Cabeças prateadas

Cabeças prateadas


Até na velhice darão frutos...

O salmista se maravilha ante a maneira porque Deus o fizera. Desde o ventre até a maturidade foi alvo de milagres que se sucediam. O primeiro sorriso, o balbuciar das primeiras palavras, os primeiros passos, o aprendizado, os deveres, beleza da natureza, o brilho ofuscante das estrelas e os mistérios da eternidade. Vivência agora, saudades do que se foi, expectativas do que será. A vida é um milagre e um carinho de Deus para nós. É uma dádiva.

“Quando vejo os teus céus, obra dos teus dedos, a lua e estrelas que preparaste; que é o homem mortal para que te lembres dele? E o filho do homem para que o visites?” (Salmos 8.3-4).

Davi glorifica a Deus por sua bondade para com o homem e fica admirado ao ver a obra de suas mãos – o ser humano ante a imensidão do céu. O que é o homem para que Deus dele se lembre? É extraordinariamente fascinante a visão que o salmista nos apresenta. O homem, com a sua pequenez, a beleza do universo e a natureza exuberante – tudo obra do Criador! Mas, formado à imagem e semelhança do Pai, a criação precisa conhecê-lo mais, aconchegar-se nos seus braços, sentir o Pai amoroso e Confiar! “E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; macho e fêmea os criou” (Gênesis 1.27).

Então, o homem no seu viço é altivo como a palmeira à beira da praia, que balança com suas folhas verdes, brincando ao sabor do vento. É forte, ereto, brioso, às vezes até arrogante. Todos a admiram, apreciam a sua sombra, o seu tronco robusto e nobre.

Mas, quando ao cair da tarde, o sol se põe no horizonte deixando as folhas empalidecidas, amareladas pelo furor do calor e não mais o viço, e a altivez, fica a palmeira sentindo as folhas caírem, despindo-se de suas vestes e perdendo o brilho.

É assim a presença do homem no mundo. A infância, a adolescência, juventude, idade adulta.... terceira idade! Enquanto a palmeira tem viço, há alguém interessado por ela. Pela sombra, pelo frescor, pela imponência. Mas, se lhe pesam os anos...

“Digo-vos que não sabeis o que acontecerá amanhã. Porque, que é a vossa vida? É um vapor que aparece por pouco e depois se desvanece” (Tiago 4.14).

Viver é um milagre de Deus, com aventuras, sonhos e desafios. Viver é um grande bem!

Tiago enfatiza a transitoriedade de nossa existência; subestimada e inaproveitado por muitos.

Antes que nosso viver desvaneça é preciso torná-lo útil ao serviço do Senhor, até que Ele venha!

Moisés em sua oração diz “Pois todos os nossos dias vão passando na tua indignação; acabam-se os nossos anos como um conto ligeiro” (Salmos 90.9). E ele pede: “Ensina-nos a contar os nossos dias, de tal maneira que alcancemos coração sábio” (Salmos 90.12).

Vivia Moisés os últimos dias de sua vida. Ele procurava mostrar como os israelitas tiveram uma vida inglória e amarga, contrária aos desígnios de Deus em relação ao homem. Deus programou para o homem uma vida frutífera até o fim dos seus dias. “Sacia-nos de madrugada com a tua benignidade para que nos regozijemos e nos alegremos todos os nossos dias” (Salmos 90.14).

É necessário que nos preocupemos com todos os dias — os da infância, adolescência, juventude, vida adulta e terceira idade.

A Escola Dominical deve garantir o direito de todos com a mesma ênfase e carinho. Não é tão comum encontrarmos uma classe da terceira idade ativa e operante em nossas igrejas com a relação à Escola Dominical. Uma classe onde haja reconhecimento e valorização desse grupo de pessoas, tornando-o frutífero, todos os seus dias na obra de Deus.

Trabalhar com a terceira idade é ajudar a manter viçosa a palmeira, é estar usufruindo da sombra e do seu frescor, dada a sua experiência. É uma troca maravilhosa e um crescimento ímpar!

Assumi uma classe de Terceira Idade em 1985. Pude sentir a vibração das irmãs ao falarem de suas vidas, de como transpuseram este ou aquele obstáculo e de suas aflições e angústias pela salvação de um familiar ou amigo. Há sempre a grande lição da perseverança, buscando a direção de Deus para suas vidas.

A Terceira Idade é uma parcela da igreja vista, via de regra, como palmeiras que já vergaram e não mais darão sombra. Já viram como as palmeiras envelhecidas são tratadas? Colocam-lhes remédio para não serem corroídas por pragas e até pintam parte de seu tronco.

Nossos irmãos precisam de nossa atenção. Eles querem cooperar. São ativos, capazes, úteis e valorosos no trabalho do Senhor.

Esses irmãos precisam de atenção e querem cooperar porque são ativos, capazes, úteis e valorosos no trabalho do Senhor. Quando temos o privilégio de estar com os irmãos da Terceira Idade ficamos surpresos com a dedicação e o amor demonstrados na obra de Deus.

Já tive alunos que não sabiam ler, mas não se intimidavam. Conseguiam com os filhos e netos a leitura das lições. Muitos tinham avidez pelas leituras e discussões em classe.

Querem ouvir a Palavra afável do Mestre aplicada às suas vidas. Querem contar do passar da brisa, da tempestade, da bonança e calmaria trazidas pelo conhecimento da Palavra. São vidas com experiências múltiplas, ricas em testemunhos, vivências diferenciadas com o Senhor Jesus.

Uma classe da Terceira Idade é tão necessária quanto as demais. Ela precisa ter seu lugar. É tratar a palmeira adulta, valorizar suas sombras, conservar aquecida a chama do poder da Palavra, crescer para viver em abundância com Cristo. “O justo florescerá como a palmeira; crescerá como o cedro no Líbano. Os que estão plantados na casa do Senhor florescerão nos átrios do nosso Deus. Na velhice darão frutos: serão viçosos e florescentes” (Salmos 92.12-14).

Esta é uma classe de especial ternura, com professores pacientes e aulas prazerosas, sem o cansaço enfadonho das aulas rotineiras, mas com a alegria renovada em Cristo.

Deixem os mais idosos aproveitarem a experiência de vida, deixe que se expressem, criar incentivos para a leitura e participação em classe. Não deixe o aluno ser mero ouvinte. A interação professor/aluno só é possível havendo troca.

“Eu te louvarei, porque de um modo terrível e tão maravilhoso fui formado; maravilhosas são as tuas obras, e a minha alma o sabe muito bem” (Salmos 139.14).

por Sueli Rodrigues de Jesus

Compartilhe este artigo. Obrigado

Deixe seu comentário

Seu comentário é muito importante

Postagem Anterior Próxima Postagem