Compromisso com a Palavra de Deus

Compromisso com a Palavra de Deus


“Sempre digo que a Escola Dominical é o melhor seminário teológico e bíblico da minha vida”.

Com a caminhada de vida cristã guiada pelo Espírito Santo, Elaine Cruz teve o privilégio de nascer num lar evangélico e ser orientada pelos seus país. Filha do pastor Abraão de Almeida, que é ensinador, escritor e é considerado um dos referenciais teológicos da denominação. Ela começou a frequentar a Escola Dominical desde bebê e quando jovem passava os fins de semana também na igreja.

O amor pela ED permeia toda sua trajetória. Na infância, usava as bonecas para treinar a si mesma no ensino da Palavra. Ela começou seu ministério aos 13 anos como professora da Classe Maternal. Aos 16 anos, já havia concluído o curso da APEC para professores de crianças. A menina se transformou numa mulher profissional e comprometida com a verdade.

Elaine Cruz é psicóloga clínica e escolar, com especialização em terapia familiar, dificuldades de Aprendizagem e Psicomotricidade. É mestre em Educação pela Universidade Federal Fluminense, professora universitária e possui vários trabalhos publicados e apresentados em congressos no Brasil e no exterior. Atua como terapeuta há mais de 25 anos e é conferencista internacional. É mestre em Teologia pelo Bethel Bible College (EUA) e membro da Academia Evangélica de Letras do Brasil. Como escritora, recebeu o ‘Prêmio ABEC de Melhor Autora Nacional’’ e é autora dos livros “Sócios, Amigos e Amados”, “Amor e Disciplina para Criar Filhos Felizes” e “Equilíbrio Emocional”, todos títulos da CPAD.

A senhora é filha de um pastor conhecido como teólogo e ensinador. Qual a importância de ter nascido neste ambiente?

Tenho o privilégio de ter como pai um grande mestre: Abraão de Almeida. E minha mãe sempre amou a música. Ela toca violino e sempre gostou muito de cantar, de dirigir peças de Natal e de atuar em reuniões de oração e na assistência social. Na minha infância, eu ia para a igreja todos os dias à noite e, como meu pai ainda era regente de coral, meus finais de semana eram todos na igreja!

Em casa, a rotina sempre incluía cultos domésticos (mesmo depois de chegarmos da igreja), e eu e minhas irmãs sempre tínhamos um capítulo da Bíblia para ler e explanar durante os cultos em casa. Antes da minha mãe nos disciplinar quando fazíamos algo impróprio, ela sempre abria a Bíblia e mostrava nosso erro ou pecado.

Assim sendo, além de decorar muitos versículos e salmos, aprendi desde cedo a pensar sobre a minha conduta do ponto de vista bíblico. Meus pais me ajudaram a conhecer a justiça de Deus, mas o amor deles também me mostrou a grandeza do perdão e do amor divino.

Qual a importância da Escola Dominical na sua vida secular e no seu ministério?

Meus pais sempre foram professores da ED, e como nasci em lar evangélico, frequento a Escola Dominical desde bebê. Minha brincadeira favorita na infância era sentar minhas bonecas, pregar para elas, repetindo o ensino da ED de domingo, e ainda fazia com que elas “levantassem” a mão ao final da aula – na verdade, eu estava era praticando o auto reforço educacional, através da repetição oral, tão útil para a assimilação de conteúdo.

Comecei a dar aulas para classes de maternal aos 13 anos. E aos 16 anos, já havia concluído meu curso da APEC para professores de crianças. Na minha juventude, além de cantar e tocar guitarra em conjuntos jovens, passava as minhas férias realizando Escola Bíblica de Férias em diversas congregações e lecionando aos domingos na ED, o que faço com muita alegria até hoje.

