A Divindade de Jesus

A Divindade de Jesus


Os atributos divinos em Cristo e Sua divindade revelada no Seu ministério terreno

Ao longo do texto bíblico, aproximadamente trezentos nomes, títulos e designações apontam para Jesus Cristo. Em cada uma dessas formas, há a apresentação de atributos que nos informam acerca de salvação, autoria, poder, amor, intercessão, ofício etc. Enfim, muitas seriam as páginas necessárias para expor cada um deles. Aqui, traremos breves notas sobre a divindade de Jesus.

Quando lemos nos textos sagrados a expressão “Senhor Jesus Cristo”, somos apresentados ao Filho do Deus Bendito, o Salvador de toda a Humanidade. “Senhor” é uma menção de Sua divindade e autoridade; “Jesus” é o nome que indica a existência do Filho de Deus que, por amor, veio ao mundo; e “Cristo” é a nobre e ímpar missão de salvar a humanidade e oportunizar o caminho para a vida eterna. NEle temos a plena expressão do amor de Deus, que trouxe ao homem a oportunidade de ser salvo da perdição e, por adoção, ser chamado de filho de Deus (João 1.12). Em Cristo, a revelação divina se consumou e tivemos acesso a uma nova vida (Hebreus 1.1-2).

Divino, porém, também humano

Ao estudarmos a divindade de Jesus, encontramos evidências de um saber que vai além do que nossas mentes podem compreender (Romanos 11.13). No entanto, nos maravilhamos mediante a magnitude dessa natureza. Uma verdade que nos impressiona é a forma como a divindade do Filho de Deus indicava – diante de tanto amor pelo ser humano que estava condenado à perdição (João 3.16) – a necessidade da manifestação da humanidade de Jesus.

O Filho de Deus, Cristo, humanizou-se para que o império da morte fosse aniquilado e o Diabo derrotado diante de tal triunfo (Hebreus 2.14-15). Assim, na cruz, a “cédula” que existia contra nós foi anulada (Colossenses 2.14-15) e podemos celebrar a vida eterna conquistada pelo nosso Salvador (João 5.24).

Na humanidade de Jesus, a cada momento da vida, do útero à maturidade, do primeiro pulsar do coração ao último fôlego, percebemos a manifestação de um amor à humanidade só possível à divindade. Como homem, Jesus assume uma constituição tríplice: corpo, alma e espírito. O corpo foi formado no ventre de sua amorosa mãe (Lucas 1.35), teve contato físico com as pessoas que O cercavam (Marcos 5.28-30; Lucas 7.14; Mateus 8.13) e, após a morte na cruz, foi cuidado e sepultado por Arimatéia (Mateus 27.58-59) e, enfim, ressuscitou triunfante (Mateus 28.9; João 20.14-27; At 10.41). Vemos a Sua alma como o centro das emoções humanas, levando-o a chorar (Lucas 19.41), se indignar (Marcos 10.14), se angustiar (Mateus 26.37) e sentir compaixão (Mateus 9.36) e agonia (Lucas 22.44), por exemplo. O espírito humano do Senhor – que é diferente do Espírito Santo, que é mencionado no episódio do deserto (Lucas 4.1) – é entregue ao Pai, quando o Filho clama: “Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito” (Lucas 23.46).

Jesus eterno (João 1.1-3), ao humanizar-se, não deixou de ser divino (Mateus 1.23; Colossenses 2.9-10; João 8.58), mas, ao abrir mão de Sua glória junto ao Pai, esvaziou-se (Filipenses 2.7-8), limitando-se com a finalidade de sofrer pela humanidade e nos trazer a salvação para que, ao aceitá-lO, fôssemos chamados de filhos de Deus (João 1.12-13). Glorifiquemos a Deus por Jesus ser verdadeiro Deus e verdadeiro homem!

Verdadeiro Deus

Como já falamos, no período em que Jesus Cristo caminhou pela terra, da infância até os dias que se seguiram após a ressureição, Ele foi verdadeiro Deus e verdadeiro homem. Após refletirmos um pouco sobre a natureza humana, agora vamos considerar a natureza divina do Filho de Deus.

