Em todas as épocas, sempre as mulheres se mostraram mais religiosas do que os homens. Desde que se faz pesquisa sobre o assunto, em qualquer parte do mundo, todos os dados apontavam amplamente para isso. Muitos desses dados, inclusive, chegaram a ser reunidos há poucos anos na obra acadêmica Why are Women more Religious than Men? (“Por que as Mulheres são Mais Religiosas do que os Homens?”), dos sociólogos Marta Trzebiatowska e Steve Bruce, publicada pela editora da Universidade de Oxford em 2012. Nela, os especialistas afirmam categoricamente, após todos os levantamentos que haviam sido feitos até então: “As mulheres são mais religiosas do que os homens. [...] As mulheres são mais propensas do que os homens a orar, a praticar o culto e a afirmar que sua fé é importante para elas”. Em 2016, uma pesquisa feita pelo Pew Research Center em 84 países corroborou outra vez que as mulheres são muito mais religiosas que os homens no mundo, com essa diferença sendo muito significativa em 43 países e pequena nos outros 41 países pesquisados, onde se tinha quase um empate.
Entretanto, uma década depois, pesquisas divulgadas no final
do ano passado indicam uma mudança inédita ocorrendo a partir da Geração Z,
aquela formada por jovens com a idade entre 18 e 25 anos (nascidos entre 1999 e
2015). Por razões que ainda precisam ser discutidas melhor e serão apresentadas
nesta matéria, o número de mulheres que se afirmam “sem religião” nessa faixa
etária é muito maior do que o número de homens da mesma faixa etária. Simplesmente,
38% delas afirmam não terem religião – ou seja, cerca de 4 a cada 10. Enquanto
isso, 32% dos homens da mesma idade afirmam o mesmo, isto é, 3 em cada 10.
Esses dados são dos Estados Unidos.
A primeira pesquisa com a Geração Z a indicar isso foi feita
em 2023 pelo Centro de Pesquisa sobre a Vida Americana do American Enterprise
Institute, que constatou na época que 39% das mulheres da Geração Z afirmavam não
ter nenhuma filiação religiosa em comparação com 34% dos homens da mesma
geração. Em outubro de 2025, uma pesquisa do respeitado Instituto Barna, nos
EUA, confirmou a tendência: 38% das mulheres da Geração Z e 32% dos homens da
mesma geração se afirmam sem religião. Segundo a pesquisa, o menor nível de
envolvimento religioso na Geração Z está entre as mulheres, com as mulheres
jovens adultas relatando “os menores índices de leitura da Bíblia, oração e
frequência à igreja entre seus pares”, divulgou o instituto em 14 de outubro do
ano passado.
Por outro lado, os últimos levantamentos da entidade cristã Instituto
Barna – assim como de outros institutos de pesquisa – mostraram que a Geração
Z, de forma geral, é mais aberta à fé, como inclusive foi divulgado na edição
1.656, de março de 2023, do jornal Mensageiro da Paz, onde é informado que muitos
desta geração expressam curiosidade sobre Jesus e o desejo de explorar a
espiritualidade. O detalhe agora é que se sabe também que o número daqueles que
são menos interessados com a fé dentro da Geração Z estaria mais do lado das
mulheres do que do lado dos homens, “invertendo padrões normativos e levantando
questões urgentes para os líderes cristãos”, especialmente nos EUA, onde esses
dados se notabilizaram, como afirma o Instituto Barna. Essa pesquisa foi
realizada com 2.000 adultos e adolescentes dos EUA, com idades entre 13 e 24 anos,
e foram coletados utilizando amostragem por cotas para representatividade por
idade, sexo, raça/etnia, região, escolaridade e renda, e tem margem de erro de
+/- 2,1%.