Na vida secular, por experiência própria e como professora universitária, é claramente perceptível o quanto os alunos evangélicos, que desde cedo lecionam e participam de cultos infantis, dando testemunhos ou falando textos bíblicos em suas igrejas, adquirem mais autoconfiança para falarem em público. O ensino bíblico nas classes de ED ajuda a formar não só o caráter, mas também desenvolvem a destreza social para o mundo secular.

Sempre digo que a Escola Dominical é o melhor seminário teológico e bíblico da minha vida. É um estudo sistemático, adequado às várias faixas etárias pelas quais já passei, no qual aprendo e tenho prazer até hoje, seja lecionando ou escrevendo a professores.

Em sua opinião, o que poderia ser feito para melhorar a frequência de jovens e adolescentes na Escola Dominical?

Em primeiro lugar, mudar a mentalidade de que adolescentes e jovens são fracos para o pecado. Eu sou um exemplo de que é possível ser criado na igreja e não se desviar. Tenho um casal de filhos já casados, também criados na igreja desde bebês, que nunca sequer ponderaram a possibilidade de se desviarem.

A Bíblia diz que os jovens são fortes e já venceram o maligno, porque a Palavra está neles (1 João 2.14). Portanto, eles precisam de um ensino bíblico prático, direto e contextualizado. Estão vivendo em um momento social muito complexo, com muita informação, mas com pouca formação moral. A família está quebrada, são muitos os líderes evangélicos dando mal testemunho, e a internet está repleta de pretensos formadores de opinião, ditos “evangélicos”, mas que estão longe dos princípios bíblicos.

Professores de Escola Dominical para adolescentes e jovens, portanto, precisam estar muito bem-preparados biblicamente. Devem ser antenados com os discursos sociais da época em que vivemos, mas necessitam usar ferramentas inteligentes para atrair seu público.

Seus alunos precisam discutir, e podem ser mais críticos e gostar de um som mais alto e agitado, mas isso não significa necessariamente que estejam se desviando dos preceitos bíblicos. Devem ser incentivados a estudar a Bíblia, a discuti-la e a pensar nela como sendo a base conceitual para escolhas sentimentais e profissionais futuras. Afinal, a Bíblia sempre terá as respostas para cada século, para todos os contextos e realidades sociais e morais. E quanto mais a conhecemos e vivemos, mais nos chegamos à igreja, nos desviamos do pecado e amamos a Deus. E adolescentes e jovens evangélicos precisam aprender a pensar e a agir não de modo politicamente correto, mas biblicamente correto.

Você poderia compartilhar uma experiência com Deus em sua trajetória ministerial?

Nasci com uma doença seríssima no fígado. Os médicos me deram no máximo dois anos de vida, mas vivi até os oito anos, entrando em coma por várias vezes. Aos oito anos, já completamente desenganada, o médico pediu que meu pai organizasse meu funeral, e eu tive minha certidão de óbito assinada pelo médico que cuidava de mim. Depois de mais de quarenta minutos morta, ressuscitei completamente curada!

Este fato sempre me faz pensar no porquê de eu estar viva. Sei que cada dia é um presente de Deus, e quero fazer com que minha vida seja realmente dedicada a Deus, pois não quero perder o Céu – quero chegar lá com minha família e com o número maior de pessoas que eu puder influenciar!

Já vivi muitos milagres na minha vida pessoal e ministerial, mas ter a alegria de ser casada com um pastor e homem de Deus, ser mãe de um filho pastor e de uma filha dedicada a Deus, e de ter tido o privilégio de ensinar a crianças e adolescentes, que hoje são pastores e ensinadores, multiplicando o ensino bíblico ao longo do Brasil e do mundo, é um grande milagre e presente de Deus.

Qual a importância da classe de casais na ED?

Classes de Escola Dominical para casais são importantes para instruir recém-casados ou novos convertidos. Os recém-casados apresentam questões comuns: Como aprender a conciliar os parâmetros com os da pessoa amada? Como saber quais são os fundamentos importantes para que esta nova família cresça segura? Como analisar os conceitos pessoais à luz da Bíblia? O que há de comum a todos os casais? Como lidar com o dinheiro? O que precisa ser construído a dois? E como construir um novo arranjo familiar, respeitando as distintas personalidades, sem se afastar dos princípios bíblicos? Onde aprender como ser casado(a)?