Jesus deu testemunho acerca de Sua divindade por diversas vezes. Quando a mulher Samaritana, à beira da Fonte de Jacó, disse saber sobre a vinda do Messias e o que este deveria fazer, Jesus prontamente afirmou: “Eu o sou, eu que falo contigo” (João 4.26). Em outra ocasião, Jesus declarou-se Filho de Deus: “Meu Pai trabalha até agora, e eu trabalho também” (João 5.17). Na sequência do texto, aparece a informação de que os judeus procuravam matá-lo por se declarar igual a Deus (João 5.18). Também Jesus afirmou “Eu e o Pai somos um” e concluiu a fala com as palavras “Sou Filho de Deus” (João 10.30-36). Muitas ainda são as falas acerca dessa questão contidas nos quatro evangelhos. Enfim, o uso da expressão “Filho de Deus” traz uma clareza e convicção acerca da divindade de Jesus – o Deus onipotente, onipresente e onisciente.

Onipotência

Séculos antes do nascimento em Belém, o profeta Isaías mencionou a onipotência do Senhor Jesus, como “Deus forte”, junto com outros nomes: “Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; e o principado está sobre os seus ombros; e o seu nome será Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz” (Isaías 9.6). Vemos aqui a onipotência – além de outros atributos – sendo evidenciada.

Em várias outras referências bíblicas, esse atributo é revelado em relação a Jesus: na criação (João 1.1), na manifestação do Seu amor (Apocalipse 1.5-6), na posição de Cabeça da Igreja (Efésios 1.22), no sustentar todas as coisas (Hebreus 1.3), no ressuscitar a Si mesmo (João 2.19), no salvar toda a humanidade (Tito 3.4-6), entre outras passagens.

Por exemplo, em Apocalipse, os adversários serão derrotados pelo Cordeiro, que é apresentado como “Senhor dos Senhores” e “Rei dos Reis” (Apocalipse 17.14). Essa afirmativa revela que todo o poder no céu e na terra pertence a Jesus.

Onipresença

Em Sua natureza humana, havia a limitação espacial e temporal, assim sendo não poderia estar em dois lugares ao mesmo tempo, algo que ficou nítido no relato da morte e ressureição de Lázaro (João 11.21-45). Já em sua natureza divina, Sua onipresença, assim como os demais atributos, estava preservada em Sua totalidade (Mateus 28.20; João 10.30; Mateus 18.20). No Seu ministério terreno, Jesus foi totalmente homem e plenamente Deus, sem diminuição em nenhuma de Suas naturezas.

Ensinando Seus discípulos, Jesus expressou bem a Sua onipresença ao revelar: “...porque onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles” (Mateus 18.20). Não era apenas uma possibilidade retórica, mas, sim, uma afirmação carregada de um comprometimento com cada um dos Seus seguidores. Reunindo-se mostrando comprometimento com a mensagem de Cristo, O teriam no meio deles.

O evangelho joanino traz diversas passagens que mostram Cristo onipresente, próximo, atuante, redentor, salvador: o Verbo desde o início, com Deus, sendo Deus e assim revelando onipresença semelhante à do Pai (João 1.1); o Verbo fazendo-se carne, habitando entre nós e revelando-se a nós com Sua glória, cheio de graça e verdade (João 1.14); Cristo declarando ser, com Pai, um (João 10.30); e, em outros momentos, afirmando Sua existência antes Abraão (João 8.58) e anterior à criação do mundo (João 17.5,24).

Onisciência

A onisciência de Cristo era perceptível aos que vivenciaram certos momentos do ministério terreno. As pessoas admiravam-se ao perceber a forma como os seus pensamentos eram conhecidos por Jesus (Mateus 9.4; Lucas 9.47; Lucas 5.22; Lucas 6.8).

