Lições que os pentecostais têm a ensinar

Lições que os pentecostais têm a ensinar


Em 1990, o teólogo católico José Comblin publicou um texto em uma revista acadêmica sobre a atuação das Comunidades Eclesiais de Base no Nordeste brasileiro. Depois de extensiva reflexão sobre o tema, o autor lançou uma pergunta em seu artigo: “O que os pentecostais têm a nos ensinar?”. Então, a partir dessa questão, passou a elencar as marcas do pentecostalismo brasileiro, citando, inclusive, as Assembleias de Deus. Desejo refletir sobre os pontos que ele colocou, lá em 1990, e verificar se continuamos nesse mesmo foco, quase 30 anos depois daquele artigo.

1. Atendimento pessoal – Segundo o autor, o que mais chamava a atenção entre os pentecostais era o calor pessoal com que tanto os pastores quanto os membros recebiam a pessoa que chegou à igreja pela primeira vez. As pessoas são acolhidas desde o primeiro contato com a igreja. Mas, esse contato pessoal não se limitava à visita ao templo. Os crentes também faziam visitas nas casas, na rua, nas cadeias públicas, nas praças públicas, nos hospitais, nas escolas e em todas as demais instituições. Nas palavras do teólogo, “os crentes oferecem apoio, ajuda, orações, bênçãos aos doentes”. Diante dessa colocação, questionemos: nossos visitantes ainda se sentem bem recebidos e acolhidos por nossos irmãos e irmãs? Já no primeiro contato, tomamos nota do nome, endereço e contato telefônico para futuros encontros? Como está nossa força evangelizadora? E ainda mantemos uma rotina de visitas aos crentes, famílias menos favorecidas, doentes e famílias com os mais diversos problemas? A visita pastoral pode ser um consolo em tempos de dificuldade e refrigério em momentos de tribulação.

2. A comunidade fraterna – Comblin lembra que, entre os pentecostais, ninguém ficava isolado, mas todos eram valorizados. Ninguém era anônimo no meio da multidão. Ao contrário, as pessoas se sentiam parte do novo grupo social, membros do Corpo de Cristo, e recebiam todas as expressões de fraternidade e amor. O autor diz: “Todo esforço é feito para promover o calor humano e fazer com que os novos membros se sintam parte de uma família que os adotou entre eles”.

Nesse segundo ponto, como nós, pentecostais, estamos nos saindo? A fraternidade, a comunhão e o amor entre os irmãos ainda são nossas marcas? Vivemos, de fato, o Salmo 133, que afirma que é bom e é suave vivermos em união? É de bom alvitre que lutemos para manter essa marca do amor, ensinada por Jesus, promovendo todos os crentes e incluindo-os efetivamente na família de Deus. Temos que lutar contra o isolamento e para promovermos a valorização de todos, para glória de Deus.

3. A valorização da pessoa – A experiência da conversão entre os pentecostais era celebrada com oração e lágrimas, com festa e celebração, tal qual o pai do filho pródigo no retorno do filho (Lucas 15.24). E havia uma recuperação da personalidade daquele que vivia de maneira instável antes de conhecer Jesus, como afirma Paulo (2 Coríntios 5.17). O teólogo lembra que, entre os pentecostais, a conversão levava o novo crente a uma recuperação moral, promoção intelectual e prestígio social. Esse homem e essa mulher não queriam mais viver nos vícios do alcoolismo, da prostituição ou de qualquer outra imoralidade. Há um código moral e espiritual por meio da habitação do Espírito Santo, que produz nele e nela o fruto do Espírito (Gálatas 5.22). Há melhoria intelectual, pois os crentes aprendem a ler a Bíblia e são incentivados a participar da Escola Dominical, e, por fim, a renovação moral e intelectual que incentiva os novos crentes a buscar valores como honestidade, fidelidade, organização e confiabilidade – qualidades apreciadas na sociedade civil. Que o Senhor Jesus nos ajude a manter essa marca maravilhosa na dependência do Espírito Santo. E celebremos a chegada do novo membro à família de Jesus.

4. Simplicidade na adoração – Aqui, o autor usou outra expressão: “o conteúdo da religião”. O sentido, porém, é o mesmo. Comblin lembra que, apesar de outras igrejas não se importarem com alegria e espontaneidade, “para os crentes é diferente. Na igreja, só se ouvem gritos de aleluia. Aí há uma tonalidade de esperança e de vontade de viver e de triunfar que ajuda no meio dos sofrimentos”. Ainda se ouvem gritos de aleluia em nossos templos? Os gritos de adoração ainda são nossa marca? Mesmo com o avanço tecnológico e com o bom uso de todas as ferramentas que ajudam em nossos cultos, a exemplo dos telões, computadores, cultos transmitidos ao vivo pela internet, ainda mantemos a simplicidade de nossa adoração, a pureza de nossos louvores e nosso compromisso integral com a pregação da genuína Palavra de Deus?

5. Todos missionários – Entre os pentecostais, todo crente era um missionário. Comblin lembra que, entre nós, isso não era feito por obrigação, mas por um impulso interno que nos compelia a falar de Jesus nas casas, ruas, praças, presídios, hospitais e em todos os lugares que tivermos oportunidade. Ele lembra que “o testemunho está neles e não podem não falar, oportuna ou inoportunamente. Não se preocupam se importunam. Falam assim mesmo. Não se sentem acanhados. Falam a pessoas mais cultas do que eles. Como se o próprio Jesus falasse pela boca deles. Com ousadia e segurança”. Nossas igrejas ainda mantêm esse impulso missionário? Estão “alvoroçando o mundo” (Atos 17.6)?

6. O pastor – Na análise de Comblin, o êxito do crescimento dos pentecostais está centralizado na figura do pastor local. Jesus é Senhor da Igreja, e a Igreja foi edificada por Ele (Mateus 16.18), mas um pastor local cheio do Espírito Santo, convicto em sua alma das verdades do Evangelho e com o coração cheio de amor pelas vidas, pode impactar muitas pessoas com o anúncio do Evangelho de Cristo. As igrejas precisam de pastores que pastoreiem o povo com amor e na direção do Espírito (Jeremias 3.15).

Que Deus nos ajude a permanecer nessas atitudes e a compartilhar essas lições às futuras gerações.

por Jonas José

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