Para os neoconversos, a partir do novo nascimento, novas regras e conceitos precisam ser estabelecidos em um casamento, e é importante que o casal conheça o que a Bíblia diz sobre vida conjugal e sexo, sem correr o risco de continuar pecando, ou de assumir o peso de um comportamento que pensam ser pecaminoso quando não o é. Nas duas situações, a falta do ensino bíblico causa uma frieza conjugal – o que contraria a Bíblia, que ensina o quanto a alegria e o prazer conjugal podem ser plenos em Deus.

As classes para casais, assim como as para os noivos, podem usar a revista tradicional, retirando-se alguns minutos para tratar de assuntos específicos ao final de cada aula. Estes temas podem ser distribuídos ao longo de três a seis meses, se possível participados antecipadamente aos alunos, e podem ser retirados de uma apostila ou de um bom livro a ser estudado por todos.

Os professores devem ser de confiança absoluta do pastor da igreja, com casamento e família bem estruturada, e com excelentes testemunhos, acompanhados pela igreja, de seus filhos e netos. As classes devem ser temporais e cíclicas – até porque o casal não será sempre novo convertido ou recém-casado, e precisam aprender a andar sozinhos, beneficiando-se de outros eventos, como seminários e encontros de casais, ou até mesmo de gabinetes pastorais.

Que mensagem a senhora deixa para os superintendentes de ED que estão desanimados em prosseguir no ministério da educação Cristã?

Trabalhar na igreja pode ser cansativo, especialmente quando lidamos com pessoas – professores e alunos – que muitas vezes não têm uma boa educação ou não assumem a responsabilidade esperada para o exercício das suas funções. Além disso, ainda trabalhamos com voluntariado, pois as pessoas não ganham para dar aula na ED, e se estas não tiverem uma vida dedicada a Deus, ainda confundem ativismo com ministério frutífero.

A igreja é um grande hospital, onde todos precisamos ser curados, mas também é uma grande escola, onde todos aprendemos a trabalhar juntos, a crescer no conhecimento de Deus, a organizar nossa vida emocional e profissional. O ensino sistemático da ED reestrutura conceitos e valores, e altera nossa visão do mundo social e espiritual – portanto, como aprendizagem envolve mudanças, é de se esperar que seja difícil a função de superintendência, fazendo pontes entre os conceitos educacionais da liderança da igreja e as necessidades pedagógicas dos alunos e professores.

Podemos dividir os professores em três grupos distintos: temos um grupo que trabalha de forma irresponsável, que não cumpre horários e desrespeita as orientações gerais; um segundo grupo que pode ser muito atuante, mas que magoa a muitos por onde passa, além de criticar todas as ordens que recebe; e um grupo (geralmente menor) de professores comprometidos, que amam o que fazem, se preparam para as aulas, que quando criticam o fazem de forma construtiva, e que de fato trabalham sob ordens, mas para Deus!

É sempre bom ressaltar que a ênfase do ministério terreno de Jesus nunca foi realizar curas ou maravilhas. A ênfase de Jesus sempre foi o ensino, a instrução e o discipulado. Ele foi incompreendido, suas lições não foram assimiladas de imediato nem pelos seus discípulos mais próximos, mas seus ensinos geraram transformações na mente de alunos, que difundiram o evangelho, chegando até nós!

Na tarefa de imitar o Mestre Jesus, que não nos esqueçamos de que, por mais difícil que seja a tarefa, temos a promessa de uma recompensa divina: Os que forem sábios, pois, resplandecerão como o fulgor do firmamento e os que a muitos ensinam a justiça, como as estrelas sempre e eternamente. (Daniel 12.3).

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