Dados detalhados destacam mudança
A referida pesquisa do Instituto Barna ressalta:
“Consideradas por muito tempo a espinha dorsal da vida da igreja, as mulheres tradicionalmente
superaram os homens em afiliação religiosa, frequência e voluntariado. Hoje, o
oposto começa a se delinear entre as mulheres da Geração Z. Parte desta
pesquisa provém de estudos conduzidos pela Barna em parceria com a Impact 360, incluindo
o relatório mais recente sobre a Geração Z. As descobertas revelam uma profunda
mudança na forma como as mulheres jovens adultas se relacionam com a fé e apontam
para desafios críticos que a Igreja precisa enfrentar – 2 em cada 5 mulheres
jovens adultas se identificam como ‘sem fé’”. Os pesquisadores destacam ainda que
“mesmo entre adolescentes (de 13 a 17 anos), o padrão se mantém: 28% das
adolescentes se consideram sem religião, contra 22% dos adolescentes do sexo masculino.
É um sinal claro de que o cenário está mudando, desafiando suposições antigas
sobre quem tem maior probabilidade de se distanciar da religião”.
Os pesquisadores continuam: “A tendência vai além da
identidade e se estende à crença. Embora 73% da Geração Z diga acreditar em Deus
ou em um poder superior e 47% acreditem que Jesus é o único caminho para Deus,
esses números caem significativamente entre as mulheres jovens de 18 a 24 anos.
Isso sugere que, à medida que as mulheres jovens fazem a transição para a vida
adulta, elas têm menos probabilidade de manter ou adotar crenças cristãs fundamentais,
um padrão que pode ter efeitos a longo prazo no panorama religioso da próxima
geração. E o desapego não é apenas interno: ele se manifesta nos hábitos
diários e semanais. Em todas as práticas espirituais avaliadas, as mulheres
jovens adultas apresentam atualmente os níveis mais baixos de engajamento”.
No que diz respeito especificamente aos dados sobre oração, leitura
da Bíblia e ida à igreja, afirmam os pesquisadores: “Na oração, 58% das
mulheres entre 18 e 24 anos relataram ter orado na última semana, em comparação
com 63% das adolescentes mais jovens e mais de 70% dos adolescentes do sexo
masculino. Na leitura da Bíblia, apenas 31% das mulheres jovens adultas afirmam
ter lido a Bíblia na última semana, em comparação com 37% a 41% em todos os
outros grupos da Geração Z (mulheres jovens de 13 a 17 anos e todos os homens
da Geração Z). Na frequência à igreja, apenas 30% afirmam ter participado de um
culto religioso nos últimos sete dias – o menor índice entre todos os grupos
demográficos pesquisados. Esses declínios sugerem que as mulheres jovens
adultas não estão apenas se distanciando da crença, mas também das práticas que
tradicionalmente a sustentaram”.
A que se deve isso?
A pesquisa do Instituto Barna sugere que a conexão intergeracional
pode ser fundamental para restaurar a fé e o senso de pertencimento entre as
mulheres da Geração Z. Pelo que os dados apontam, parece que um distanciamento
no relacionamento está causando esse afastamento da fé entre as jovens adultas.
“Por trás das estatísticas, esconde-se um problema mais profundo: o distanciamento.
As mulheres da Geração Z não estão apenas se afastando da igreja – elas também
relatam a falta de apoio significativo por parte dos adultos em suas vidas”,
frisam os pesquisadores.
Segundo o levantamento, apenas 23% das mulheres jovens adultas
sentem-se apoiadas pelo pai, em comparação com o dobro dessa proporção (47%)
entre as adolescentes mais jovens; apenas 36% das mulheres jovens adultas
sentem-se apoiadas por suas mães, uma queda acentuada em relação aos 74% entre
as adolescentes; apenas 32% das mulheres jovens adultas acreditam que seus pais
as compreendem; e 33% das mulheres jovens adultas dizem sentir-se valorizadas
pelos adultos mais velhos.
