quando inteirado do ocorrido, pastor
Satírio fez um pronunciamento nas suas redes sociais. “Quando há um movimento
desta natureza, nossa confiança deve estar em Deus”, declarou. Após recitar os
primeiros versículos do Salmo 46, concluiu sinalizando a prontidão em socorrer
os necessitados. “Os pastores estão atentos ao que tem acontecido e estamos recolhendo
informações para entender as necessidades dos pastores e das igrejas no geral. Nos
unimos para ajudar os irmãos afetados”, completou.
A organização Samaritan’s Purse, ligada à Associação Billy
Graham, enviou à Colômbia uma aeronave com 45 toneladas de suprimentos, entre
abrigos, luzes solares e kits de higiene. “Todos nós ficamos chocados ao ver as
notícias e os vídeos do forte terremoto na Colômbia”, disse Franklin Graham, presidente
da missão internacional.
Mesmo com dificuldades provocadas por estradas danificadas e
por interrupções nas comunicações, diversos cristãos se voluntariaram para
levar ajuda às regiões mais remotas. “As igrejas ativaram programas de
assistência social focados em canalizar recursos e coletar suprimentos para
atender às necessidades mais críticas das famílias afetadas”, contou a
missionária Marcela Forero, ligada a Iglesia Cristiana El Lugar de Su
Presencia, que tem atuado arduamente na distribuição de kits de higiene,
cobertores, colchões, travesseiros e outros materiais, mobilizando mais de 120
voluntários. A missionária destacou também a assistência espiritual prestada
pelos pastores locais e suas equipes de auxiliares. “Estão fornecendo apoio
emocional e espiritual nas regiões mais atingidas, promovendo mensagens de fé,
resiliência e esperança diante da catástrofe”, concluiu Marcela. A mobilização
da Igreja tem demonstrado o amor de Jesus às vidas afetadas.
Socorro no Himalaia
Nos dias seguintes à tragédia no Himalaia, diversas igrejas
nepalesas e agências cristãs internacionais se organizavam para enviar
alimentos, água, roupas, cobertores, produtos de higiene e outros recursos aos
sobreviventes. O desafio, porém, consistia no acesso às áreas mais afetadas. Segundo
a World Evangelical Alliance, mais de 40% das estradas locais foram severamente
danificadas ou destruídas. Vários distritos do Nepal, como Rasuwa, Nuwakot,
Dhading, Chitwan, Gorkha e Tanahun, foram devastados. Redes elétricas e acesso
à internet também ficaram comprometidos, isolando comunidades e dificultando o
socorro. Sem contar os riscos de novos deslizamentos. Ainda assim, essas
barreiras não inibiram a ação de voluntários, que utilizaram bicicletas de montanha
para chegar a localidades isoladas, compreender a situação e pontuar
necessidades de maior urgência. Essa mobilização cristã partiu de equipes da National
Churches of Nepal (NCFN) e da Nepal Christian Society (NCS), servindo como
auxílio emergencial, inclusive com pessoas capacitadas a prestar atendimento
médico quando grandes organizações internacionais enfrentavam restrições de
acesso.
Balkrishna Shrestha, pastor da Igreja Cristã do Himalaia, relatou
à Christianity Today que a enchente destruiu 4 das 42 igrejas em seu distrito e
causou a morte de cerca de 400 fiéis. “Somente em Rasuwa foram destruídas 700 casas,
incluindo 100 lares cristãos”, disse o pastor. Apesar disso, segundo a World
Evangelical Alliance, os templos remanescentes desse distrito abriram suas
portas para a população desabrigada. A presença prévia nas comunidades e a
conexão com os moradores facilitaram as ações de acolhimento, alimentação e
apoio.
Atuante no Nepal desde as respostas ao terremoto de 2015, a
Samaritan’s Purse enviou especialistas e suprimentos de emergência para somar
aos parceiros locais. Diversas outras missões internacionais e igrejas das mais
variadas denominações também têm respondido a essas demandas no Himalia, sem
acepção religiosa. “Nosso foco é em todos, porque este é o momento de
demonstrar o amor de Cristo a todos”, afirma Timothy Dangal, diretor do grupo de
ajuda humanitária Himalayan Youth Transformation. O país é predominantemente
hinduísta (81% da população).
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