Professor de Escola Bíblica Dominical, piloto da Artemis II compartilha ensino de Jesus em transmissão

Professor de Escola Bíblica Dominical, piloto da Artemis II compartilha ensino de Jesus em transmissão


Nas célebres missões Apollo 8, 11 e 15, realizadas nos anos de 1968, 1969, 1972, menções a Deus e citações bíblicas também foram feitas

Em 1º de abril, após 54 anos, uma missão tripulada foi enviada ao espaço pela Nasa, a agência especial norte-americana. Seu destino: a Lua. Ao todo, quatro astronautas foram enviados – três homens e uma mulher –, sendo um deles evangélico e professor de Escola Dominical: o piloto da missão, o astronauta Victor Glover, que completou 50 anos em 30 de abril, 20 dias após o término da missão. No dia 6 de abril, milhões de pessoas em todo o mundo, assistindo ao vivo por meio do canal oficial da Nasa no YouTube e de outros canais que reproduziam suas imagens, bem como pelos canais de televisão de todo o planeta, viram as primeiras imagens do lado oculto da Lua captadas pelas câmeras da Artemis II, posição que tornou essa viagem aquela que chegou mais distante no espaço de todas as viagens tripuladas já enviadas. E ao alcançar esse momento, o piloto Victor Glover compartilhou a todos que estavam assistindo uma mensagem de Jesus registrada nos evangelhos. Ele falou sobre o ensino de Cristo sobre quais são os maiores mandamentos exatamente instantes antes de perder o sinal com a Terra, devido à aproximação da face oculta da Lua.

Mensagem de Cristo ao mundo direto do espaço

Glover fez menção do texto de Mateus 22.37-39. Disse ele: “E quando nos aproximamos do ponto mais próximo da Lua e do ponto mais distante da Terra, enquanto continuamos a desvendar os mistérios do cosmos, eu gostaria de lembrá-los de um dos mistérios mais importantes na Terra, que é o amor. Cristo disse, em resposta à pergunta sobre qual era o maior mandamento, que o maior mandamento era amar a Deus com tudo o que você é. Ele também, sendo um grande mestre, disse que o segundo maior mandamento é amar ao próximo como a si mesmo e, assim, enquanto nos preparamos para perder a comunicação de rádio, nós ainda vamos sentir o seu amor da Terra; e para todos vocês lá embaixo, na Terra e ao redor da Terra, nós amamos vocês da Lua”, finalizou Glover, com o sinal sendo perdido em seguida, com a missão passando 45 minutos sem contato.

Victor Glover é membro da Igreja de Cristo, uma igreja evangélica tradicional nos Estados Unidos.  Ele e sua esposa, Dionna, são professores de Escola Dominical em uma congregação da denominação em Houston, Texas. Eles são casados há mais de 20 anos e têm quatro filhos: Genesis, Maya, Joia e Corinne. Genesis e Maya já estão em fase universitária e demonstram forte interesse por áreas de ciência e liderança, frequentemente participando de eventos da Nasa ao lado do pai para incentivar jovens mulheres em carreiras nas áreas de Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática (STEM, na sigla em inglês). Já Joia e Corinne, as mais novas, estão mais focadas nos estudos básicos e nas atividades da igreja, das quais participam também Genesis e Maya. Joia, porém, demonstra interesse nas áreas de artes e comunicação.

Usando os dons que Deus deu

Antes de se tornar astronauta, Victor Glover teve uma carreira distinta na Marinha dos Estados Unidos. Ele foi piloto naval, ganhando “asas de ouro” em 2001 e acumulando mais de 3 mil horas de voo em mais de 40 aeronaves diferentes. Ele também tem experiência de combate, tendo pilotado caças F/A-18 Hornet em 24 missões de combate, incluindo em apoio à Operação Liberdade do Iraque. Glover formou-se na prestigiosa Escola de Pilotos de Teste da Força Aérea dos EUA, testando sistemas de armas avançados. Na época em que foi selecionado para a classe de astronautas da Nasa em 2013, ele servia no gabinete do falecido senador republicano John McCain como bolsista legislativo. Suas missões principais como astronauta incluem SpaceX Crew-1 (2020-2021), sendo piloto da primeira missão operacional da cápsula Crew Dragon da SpaceX para a Estação Espacial Internacional (ISS). Ele passou 168 dias no espaço como parte das Expedições 64 e 65; realizou 4 caminhadas espaciais (EVAs), totalizando mais de 26 horas fora da estação; e tornou-se o primeiro astronauta negro a viver e trabalhar na ISS em uma missão de longa duração. Piloto da missão histórica Artemis II, que marca o retorno dos seres humanos à vizinhança lunar após mais de 50 anos, Glover se tornou o primeiro homem negro a viajar para além da órbita baixa da Terra e orbitar a Lua. A missão Artemis II testa sistemas críticos da nave Orion para preparar futuros pousos na superfície lunar.

