Quando Moisés estava com 80 anos, apascentando o rebanho de seu sogro, em um momento no qual talvez não almejasse mais nada para sua vida, ele teve uma experiência gloriosa. Moisés havia vivido 40 anos no palácio, estudado nas melhores escolas e faculdades, tinha muito preparo, porém, após o incidente onde matou o egípcio, precisou sair do palácio para o deserto, onde passou outros 40 anos que certamente haviam tirado dele toda motivação, todo e qualquer projeto de vida que pudesse ter estabelecido enquanto estava no palácio. Ali, no deserto, o Senhor trabalhou na vida de Moisés preparando-o para algo grande que ele deveria realizar. Deus não queria Moisés no palácio, onde tinha tudo à mão, todos à sua disposição, Ele queria Moisés no deserto, onde precisaria buscar as coisas.
O que quero dizer é que, em alguns momentos, Deus nos tira do
nosso comodismo e nos leva para o deserto para que possamos buscar aquilo que
interessa para nossa sobrevivência. Acomodado no palácio, você acha que não
precisa de nada, acha que não precisa de ninguém, mas, no deserto, você precisa
buscar, ir atrás, conhecer as regras do deserto e o que há de sustento no
deserto. O dono do deserto é o Senhor Deus, quem rege o deserto é Ele. No
deserto, vem água. No deserto, vem pão. No deserto, vem carne. No deserto, vem nuvem.
No deserto, vem fogo. No deserto, tem a presença de Deus.
Moisés estava no deserto e ele pôde presenciar uma sarça que
ardia em fogo e não se consumia. Deus fala com Moisés e muda completamente seus
propósitos. Quem poderia imaginar que com 80 anos de idade ainda teria algo a
realizar, ainda teria sonhos para sonhar, ainda teria projetos? Meus irmãos e
irmãs, ainda há tempo para sonhar, ainda há tempo de realizar. O deserto está
servindo para que você conheça mais o Senhor teu Deus. No deserto, Deus muda
propósitos.
A presença de Deus muda o clima. Não tem como pensar em um
culto genuíno onde a presença de Deus não possa se manifestar. Não tem como
pensar em um culto genuíno onde o Espírito Santo não tenha liberdade para se
manifestar. Muitas vezes, a formalidade de um culto impede a manifestação dEle.
Deus se manifesta quando lhE é oferecida a oportunidade. Você quer que a presença
dEle se manifeste na sua vida? Isso depende de cada um de nós. A nossa postura
no culto atrai o resplendor da presença de Deus. A manifestação da presença
divina nos nossos cultos é inevitável. Você pode não sentir nada, mas tem outro
que está sentindo a presença dEle. Você pode estar frio, gelado como freezer, mas
tem alguém que está sentindo a brasa arder em seu coração.
O resplendor da presença de Deus tem que começar pelo púlpito.
Se houver adoração no púlpito, tem adoração na igreja; se houver louvor no
púlpito, tem louvor na igreja; se houver línguas estranhas no púlpito, tem
línguas estranhas na igreja; se houver quebrantamento no púlpito, tem
quebrantamento na igreja; se houver perdão no púlpito, tem perdão na igreja; se
houver amor no púlpito, tem amor na igreja; se houver humildade no púlpito, tem
humildade na igreja. Se brasas no púlpito forem acesas pela presença do
Espírito Santo, as brasas da igreja serão acesas também. Se tiver fogo no púlpito,
tem fogo no coral, tem fogo na orquestra, tem fogo na mocidade, tem fogo no
Círculo de Oração. Brasas de fogo se acendem pelo resplendor da presença de
Deus!
Por isso tenho insistido que os púlpitos de nossas igrejas
não são um lugar para conceitos filosóficos: é lugar de se apresentar Jesus
Cristo e Seus feitos. Fale dEle! Os púlpitos de nossas igrejas não são lugar de
fazer graça para os irmãos se divertirem, mas lugar de pregar a Palavra de Deus
com unção e a igreja ser edificada por ela. Quem produz movimento na igreja não
é o pregador, mas a presença de Deus. Permitamos que a presença dEle encontre
espaço em nossos cultos e em nossos corações.
O Senhor Jesus se queixa de uma igreja onde Ele precisava
bater na porta para entrar: “Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a
minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e com ele cearei, e ele,
comigo. Ao que vencer, lhe concederei que se assente comigo no meu trono, assim
como eu venci e me assentei com meu Pai no seu trono. Quem tem ouvidos ouça o
que o Espírito diz às igrejas” (Apocalipse 3.20-22). O Senhor Jesus precisava bater
na porta para entrar naquela igreja. Existem igrejas onde o Espírito Santo é
coadjuvante, ou seja, mais um. O Espírito Santo não pode ser um coadjuvante em
nossos cultos, Ele é a principal pessoa das nossas reuniões. Ele não é mais um,
não é um coadjuvante. Ele não é convidado. A casa é dEle, quem manda é Ele. Nós
é quem somos convidados para estar no ambiente de culto. É a presença do Senhor
Jesus quem produz milagres, salvação, consolo, restauração, curas, batismos com
o Espírito Santo, renovação espiritual, promessas, alegria, paz, reconciliação.
Mas existem igrejas onde o Senhor Jesus tem liberdade para
entrar. É o que está registrado na carta à igreja de Filadélfia: “E ao anjo da
igreja que está em Filadélfia escreve: Isto diz o que é santo, o que é
verdadeiro, o que tem a chave de Davi, o que abre, e ninguém fecha, e fecha, e
ninguém abre: Eu sei as tuas obras; eis que diante de ti pus uma porta aberta,
e ninguém a pode fechar; tendo pouca força, guardaste a minha palavra e não
negaste o meu nome” (Apocalipse 3.7,8). Aqui não há porta fechada para o Senhor,
aqui há porta aberta para Ele, há liberdade para Ele. Jesus quer simplesmente
ser o centro do meu e do seu culto. O Senhor se propõe a, com Sua presença,
acender as brasas que estão se apagando.
por José Wellington Costa Junior
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