Até os mais cultos da época tinha suas mentes sondadas e confrontadas de forma impressionante. Certa vez, em Cafarnaum, Ele perguntou aos escribas: “Por que arrazoais sobre estas coisas em vosso coração?”. Veja bem, um grande milagre estava por acontecer, o homem paralítico contemplava o perdão dos pecados e, com grande expectativa, esperava o momento de levantar-se, tomar o seu leito (testemunho) e ir para casa (nova vida). No meio de tal enredo, o Mestre para, olha para os escribas que aguardavam a oportunidade de encontrar justificativas para condená-lo, e confronta-os. Os escribas saem envergonhados, enquanto a multidão glorificava a Deus (Marcos 2.1-13). A onisciência despiu os escribas da camuflagem da cólera, e Jesus seguiu o Seu caminho, plenamente humano, plenamente divino.

Em diversos momentos, a onisciência se manifestara na caminhada de Jesus: ao curar o homem com a mão mirrada (Marcos 3.1-6); ao falar com a mulher samaritana (João 4.18); ao revelar a morte de Lázaro (João 11.11-15); ao encontrar Natanael debaixo da figueira (João 1.47-51), entre tantas outras passagens.

Uma interessante questão chama-nos a atenção: considerando a onisciência, por que Jesus afirmou não saber nem o dia e nem a hora de Sua Segunda Vinda? Em Cristo, ambas naturezas coexistiam de forma completa, sem restrições, empecilhos ou diminuições. Essa é uma fala que revela uma limitação ligada à humanidade de Jesus, porém, sempre que preciso fosse, os atributos divinos eram acessados. O Mestre, ao afirmar “mas, daquele dia e hora, ninguém sabe, nem os anjos que estão no céu, nem o Filho, senão o Pai” (Marcos 13.32), o fez como homem, não usando a Sua onisciência, a característica divina.

Eternidade

Outro atributo revelado na divindade de Cristo diz respeito à Sua eternidade. Ser “eterno”, em sua essência, é algo que rapidamente vai além de nossa compreensão. Podemos até entender o conceito, porém a real compreensão do termo nos desafia. Nossa mente limitada é desafiada diante da informação de algo sem começo e sem fim, mas tão presente (Mateus 1.23), pleno (Colossenses 1.19) e acessível (João 10.9).

Quando o Senhor declara ser o Alfa e o Ômega, o Princípio e o Fim (Apocalipse 1.8), há uma demonstração clara da prova de Sua eternidade. A letra Alfa abre o alfabeto grego, assim como a Ômega o encerra, expressando a dimensão do atributo temporal da eternidade divina. Em várias outras passagens bíblicas, há indicações da eternidade de Jesus Cristo: na menção à criação (João 1.3); no resultado da salvação da humanidade (João 3.16); na relação com Deus Pai (Hebreus 1.5); no testemunho da imutabilidade (Hebreus 13.8), entre outras passagens.

Muitos ainda são os atributos que poderíamos abordar na sequência desse panorama; no entanto, apenas mencionaremos mais alguns para contemplação: unicidade (João 3.16), infinidade (Hebreus 1.12), amor (Efésios 3.19), providência (Marcos 16.20), misericórdia (Hebreus 4.15-16) e santidade (Lucas 1.35).

No ministério terreno, o Filho de Deus

Durante os anos em que Jesus caminhou pela terra, cumprindo o que havia sido designado pelo Pai (João 3.16), a Sua humanidade mostrou aos homens a possibilidade de, mesmo em meio às agruras do dia-a-dia, glorificar a Deus com suas vidas e almejar uma espiritualidade mais sadia. De forma maravilhosa, esse período também foi marcado pela forte manifestação da divindade de Jesus ao cumprir o que estava previsto durante Seu ministério no que se refere à salvação da humanidade e a chegada do Reino de Deus.

Jesus, apresentado como Messias, tinha essa condição intimamente conectada à proclamação da chegada do Reino de Deus. Aquele que haveria de salvar toda a humanidade era também o Emanuel enviado por Deus com toda a autoridade no céu e na terra, como promessa da presença permanente de Deus conosco. O Filho de Deus é apresentado por Mateus em momentos marcantes de seu evangelho: no batismo (Mateus 3.17), na confissão de fé (Mateus 16.16), na transfiguração (Mateus 17.5), no julgamento (Mateus 26.63), na cruz (Mateus 27.40,43,54) e na Grande Comissão (Mateus 28.18-20).