Glover é conhecido por sua fé cristã ativa e frequentemente associa sua excelência profissional à sua fé, vendo sua carreira como uma vocação divina. Durante suas missões espaciais, como a atual Artemis II e a anterior na SpaceX Crew-1, ele leva sempre uma Bíblia e elementos para a Ceia, já que a sua denominação Igreja de Cristo celebra a Ceia do Senhor todas as semanas. O astronauta levou também uma foto da família para o espaço. Em entrevista antes da viagem, ele disse que quer usar os dons que Deus lhe deu para fazer bem o seu trabalho na Nasa. Antes do lançamento em 1º de abril, a família Glover participou de momentos de oração e reuniões na igreja local. Durante a missão, Dionna liderou o grupo de apoio às famílias dos astronautas, por ser esposa do membro da missão que é um militar veterano e astronauta veterano. Nessa função, ela compartilhou experiências com os familiares dos demais astronautas – Reid Wiseman, Christina Koch e Jeremy Hansen.

Homenagens e propósito da missão

A tripulação da Artemis II conversou com o Centro de Controle da Missão e pediu para nomear uma cratera na Lua em homenagem à falecida esposa do comandante da missão, Reid Wiseman. A tripulação havia solicitado permissão para dar nome a duas crateras brilhantes e recém-formadas. Uma das crateras foi sugerida para ser chamada de Integridade, o nome que a tripulação deu à sua cápsula Orion. A outra foi chamada de Carroll, em homenagem à esposa do comandante Wiseman, que faleceu de câncer em 2020.

Wiseman chorou quando seu colega, o astronauta canadense Jeremy Hansen, fez o pedido ao Centro de Controle da Missão, e os quatro astronautas se abraçaram em meio às lágrimas. “Que vista majestosa daqui”, disse Wiseman pelo rádio assim que recuperou a compostura e começou a tirar fotos.

A missão bem-sucedida prepara o terreno para a Artemis III do próximo ano, que verá outra tripulação da Orion praticar a acoplagem com módulos de pouso lunar em órbita da Terra. O pouso final na Lua, realizado por dois astronautas perto do polo sul lunar, acontecerá na Artemis IV, em 2028.

Outros exemplos na história

A menção a Deus e a textos bíblicos por astronautas em ocasião de viagens espaciais não é necessariamente uma novidade. Em 1968, no dia 21 de dezembro, a Apollo 8 decolou e retornou no dia 27 do mesmo mês, com os astronautas Frank Borman, James Lovell e William Anders celebrando o Natal no espaço. Na véspera, a tripulação realizou uma transmissão ao vivo enquanto orbitavam a Lua, lendo os primeiros dez versículos de Gênesis, com destaque ao verso 1 “No princípio, criou Deus os céus e a terra”. Eles finalizaram com “Boa noite, boa sorte, um feliz Natal e que Deus abençoe todos vocês na boa Terra!”. Os astronautas da Apollo 8 foram os primeiros a saírem da órbita da Terra e a circundar o nosso satélite natural. A missão proporcionou fotos inéditas do solo lunar e da terra vista da Lua. Também foi a primeira a ser transmitida ao vivo na televisão, se tornando, àquela altura, a programação mais assistida da história dos Estados Unidos.

Além de marcar um importante avanço na exploração espacial, a ida do homem a Lua foi motivo de orgulho e esperança para a população estadunidense, em um ano manchado pelos assassinatos de Martin Luther King Jr. e Robert Kennedy, além de protestos sociais, tumultos generalizados e o auge da Guerra do Vietnã.

