Os anjos têm livre-arbítrio?

Os anjos têm livre-arbítrio?


Lúcifer rebelou-se pelo fato de ele ter usado a liberdade de obedecer ou não a Deus?

A cerca da queda de Satanás e suas consequências funestas, muitos cristãos questionam: Os anjos têm livre arbítrio? Como foi possível Satanás rebelar-se? Para elucidar essas questões, analisemos os textos bíblicos que tratam do assunto.

O livre-arbítrio é o direito de decisão dado por Deus a todos os seres criados. Tanto aos seres angelicais quanto aos seres humanos. Deste modo, todo o ser dotado de livre-arbítrio é responsável pelas suas ações. O direito de decidir se baseia na premissa de que se pode escolher entre o bem ou o mal (Romanos 1.18; 2 Pedro 3.5; Hebreus 10.26). Assim, os anjos, como Satanás, decidiram rebelar-se. O mentor desta ação foi Lúcifer.

O nome Satanás é palavra hebraica que significa “adversário”. Conhecido também como Diabo, do grego diabolos, que significa “acusador” ou “caluniador”. Recebe ainda o nome de Belzebu (Lucas 11.15) ou Baalzebu, “senhor das moscas” (2 Reis 1.16). Igualmente peculiar é o nome Lúcifer, isto é, “brilhante estrela da manhã” (Isaías 14.12), em alusão à influência que exerce no mundo e nos seus habitantes (1 João 5.19; 2 Coríntios 4.4). Nos Evangelhos, o termo cunhado é “príncipe dos demônios” (Marcos 3.22). Em Apocalipse 12.3, é chamado de “dragão” e no versículo 9, de “a antiga serpente” - ambas citações aludem à malignidade, sutileza, engano, sagacidade e poder destruidor do inimigo (João 8.44; 10.10).

Portanto, Satanás é um ser real e não apenas a personificação do mal (Ezequiel 28.13). Originalmente, era um ser perfeito, irrepreensível, cheio de sabedoria e formosura (Ezequiel 28.12-15). No entanto, mercê da alta posição ocupada como selo de medida (Ezequiel 28.12), a sua beleza e sabedoria incharam-lhe o coração e a iniquidade floresceu em seu caminho (Ezequiel 28.15-17). Ao fomentar a iniquidade, Lúcifer, cheio de orgulho e soberba, fez uso do livre-arbítrio para rebelar-se contra Deus. O texto de Apocalipse 12.4 indica que o poder de influenciar e a astúcia de Lúcifer arrastaram consigo uma terça parte dos anjos na oposição contra Deus. Como resultado dessa obstinada empreitada, Lúcifer e seus asseclas foram banidos da presença de Deus (Ezequiel 28.17-19; Apocalipse 12.4) . Porém esse ato de rebeldia não ficou restrito às regiões celestes. Satanás, ao ser expulso, começou a coagir também os homens para integrar seu plano de altivez contra Deus (Marcos 7.22; 2 Pedro 2.18; 2 Coríntios 12.20). Essas ações têm trazido resultados desastrosos para a humanidade. Fica comprovado deste modo que todo ser dotado de vontade, quando escolhe o mal em lugar do bem, produz consequências terríveis para si e para os outros.

Diante destes fatos, concluímos, primeiro, que Deus não é a fonte do mal; segundo que Ele deu aos seres criados, inclusive aos anjos, liberdade para decidir; terceiro, todas as ações cometidas sofrerão juízo. E por fim, fica claro que todos aqueles que decidem seguir o caminho do pecado e do mal sofrem desilusão e a merecida condenação.

por Douglas Roberto de A. Baptista

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