Se nos debruçarmos sobre as profecias messiânicas, perceberemos um fenômeno muito curioso e imensamente magnífico: há um grande número de menções no texto veterotestamentário apontando para o Senhor Jesus Cristo, o Messias, e revelando um planejamento por parte de Deus para, no tempo certo, a redenção da humanidade ser alcançada pelo sacrifício do Cordeiro de Deus. Vemos a indicação da divindade do Messias no cumprimento de todas as profecias em seus mínimos detalhes. Tudo o que havia sido anunciado cumpriu-se em Jesus.

Vejamos algumas das principais profecias messiânicas: concepção virginal (Isaías 7.14; Mateus 1.22-23); descendência davínica (2 Samuel 7.12; Mateus 1.1); visita de representantes reais (Salmos 72.10; Mateus 2.1-2); fuga da morte de inocentes (Jeremias 31.15; Mateus 2.17-18); rei ungido (Salmos 2.6; João 18.37); ensino por parábolas (Salmos 78.2; Mateus 13.35); sacrifício expiatório (Isaías 53.4; Mateus 8.17); traição (Salmos 41.9; João 13.18); cuspido (Isaías 50.6; Marcos 15.19); pés e mãos transpassados (Salmos 22.16; João 19.37); contado entre malfeitores (Isaías 53.12; Marcos 15.28); sedento na cruz (Salmos 69.21; João 19.28-29); lado perfurado (Zacarias 12.10; João 19.34-37); ossos inteiros (Salmos 22.17; João 19.36); ressureição (Jó 19.25; Isaías 55.3; Lucas 24.46; Atos 13.34); ascensão (Salmos 68.18; Efésios 4.8), entre muitas outras profecias.

Assim como as profecias apontam de forma incontestável para a divindade de Jesus e a Sua suprema obra expiatória na cruz, elas também nos levam a um sentimento de gratidão, paz, confiança e esperança em tal obra de amor que nos trouxe das trevas para a maravilhosa luz (Colossenses 1.13), da morte para a vida (2 Timóteo 1.10) e da perdição para a salvação (Filipenses 1.28).

A ressurreição de Jesus Cristo

“E se Cristo não ressuscitou, é vã a vossa fé, e ainda permanecei em vossos pecados” (1 Coríntios 15.17). Essas palavras de Paulo nos confrontam com uma belíssima verdade: Jesus morreu, mas ressuscitou! Um simples homem não conseguiria tal feito. Mas, além de verdadeiro homem, naquela cruz também estava pendurado, com pés e mãos cravados, o Filho de Deus. Quando aceitamos essa verdade, somos inundados com a certeza de que nEle temos acesso à salvação e à vida eterna.

O nascimento de Jesus foi sobrenatural, Sua vida foi uma sucessão de milagres, Sua morte foi ímpar e Sua ressureição nos encheu de ousadia para proclamar as boas novas a todo o mundo!

A ressureição de Cristo aponta para a realidade de que Ele é o Filho do Deus Vivo. O túmulo vazio trouxe sentido à nossa fé. Diferente de grandes vultos históricos que, diante de suas humanidades, foram tragados pela morte e repousam em suas sepulturas, o túmulo onde foi colocado o corpo de Jesus, ao raiar do terceiro dia, ficou vazio. Ele vive!

Quando estudamos um pouco mais a divindade de Jesus, a segunda pessoa da Trindade, nos sentimos impelidos a uma aproximação ainda maior com o Filho de Deus. Ao nos debruçamos sobre algo, crescemos em intimidade com tal temática. Com este tema não é diferente. Conhecendo mais acerca da divindade do nosso Senhor, percebemos o quão maravilhoso é o amor de Deus e o plano de redenção que nos permitiu ter acesso ao Pai. Glória a Deus!

Referências Bibliográficas

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por Marcos Tedesco

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