Do jornal Voz da Verdade até às novas mídias jornalísticas do século 21
A história da imprensa pentecostal no Brasil começa com as Assembleias de Deus. O primeiro passo foi dado no ano de 1917, quando os pastores assembleianos Almeida Sobrinho e João Trigueiro criaram, em Belém do Pará, o jornal Voz da Verdade, que circulava não apenas na capital paraense, mas também no interior do estado. O pioneiro jornal trazia informações sobre o andamento dos incipientes trabalhos das Assembleias de Deus na capital e no interior do Pará, e em outros estados do Norte e Nordeste do Brasil, além de artigos doutrinários, programação dos cultos com respectivos horários e endereços dos templos, e notas sociais.
O pioneiro Voz da Verdade
Na primeira página da primeira edição do Voz da Verdade,
datada de novembro de 1917, foi publicado um artigo com o tema “Jesus é quem
batiza no Espírito Santo e fogo”. A referida edição trazia ainda uma nota
informando a razão pela qual o jornal havia sido criado. Dizia ela: “Despidos de
qualquer pretensão egoísticas e revestidos do verdadeiro sentimento do dever
que nos impele a proclamar a verdade gloriosa que cingia a igreja primitiva,
saímos à arena jornalística, desejando um lugarzinho, posto que humilde, entre
os colegas de imprensa, para desfraldarmos o Estandarte da Verdade
atinente a todo o conselho de Deus”. E no seu primeiro editorial, havia ainda a
seguinte informação: “Nosso credo é tão-somente a Palavra de Deus. Nossa divisa
é, acima de tudo, manter o Espírito de Cristo. Nosso desejo ardente é que todos
cheguem ao conhecimento da Verdade pelo estudo criterioso da Bíblia. Nosso
pedido aos irmãos de quaisquer denominações evangélicas é que não blasfemem
contra a obra do Senhor, antes estudem nas Escrituras Sagradas. E nossa oração
é que este periódico seja usado como um instrumento para conduzir muitos ao
pleno conhecimento de que Jesus salva os pecadores e batiza os crentes com o
Espírito Santo e com fogo”.
Os jornais Boa Semente e Som Alegre
Infelizmente, o jornal A Voz da Verdade, cuja
circulação era quinzenal, teve uma curtíssima duração, com sua última edição circulando
em janeiro de 1918. Porém, já no ano seguinte, nasceria, pela instrumentalidade
do missionário Gunnar Vingren, fundador das Assembleias de Deus no Brasil
juntamente com o missionário Daniel Berg, o jornal Boa Semente, também em Belém
do Pará. Inicialmente, ele era apenas um órgão oficial das Assembleias de Deus
no Pará, circulando apenas no estado. Porém, em seguida, se tornou de
circulação nacional. O jornal contava com a colaboração do missionário Samuel
Nyström e circulou até o final de 1930, época em que sua tiragem já chegara a 3
mil exemplares.
Em novembro de 1929, o missionário Gunnar Vingren, que desde
1924 havia deixado a Assembleia de Deus no Pará sob a direção do missionário Samuel
Nyström para fundar a Assembleia de Deus no Rio de Janeiro, então capital do
país, criou o jornal Som Alegre, que se tornou o principal jornal de circulação
nas Assembleias de Deus no Sudeste e Sul do país, enquanto o Boa Semente
passou a circular apenas no Norte e Nordeste. O Som Alegre circulou também até
o final de 1930. Ele tinha como um de seus principais colaboradores a
missionária Frida Vingren.
Nasce o jornal Mensageiro da Paz
Em dezembro de 1930, por decisão da Convenção Geral das Assembleias
de Deus no Brasil, em sua primeira Assembleia Geral Ordinária, realizada
naquele ano no então templo-sede da Assembleia de Deus em Natal (RN), foi
decidido pelos pastores e missionários de todo o Brasil ali reunidos que os
jornais Boa Semente e Som Alegre seriam fundidos para se tornarem
um único jornal, que se tornaria o órgão oficial das Assembleias de Deus no
Brasil: o jornal Mensageiro da Paz. Neste ano de 2026, portanto, o
jornal Mensageiro da Paz completa 96 anos de fundação. Ele teve como seu
primeiro diretor o missionário Gunnar Vingren, tendo como vice-diretor o
missionário Samuel Nyström. O irmão Nyström assumiria a direção do jornal em
1932, com a partida da família Vingren de volta para a Suécia, devido a uma enfermidade
do irmão Gunnar, que faleceria no ano seguinte naquele país.
A Redação do jornal Mensageiro da Paz funcionava
inicialmente no mesmo endereço da Assembleia de Deus em São Cristóvão, Rio de
Janeiro, à Rua Figueira de Melo 232-A. Em 1937, quando o missionário sueco Nils
Kastberg era o pastor da igreja e também redator do jornal ao lado do seu diretor,
o Dr. Carlos Brito, Kastberg encontrou o irmão Emílio Conde trabalhando como
intérprete em um restaurante do Rio de Janeiro e o convidou a atender o expediente
da Redação do Mensageiro da Paz. Sentindo-se tocado em um dos pontos
fundamentais de sua vida, a sua vocação, Conde aceitou, tornando-se redator-secretário
do jornal a partir de 1939 e sendo o primeiro funcionário registrado da Casa
Publicadora das Assembleias de Deus (CPAD), fundada em 13 de março de 1940 e
que passou a ser a dona do jornal. A admissão oficial de Emílio Conde é datada
de 15 de março de 1940. Ele trabalhou depois como diretor do Mensageiro da Paz,
posição na qual permaneceu até 1968, quando pediu seu desligamento por motivo
de enfermidade. Ele faleceria em 1971. Conde foi substituído na função pelo
pastor Alcebíades Pereira de Vasconcelos.
