israel revertendo o cerco de seus inimigos

israel revertendo o cerco de seus inimigos

“E atravessou Jorão para Tzair e todos os carros de guerra com ele e sucedeu, ele levantou-se de noite e feriu Edom os que os cercavam ao redor dele e os capitães dos carros e fugiu o povo para suas tendas” (2 Reis 8.21 – em tradução literal).

O pequeno trecho das Escrituras Sagradas não é o de mais fácil tradução ou interpretação. Talvez por isso não seja um dos mais comentados, no entanto, é aquele que mais reflete o quadro atual de lutas e resistências no Oriente Médio.

Naqueles dias, o rei Jorão (de Judá) partiu para combater os edomitas na tentativa de debelar a revolta daquele povo contra o domínio dos hebreus. Seguindo em direção ao Sul, com suas tropas, carros e cavalos, o rei necessitava atravessar a região de Tzair ou Zair, Zoar, cujo nome – estreito, pequeno, apertado – anunciava as dificuldades enfrentadas na travessia. Jorão acampa, é cercado pelos inimigos, vence a batalha, ainda que o povo, ou seja, a massa dos combatentes, tenha se retirado, retornando às suas casas sem desfrutar da vitória alcançada.

A passagem não parece fazer sentido. O rei sai vitorioso e suas tropas fogem em debandada? Para nosso auxílio, contamos com a pesquisa de Chaim Herzog e Mordechai Gichon, autores do livro “Batalhas da Bíblia – uma história militar do antigo Israel”. Herzog chefiou o Serviço Militar de Inteligência de Israel e Gichon é especialista em História Militar, Geografia e Arqueologia, tendo sido oficial do serviço de informações em Israel. Hoje, é professor de Arqueologia e História Militar na Universidade de Tel Aviv. Para os pesquisadores, a marcha de aproximação das tropas judaicas foi longa e cansativa, em passagens estreitas e rochosas que, provavelmente, exigiram o desmonte dos carros de guerra e posterior remonte. Era necessário progredir com os carros, com a infantaria e com todos os serviços auxiliares. Além disso, as tropas necessitariam estar em vigília por, ao menos, um terço da noite. Enquanto isso, os edomitas avaliaram o número de soldados indo contra eles e perceberam que apenas um assalto súbito poderia oferecer-lhes alguma vantagem. Atacaram a tropa inimiga naquela noite, encontrando soldados exaustos por todo o esforço empregado. Lançaram-se ao ataque procurando atingir o rei e os comandantes dos carros, ou seja, a força ofensiva do inimigo. Para os autores, “Felizmente para si, Jorão foi acordado a tempo de armar e organizar a defesa dos soldados dos seus carros, agora sem os seus veículos. Se nessa noite o acampamento fora montado seguindo o padrão habitual, os ‘corredores’ estariam acampados nas proximidades ou em redor dos carros. Também eles devem ter aproveitado o pouco tempo de aviso para pegarem nas armas e acorreram à defesa. Parece que o rei e muitos heróis anônimos deram conta de si naquela noite, e que os edomitas foram repelidos através de inúmeros feitos de bravura pessoal. A sua derrota foi tão completa que Jorão conseguiu se retirar sem ser molestado com as forças que haviam combatido sob seu comando direto”.

Cercos são comuns em tempos de guerra. A História está repleta de exemplos de cidades e de exércitos que enfrentaram, de uma e de outra maneira, a experiência de estarem cercados por seus inimigos. O cerco é uma estratégia poderosa, que pode minar e derrotar – até sem armas, uma população inteira. Por isso, as cidades antigas e da Idade Média procuraram resguardar-se para qualquer tentativa por parte de seus opositores. Além de muralhas, torres e fossos, era necessário manter resguardadas as fontes de água, item essencial à sobrevivência, e de possuir reservas em alimentos e armas que lhes permitissem resistir aos comumente longos dias de limitações.

Resistir a uma investida assim expressava a bravura de um povo. Furar um cerco revelava tremenda ousadia. Raro seria e, por assim dizer, ato quase impossível, a reversão de um cerco, ou seja, não apenas deixar de estar cercado, mas mudar a situação de tal maneira e passar a cercar os inimigos. Tal ação militar é notável, difícil de ser realizada, mas, segundo os pesquisadores, conseguida por Jorão.

A tradução literal do texto, somada às pesquisas realizadas, levam à conclusão de que o rei de Judá obteve sucesso em reverter o cerco dos edomitas naquela noite. Devido ao ataque súbito e ao distanciamento do restante das tropas, não conseguiu incluir grande parte de seus soldados na batalha. Foi, portanto, com os chefes dos carros, acampados mais proximamente ao rei, que a vitória foi obtida. Aqueles que os cercavam foram cercados com a ajuda de uns poucos valentes. O povo, infelizmente, talvez até sem saber o resultado final da batalha, assustado ao perceber a aproximação dos inimigos, fugiu sem desfrutar da vitória. Somente viveram o triunfo aqueles que estavam próximos ao seu comandante supremo.

Apesar de raras, as reversões de cercos ocorrem. Vezes sem conta Israel viu-se sob as ameaças dos inimigos ao redor. Bombas apontadas, insultos propagados, datas determinadas para seu fim... Então, as alianças inimigas rompem-se, as armas opositoras falham, a pouca força mostra-se suficiente para combater e o inimigo sai em retirada. Estamos assistindo, mais uma vez, uma alteração significativa no quadro de forças no Oriente Médio, e isso quando não parecia haver mais qualquer possibilidade de alteração.

Reversões acontecem nos campos de batalha, sejam quais forem eles. Há reversões nos quadros ideológicos, nas estruturas legais, na organização das listas de prioridades de um país, nos planos e ações de um governo, nos conceitos e nos valores. Há, verdadeiramente, quem se assuste diante do número dos opositores e bata em retirada da luta antes mesmo de considerar a possibilidade da vitória. Reconheçamos: quem muito já caminhou, por vezes desmaia em suas forças e busca o conforto de um sono reparador. Mas, enquanto o rei comanda as tropas, é necessário estar em alerta, atento às ordens que exijam cumprimento imediato para, com valentia, prosseguir batalha contra o mal. A vitória ainda é possível. Os valentes da intercessão não podem desistir e os líderes de tropas não foram dispensados pelo Rei; as mulheres, unidas nos Círculos de Oração, não podem voltar seus olhos apenas para suas tendas, mas todos podem e devem crer que todo e qualquer quadro está sujeito a sofrer mudanças fundamentais. Ainda é tempo de crer, ainda é tempo de orar, ainda é tempo de guerrear. Olhemos para Israel e, mais uma vez, vejamos a mão de Deus agindo em favor de Seu povo. Conservando esse olhar e mantendo a proximidade com o Rei, vençamos nossas batalhas, revertamos os cercos e desfrutemos da vitória.

por Sara Alice Cavalcanti

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