Oséias casou-se com uma prostituta?

Oséias casou-se com uma prostituta?


Gostaria de saber se o casamento do profeta Oséias com Gomer foi simbólico ou real

O texto de Oséias 1.2 merece duas observações cuidadosas, a saber:

1. Trata-se de um simbolismo apenas? Alguns comentadores são de opinião que Deus empregou, neste caso, apenas uma linguagem simbólica e não real. “Trata-se de uma parábola”, dizem eles, “e não de uma realidade”. Se assim fosse, segundo este conceito, tal acontecimento contrariaria toda estrutura moral do conceito geral das Escrituras. Alguns acham que Deus está falando aqui de forma antecipada, de maneira prospectiva (Oséias 3.1-2). Isto é, trata-se de uma profecia, antecipando o casamento de Oséias com Gomer, e para firmar esta opinião, invocam a passagem citada, onde ela aparece como sendo uma mulher amada de seu marido, mas que está olhando para outro homem que não é seu marido. O texto prefigura Israel sendo amado por Deus, mas com o rosto virado para outros deuses. Contudo, mesmo assim, o Senhor continua amando ao Seu povo, apesar de sua infidelidade.

2. Trata-se de um fato real? As evidencias mostram que sim. Embora isso tenha trazido divergência entre os mais afamados estudiosos da Bíblia, quando o acontecimento é confrontado com os padrões morais que são apresentados nas Escrituras. Uns opinam que tratar-se apenas de uma fi gura de linguagem, em que na qual, Deus procura despertar a Israel, do seu sono letárgico. Isto é, sua associação abominável com os ídolos.

Lendo cuidadosamente o texto divino, parece que se trata de um acontecimento real, e não simbólico. O povo estava dormindo profundamente. Nesse caso, somente uma palavra, ainda que vinda de Deus, não era suficiente para o despertar. Precisava de algo mais, tipo um escândalo admirável, e que através do qual fosse chamada a atenção do povo. Em determinadas passagens das Escrituras, Deus procura despertar o Seu povo, através de um sinal. Ele toma uma pessoa para representar um ‘sinal’ de Sua parte. Ezequiel foi dado como sinal à casa de Israel (Ezequiel 12.6). Jonas de igual modo: foi sinal para os ninivitas (Lucas 11.30). Jesus também foi feito sinal para aquela geração de Seus dias (Lucas 11.30). O casamento de Oséias com uma mulher ‘prostituta’, não foge a regra. O acontecimento serviu de sinal comparativo entre Deus, o esposo fi el, e Israel, a esposa infiel. Os filhos de Gomer com o profeta serviriam também de sinais para despertar e chamar a nação ao arrependimento. Jizreel (Deus semeia ou livra de algo – deixado ao lado – espalhar ou semear); Lo-Ruama (não compadecido, desfavorecido, desgraça, sem misericórdia); Lo-Ami (não o meu povo). Estes três nomes representam três mensagens: uma de vingança e duas de desprezos, mas despertadoras para o povo eleito, da parte de Deus, por causa de sua infidelidade com outros deuses. Numa outra ocasião, Deus já tinha falado assim, com os filhos de Isaías (Isaías 8.3, 18). Também a linguagem oriental, diverge de certos conceitos da ocidental. O que Gomer era para Oséias, foi Israel para com Deus; e o que era para sua esposa, Deus tinha sido para com o Seu povo. Gomer foi alvo do amor e do perdão de seu esposo. Lá na frente ela se arrependeu, e o esposo a perdoou. O mesmo aconteceu com Israel. O povo se arrependeu, deixou de adorar outros deuses, e Deus amorosamente lhe perdoou. Gomer foi para o cativeiro. Seu esposo a encontrou numa situação vexatória, no mundo da escravidão. Ele então, a compra por quinze peças de prata: o valor de um escravo era trinta peças. Todavia, Gomer era uma mulher, e naquela época a mulher escrava valia a metade do valor do escravo (Oséias 3.2). O mesmo aconteceu com os filhos de Israel. Eles foram para o cativeiro; porém Deus os fez voltar de lá, com a promessa feita de ambas as partes, que tanto um como o outro, viveriam juntos eternamente (Oséias 3.3).

por Severino Pedro da Silva

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