Quanto tempo os hebreus passaram escravos dos egÃpcios – 400 ou 430 anos?
Na busca em interpretar a BÃblia, sem dúvida, um dos maiores problemas é a questão de datas, o que em alguns casos resulta em discussões acaloradas sobre o assunto. A respeito do tempo de escravidão dos hebreus no Egito, existem duas citações que aparentam ter um problema de data. Na primeira, Deus afirma que o tempo da “peregrinação e escravidão” seria de “400 anos”, ao passo que na segunda, Moisés afirma que “o tempo foi de 430 anos”. TerÃamos aqui um problema? Para que haja uma resolução coerente sobre este assunto, devemos partir do princÃpio de que a BÃblia interpreta a própria BÃblia (2 Timóteo 3.14-17).
A permanência de Israel no Egito durou 430 anos (Êxodo
12.40); a concessão da Lei no Sinai se deu em 1445 a.C. A Lei, na verdade, veio
645 anos depois da promessa inicial a Abraão (2090 a.C.; Gênesis 12.4; 21.15;
25.26; 47.9), porém a promessa foi repetida a Isaque (Gênesis 26.24) e, mais
tarde, a Jacó (1928 a.C.; Gênesis 28.15). A última reiteração conhecida da
aliança abraâmica a Jacó ocorreu em Gênesis 46.2-4 (c. 1875 a.C.), pouco antes de
ele ir ao Egito – 430 anos antes da concessão da lei mosaica, ou seja, a
contagem seria a partir da chegada de Jacó com sua famÃlia ao Egito (Gênesis
46).
TerÃamos, então, o fechamento dessa questão, ficando em 430
anos de permanência de Israel no Egito. Mas, aparentemente, o problema ainda
não se resolveria, porque onde ficaria a Palavra de Deus dada a Abraão de que
este tempo seria de 400 anos? Sayão afirma: “Para entender os textos de Atos 7.6;
Gênesis 15.13 e Êxodo 12.40 – que são bases para o tema em questão – basta ver
qual é o propósito do texto. Porque quando lemos Atos 7 e Gênesis 15, os textos
estão na verdade comentando sobre outras coisas e mencionam o perÃodo de forma genérica,
como quem diz: “O povo ficaria no Egito uns 400 anos”. No entanto, no texto de
Êxodo12, o assunto é a permanência, a saÃda por ocasião da páscoa e a
libertação, e nesse caso o texto é mais objetivo e especifico” (SAYÂO, 2008).
Já para alguns estudiosos, isso se deu quando Moises, ao
assassinar o egÃpcio, teve de fugir, atrasando assim o cumprimento do plano de Deus,
conforme havia prometido a Abraão (Êxodo 2.11-15).
Na verdade, o que acontece é um arredondamento de datas,
porque a ênfase de Gênesis estava sobre a promessa de Deus a Abraão, quanto à sua
descendência. e que seriam escravizados antes de herdarem a Terra Prometida, e
não sobre o quanto de tempo exatamente ficariam nessa situação.
Israel, ao passar 430 anos no Egito, teve um perÃodo de
liberdade e paz, e isso em resultado ao que José representou para o Egito; e
este tempo durou até o perÃodo em que se levantou um Faraó que não conheceu
José (Êxodo 1.8). No entanto, não se pode afirmar quanto tempo durou esse
perÃodo de liberdade e paz no Egito. Além disso, ao fazer a promessa a Abraão
em Gênesis 15.13, Deus apresentou três situações a que Israel seria submetido: “peregrino,
escravizado e afligido”, e ser “peregrino” não significa necessariamente o
mesmo que ser “escravizado e afligido”.
por Elias Rangel Torralbo
Compartilhe este artigo. Obrigado.

Postar um comentário
Seu comentário é muito importante