Talvez o dado mais revelador, porém, seja que 40% das
mulheres da Geração Z concordam que “as pessoas mais velhas parecem não entender
a pressão que minha geração enfrenta”. “Esse percentual é muito maior do que o de
outros segmentos da Geração Z e reflete a sensação de ter que enfrentar tudo
sozinhas em um mundo complexo. Essa falta de relacionamento pode ser um dos principais
fatores que contribuem para o seu distanciamento espiritual. Sem adultos de confiança
para guiá-las, as jovens adultas se veem sozinhas diante das maiores questões
da vida”, asseveram os pesquisadores.
Algo a se considerar também, e que a referida pesquisa não
trata, é que a propaganda ideológica na mídia – filmes, séries, novelas,
revistas, livros, jornais, influencers na internet etc. – nos últimos dez anos passou
a ser focada no público feminino, desprezando o público masculino. A figura
masculina foi ridicularizada e psicologicamente emasculada, enquanto eram
exaltadas e “empoderadas” a figura feminina – sempre em uma linha progressista,
feminista – e as figuras ditas “alternativas”. Isso fez com que jovens e adolescentes
do século masculino que não se encaixavam nessa proposta ideológica se
voltassem para os valores conservadores e consequentemente para a fé. O psicólogo
canadense e autor best-seller Jordan Peterson, radicado atualmente nos Estados
Unidos, foi um dos que identificaram há poucos anos essa situação. Na época,
ele chegou a gravar um vídeo dizendo para os líderes das igrejas focarem no
público jovem masculino, que estava se sentindo deslocado e perdido e ansiando
pela fé. Entretanto, por mais que o apelo de Peterson tenha tido seu valor,
fato é que a igreja deve focar tanto nas mulheres como nos homens. Ambos desta
geração precisam ser alcançados pela mensagem transformadora do Evangelho.
Resposta ao problema: reconstruindo a fé por meio dos
relacionamentos
Os pesquisadores do Instituto Barba têm ressaltado que essas
descobertas entre as mulheres da Geração Z representam um grande desafio para
os líderes cristãos, mas também para os pais, já que a resposta para esse
problema entre as jovens mulheres desta geração está na reconstrução da fé por
meio dos relacionamentos, começando em casa, mas também se estendendo para a
igreja.
“Se quisermos ver mudanças nas trajetórias espirituais das
mulheres da Geração Z, os relacionamentos são o ponto de partida”, afirma
Daniel Copeland, vice-presidente de pesquisa da Barna. “A fé é uma habilidade que
precisa ser demonstrada primeiro, e relacionamentos fortes e de apoio podem
preencher a lacuna entre a dúvida e a crença”, enfatizou Copeland.
“Em vez de optar por programas melhores ou ações de divulgação
mais ostensivas, a Igreja talvez precise retornar a algo mais antigo e
duradouro: o discipulado intergeracional. Ao promover a empatia, oferecer mentoria
e criar espaços onde mulheres jovens se sintam vistas e apoiadas, as
comunidades de fé podem oferecer não apenas respostas, mas também um senso de
pertencimento”, declararam os pesquisadores.
A Bíblia nos fala da importância do amor, que é através dele
que o mundo verá Cristo em nós (João 17.21; 1 João 4.7,8). A verdade deve ser
sempre ensinada, nunca negligenciada, mas sempre seguida e comunicada em amor
(Efésios 4.15). A Bíblia também enfatiza a importância da vida cristã em
comunidade. Versículos como Hebreus 10.24,25 incentivam os crentes a se reunirem
juntos e se encorajarem mutuamente na fé, mostrando o valor da comunidade e do
apoio mútuo. É muito importante os jovens estarem integrados à sua igreja, à
sua comunidade de fé, servindo ao Senhor na casa de Deus. Nutramos, valorizemos
e priorizemos o nosso relacionamento com Deus, mas também nossos
relacionamentos entre pais e filhos, e entre as famílias e a igreja.
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