A partir de 7 de março de 1938, a Redação do Mensageiro da
Paz passou a funcionar numa casa anexa ao novo templo da Assembleia de Deus
no Campo de São Cristóvão, 338, onde ocupava apenas seis pequenas salas,
medindo um total de 160 metros quadrados, que serviam de Redação, Secretaria,
Tesouraria, Depósito e Expedição. A Redação do Mensageiro da Paz se tornou
a sede oficial da CPAD a partir de sua fundação e registro jurídico em 13 de
março de 1940. Davam expediente ali o gerente, pastor Francisco Leopoldo
Coelho, que, apesar da precariedade das instalações, desempenhou um trabalho
considerado excelente; o jornalista Emílio Conde; o missionário Orlando Boyer,
que comentava Lições Bíblicas da Escola Dominical; e João Kolenda Lemos,
que trabalhava na Redação com copidesque e revisão de textos. Além desses, havia
uma secretária, uma tesoureira, o chefe da Expedição, que era Edísio Moreira e
Silva, um auxiliar de expedição e um office-boy. Por ocasião da expedição das
revistas da Escola Dominical ou do Mensageiro da Paz, era comum a
ajuda de mão-de-obra voluntária de assembleianos da cidade do Rio de Janeiro.
Durante seus 96 anos de história, o Mensageiro da Paz
já passou por várias fases, inclusive sendo vendido nas bancas do Brasil nos
anos de 1980 e início dos anos 2000, e tem se mantido um jornal atual, trazendo
a cada edição notícias da denominação no Brasil e no mundo, análise sobre os
principais acontecimentos em nosso país e no mundo abordados dentro de uma
perspectiva cristã, entrevistas, testemunhos edificantes e artigos devocionais,
doutrinários e apologéticos.
Outros veículos de comunicação e novos tempos
Em setembro de 1956, foi lançada a revista Seara, com
tiragem inicial de 11 mil exemplares, logo superada no segundo número. A terceira
edição superou os 20 mil exemplares. Ela surgiu como uma revista evangélica de
variedades e revelou talentos para o Brasil, dentre eles Antonio Gilberto da Silva,
José Apolônio da Silva e Sílvio Amaral, com suas crônicas. Após quatro fases
editoriais diferentes (1956, 1981, 1993 e 1997), ela se tornou, em 2000,
revista de linha editorial missionária sob a responsabilidade da Secretaria Nacional
de Missões (Senami) da CGADB.
Em 1977, foi lançada a revista Obreiro Aprovado,
voltada para liderança e a área de teologia. Ela continua em plena circulação e
deverá completar ano que vem, se Deus assim permitir, meio século de atividades
ininterruptas. Em 1978, foi lançada a revista Jovem Cristão, que foi
descontinuada em 1996, dando lugar para a revista GeraçãoJC, que
circulou de 1999 a 2018, ambas marcando época, com reportagens pioneiras
tratando sobre temas de grande interesse da juventude evangélica no país. A
revista Pentecostes foi lançada em 1999, mas teve pouco tempo de
duração. No mesmo ano, foi lançada a revista Ensinador Cristão, voltada
para professores de Escola Dominical e Educação Cristã em geral, se
consolidando e tendo permanecido até hoje como referência no país nessa área.
Em 1982, foi lançada a revista Círculo de Oração,
voltada para as mulheres assembleianas. Ela foi descontinuada em 1992, sendo sucedida
depois pela revista Mulher, Lar & Família Cristã em 2000, mas que
teve poucos anos de circulação, sendo substituída pelo site Mulher Cristã
da CPAD, que continua no ar até hoje, abençoando irmãs em todo o país e fora do
país.
Mesmo não sendo da área de impressos, mas é preciso
ressaltar a importância histórica, para as Assembleias de Deus no país, do programa
Movimento Pentecostal. Transmitido para todo o Brasil a partir de 12 de outubro
de 1996, o Movimento Pentecostal divulgava a atuação das Assembleias de Deus
nos diferentes segmentos da sociedade. No mês de agosto de 1998, o programa
passou por uma importante reestruturação, com a irmã Carla Ribas assumindo a
coordenação e a apresentação. A programação reunia reportagens, entrevistas,
louvor, testemunhos, mensagem da Palavra de Deus pelo presidente da CGADB e divulgação
dos produtos da CPAD, abençoando muitas vidas. Em junho de 2004, após um
período fora do ar, o programa Movimento Pentecostal voltou a ser
veiculado, desta vez pela emissora RedeTV. Continuou sendo produzido até o ano de
2011. Em 2018, voltou a ser veiculado pela tevê e depois somente pela internet,
sob a apresentação do pastor João Barbosa, até ser descontinuado em 2022.
Atualmente, além dos impressos Mensageiro da Paz, Obreiro
Aprovado e Ensinador Cristão, a CPAD conta com o site de notícias CPADNews,
criado em 2010, e com a TV CPAD, criada em 2018 e que deverá ter neste ano
ainda, se Deus assim permitir, uma nova programação com novos e modernos
estúdios e equipamentos, mantendo a mesma missão desde o início, desde o jornal
Voz da Verdade, que é, sobretudo, ser “um instrumento para conduzir muitos
ao pleno conhecimento de que Jesus salva os pecadores e batiza os crentes com o
Espírito Santo e com fogo”.
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