No ano seguinte, 1969, a Administração Nacional da Aeronáutica e Espaço (NASA) lançou a expedição Apollo 11, notabilizada por ser a responsável por levar o homem definitivamente à Lua após uma década de pesquisas científicas e altos valores investidos. No dia 20 de julho, os astronautas Neil Armstrong e Buzz Aldrin, ambos estadunidenses, aterrizaram o módulo Eagle e se tornaram os primeiros homens a pisar em solo lunar, enquanto o piloto Michael Collins pilotava o módulo de controle na órbita do satélite natural da Terra. Durante o tempo que ficaram sob a superfície da Lua, eles hastearam a bandeira dos Estados Unidos, instalaram diversos detectores e aparelhos de medida, extraíram cerca de 20 Kg de amostras de rochas e pó do solo e tiraram uma grande quantidade de fotos. O acontecimento, marcado pela frase de Neil Armstrong “Este é um pequeno passo para o homem, um salto gigante para a humanidade”, transmitida ao vivo para milhões de espectadores, também foi plataforma para manifestações de fé e comunhão com Deus. Embora não tenha sido transmitido publicamente na televisão devido a preocupações da Nasa, assim que pousou na Lua, Buzz Aldrin realizou um momento de comunhão privado, quando consumiu pão e vinho que havia levado consigo para a Ceia do Senhor. Aldrin também leu a passagem bíblica de João 15.5: “Eu sou a videira, vós, as varas; quem está em mim, e eu nele, este dá muito fruto, porque sem mim nada podereis fazer”.

Outro testemunho de fé e devoção ocorreu na expedição Apollo 15, composta pelos astronautas David Scott, Alfred Worden e James Irwin. A missão foi lançada com destino à Lua em 26 de julho de 1971, sendo a primeira a levar um veículo explorador à superfície lunar e, até aquele momento, fora a que passou mais tempo no solo da Lua. Um jipe possibilitou a exploração de uma área maior, com deslocamentos mais longos. Em três períodos de atividades extraveiculares, Scott e Irwin viajaram cerca de 29 Km e coletaram quase 80 Kg de amostras lunares, estudadas ainda hoje. Essa expedição preparou e ativou experimentos científicos, avaliou o desempenho dos novos equipamentos Apollo, realizou experimentos orbitais e enriqueceu ainda mais o acervo fotográfico de viagens anteriores. Foi no decorrer dessas atividades que o astronauta James Irwin foi impactado por uma experiência espiritual profunda. Quando finalizava o primeiro dia de exploração no satélite natural, Irwin relatou, via rádio, ao Centro de Controle da Missão em Houston, no Texas, estar com “algo na cabeça”. Em seguida, citou o primeiro versículo do Salmo 121 - “Elevo os olhos para os montes: de onde me virá o socorro?” -, que é seguido pela resposta no verso dois: “O meu socorro vem do Senhor, que fez o céu e a terra”. Embora não fosse a citação bíblica mais adequada para uma expedição que transcorria de forma tranquila, o astronauta quebrou a tensão com o Centro de Controle com uma brincadeira “Mas, é claro, recebemos um pouco de socorro de Houston também”.

Ao retornar Irwin relatou presenciar uma epifania que o fez se dedicar exclusivamente a Deus. Ele testemunhou em diversas oportunidades que “ver a Terra a partir da Lua me tornou uma pessoa mais religiosa”, sempre destacando a importância divina na Criação. Esse novo estilo de vida fez com que o astronauta embarcasse em outra aventura 11 anos mais tarde, quando decidiu ir ao Monte Ararat, na Turquia, para encontrar a Arca de Noé, missão esta, segundo ele, muito mais importante que a primeira. A busca quase ceifou a vida do ex-astronauta após uma queda de rochas enquanto tentava escalar o monte mencionado na Bíblia como o local de pouso da Arca. Sem sucesso nesse empreendimento, Irwin concluiu: “É mais fácil caminhar sobre a Lua”.

Embora com menos alarde em relação aos outros testemunhos, o comandante da Apollo 16, John Young, que foi ao espaço em 1972, acompanhado de Charles Duke e Ken Mattingly, levou consigo uma folha contendo versículos bíblicos entre seus itens pessoais. O conteúdo ou referências exatas desses textos não foi divulgado publicamente, mas o gesto reforça a presença da fé em diversas missões lunares, ainda que de forma mais reservada.

Por fim, na expedição Apollo 17, também realizada em 1972, que marcou a última presença humana no solo lunar, a devoção ao Criador se manifestou nas palavras finais do astronauta Gene Cernan: “Levamos daqui o que viemos buscar, e, se Deus quiser, voltaremos com paz e esperança para toda a humanidade”. Ainda que não tenha citado diretamente a Bíblia, a menção a Deus e o conteúdo da mensagem deixaram explícitas a dependência e a confiança da tripulação, formada por Harrison Schmitt e Ronald Evans, em Deus.

Os testemunhos e citações bíblicas feitas por astronautas que tiveram a rara oportunidade de, a olhos nus, contemplar o planeta Terra de uma perspectiva externa demonstram a impossibilidade de ficar indiferente a beleza da criação. Afinal, “Os céus manifestam a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das suas mãos” (Salmo 19.1).

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