O termo terapia é normalmente usado no ambiente médico, porém, muitos autores incluíram-no em múltiplos contextos, inclusive o eclesiástico. A etimologia da palavra terapia nos leva ao entendimento de um tratamento particular, algo benéfico, e o contrário disso seria um efeito colateral, ou seja, que fuja do benéfico. Tendo tal abertura, lançamos mão da oportunidade para refletir sobre uma Família Terapêutica, entendendo que a família deve ser um ambiente gerador de cura, de reabilitação e saudável, através de um convívio de amor e regado de felicidade. Qualquer coisa diferente disso, não representa o papel original da família, e resulta em prejuízos físicos, emocionais e espirituais. Cabe a cada um de nós refletirmos se nossas famílias são ambientes terapêuticos ou geradores de enfermidades. Vejamos alguns fundamentos de uma família terapêutica:
Primeiro - Não se rende ao pecado – aqueles que desejam
alcançar a cura para vossas almas não podem permanecer na prática do pecado. E
uma família sadia, não consente, não se omite nem se acovarda diante da possibilidade
de santificar seus membros. Os bons pais não são os permissivos, nem os
liberais, são os que orientam seus filhos nos princípios eternos da Palavra de Deus.
Ainda que num primeiro momento enfrentem certa resistência por parte de seus
familiares, num futuro próximo serão recompensados.
Segundo - É guiada pelo Espírito Santo – todas as ajudas
sempre serão bem vindas, a fim de firmarmos os passos das famílias fragilizadas.
Todavia, uma indispensável intervenção será a do Espírito Santo. Nossa luta não
é contra carne ou sangue, mas contra principados e potestades. E é o Espírito que
nos assiste em nossas necessidades, intercede por nós e nos reveste de
autoridade para vencermos as batalhas contra o reino das trevas. Nós recebemos
o Espírito (Gálatas 3.2), nascemos do Espírito (Gálatas 4.29), andamos no Espírito
(Gálatas 5.16), produzimos frutos do Espírito (Gálatas 5. 22,23), vivemos no Espírito
(Gálatas 5.25). Famílias terapêuticas são aquelas que seus membros são agentes inspirados
para realizar a cura, repelindo os espíritos de morte. O Espírito Santo faz das
coisas complicadas, fáceis; das enrijecidas, flexíveis; do longo caminho,
curto; da frieza, calor; e da fraqueza, força.
Terceiro - Trata com amabilidade seu próximo - o
apóstolo ordena: “Irmãos, se alguém for surpreendido nalguma falta, vós que sois
espirituais, corrigi-o com espírito de brandura”. Precisamos lidar com tato,
cuidado, amor e misericórdia para com os que foram marcados pelo pecado e
surpreendidos pela fraqueza. A brandura aplaca a ira. O amor supera o ódio. A misericórdia
revigora a alma abatida. Ao invés de expormos os ferimentos, temos a missão de sará-los
em amor. Sabendo que toda disciplina visa a restauração do caído não sua
destruição. Erroneamente, alguns obreiros usam a palavra exortação como sinônimo
de surra, castigo, etc. Devemos cuidar para não cairmos nas mesmas tentações e
pecados que nos rodeia. A presunção e a arrogância são atitudes perigosas e
adoecem o coração. Temos a tendência de projetar nossas falhas nos outros e
acharmos que somos intocáveis. Uma família terapêutica valoriza cada membro, cada
momento, cada dia em comunhão, sem nunca descuidar do perigo eminente nos ronda
ao derredor.
Não podemos desconsiderar a gama de pessoas que sofrem com os
conflitos de famílias e casamentos. À igreja, cabe buscar em Deus condições de
exercer papeis terapêuticos, na expectativa de contribuir para que as famílias,
pelo poder da Palavra de Deus, sejam restauradas e/ou consoladas diante das
agruras da vida.
Quinto - Sabe a importância do cuidado – tudo nesta vida
carece de cuidados específicos. Desde os objetos comuns, a aparelhos eletrônicos,
até o homem, necessitam de cuidado. Nos primeiros meses de vida revelamos nossa
total dependência do outro, e por mais que tentemos ocultar esta realidade na
fase adulta o dia-a-dia revela; não nos deixa mentir. O contexto conjugal não é
diferente, como podemos ver na classificação abaixo: Recém-nascido – Este período
é assim definido pela sua fragilidade, imaturidade, dependência, mas também, pelo
encanto do novo, da inocência, do brilho do romance e encanto pela descoberta
da vida a dois. Muitos infelizmente não sobrevivem aos embates, sucumbindo ao
ciúme, a cobranças descabidas, ao comportamento possessivo e conflito de
papeis.
Adolescência – Neste período o casal já desfruta de
certa vivência e experiência mutua, mas ainda mantém fortes características do “recém-nascido”.
Difere, no entanto, quando já procura certa autonomia, movido por um espírito
de desafio e curiosidade pelo novo. Incorre em vários erros primários, pois
deseja muitas coisas sem saber muito bem o que. A insegurança e a mudança contínua
de pensamento estão presentes, e na busca de ajuste, há muito desgaste.
Juventude – Quando chega nesta fase, o relacionamento
é mais sério, mais ponderado, e começam a pensar no futuro distante, nas conquistas
materiais, na realização de um filho. Ainda que as instabilidades ainda existam,
já estão sendo substituídas pelos relampejos da fase adulta. Neste período se enxergamos
muitas coisas, vários erros que levam a reavaliar a situação e diante delas até
pensam em desistir, mas o desejo forte que lhes impulsionam insiste em afirmar que
devem prosseguir.
Adulto – Nesta fase, já existem os filhos, dão maior
atenção ao trabalho e as preocupações da vida, há uma tendência natural de afastamento
do casal diante das demandas da vida. Em muitos casos, os sentimentos não são
intensos como na fase “recém-nascido” e “adolescência”, todavia, é para ser
mais sólido, fundamentado e constante. É a fase que mais constroem juntos,
ajudam a outros da família e pensam no legado que deixaram a seus filhos e
netos.
Melhor idade – Este é um período que requer cuidados.
É nela que ocorre a “síndrome do ninho vazio”, quando os filhos vão embora, a
casa fica vazia e o casal não consegue mais se aproximar como nas fases
anteriores. Alguns optam pelo divórcio, outros entram em conflitos emocionais e
relacionais, mas há os que resgatam tudo de bom das fases anteriores, aplicam
no presente e injetam ânimo novo na relação, desfrutando assim do restante dos
dias de forma alegre e tranquila dos frutos de seus esforços.
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