Dados sobre o clima em Israel

Dados sobre o clima em Israel


O início do inverno astronômico, 21 de dezembro de 2025, marca a intensificação do chamado inverno meteorológico, que se estende de outubro a abril, sendo que o aguardado período chuvoso inicia em dezembro e segue até fevereiro. O Estado Judeu desfruta do clima mediterrâneo, basicamente dividindo o ano em dois grandes períodos, um deles seco e quente, seguido de outro, frio e chuvoso. Jerusalém terá temperaturas entre 22 graus, a máxima, e 11 graus, a mínima, para os próximos dias, com sol entre nuvens e possibilidade de alguma chuva. Em Tel Aviv, o clima presenteará os moradores da costa mediterrânea com temperaturas entre 29 e 14 graus. Em Bersheva, 14 graus é o mínimo e 27 o máximo, números confortáveis para aquela região. Mesmo o calor de Haifa (27 graus) oferecerá um ambiente ameno para o israelense (Meteored tempo.com).  Se comparado às nevascas enfrentadas pela Argélia, seguidas de chuvas devastadoras, às inundações repentinas no Sri Lanka ou às tempestades em Sumatra, Indonésia, o clima no Oriente Médio apresenta agradável discordância.

O mesmo não se pode dizer do clima político em Israel, marcado por tensões internas, especialmente com o reavivamento dos conflitos entre o partido da direita conservadora e do partido centrista de Yair Lapid (conflito aparentemente amainado durante os esforços empreendidos para a recuperação do país depois do 7 de outubro). Entre acusações a Benjamin Netannyahu, considerações sobre uma aceitação formal de culpa por falhas de procedimento em administrações anteriores, seguidas de um pedido de perdão (seria viável?) e o entendimento de que o atual primeiro-ministro é o homem certo para estar no comando na nação neste momento, as discussões avançam sem aparente solução. No Knesset, o clima está de tenso a agressivo, com rajadas de acusações mútuas e decisões intempestivas.

Fora de Israel, a comunidade enfrenta o desconforto de ambientes tensos ou, como declarou Abe Wertenheim ao Jewish Voice News, uma “crescente onda de hostilidade antissemita que assola campi universitários americanos desde 7 de outubro”. Prova disso foi o ataque sofrido pelo Templo Wilshire Boulevard, uma sinagoga de 162 anos, na quarta-feira última, durante um evento comunitário proposto a reunir as comunidades de judeus e coreanos em Los Angeles, para fortalecimento de laços e como um fórum de educação e esclarecimento às duas comunidades, apresentando “aos moradores coreanos do bairro os protocolos de segurança utilizados por instituições judaicas em risco, em face ao aumento dos crimes de ódio”. As 9h30, durante palestra da estudante de medicina Eliana Jolkovsky, cerca de 15 manifestantes com os rostos cobertos passaram a praticar atos violentos, com palavras de ordem contra Israel e acusações do tipo “assassinos de bebês”, “porcos sionistas” e “chega de ocupação”. Objetos foram quebrados, ameaças foram feitas, duas pessoas foram presas e o evento foi grandemente afetado. O presidente da Federação Judaica da Grande Los Angeles declarou: “Estamos indignados e condenamos este comportamento antissemita nos termos mais veementes”. Acrescentou: “Não há lugar em nossa comunidade – nem em lugar nenhum – para o antissemitismo e o ódio disfarçado de militância”. Karen Bass, prefeita de Los Angeles, condenou a atitude dos manifestantes, que gritavam em defesa do posicionamento político de Pyongyang e Teerâ com relação aos judeus. Bass disse que tais posturas “não têm lugar em Los Angeles”. Entre os expectadores do evento que se propunha pacífico estavam idosos e crianças assustadas. Entre os manifestantes, um homem trazia, amarrado no corpo, uma criança de colo aos prantos, fazendo-a de escudo inglório, em indisfarçada covardia. O comentário de um dos presentes, membro da comunidade coreana, resume bem nossa tratativa, ao perguntar: “Então é isso que vocês vivenciam?”.

A conclusão, por mais óbvia que possa parecer, precisa ser lembrada, ou seja, somente aqueles que experimentam o clima local conseguem sofrer ou gozar de suas variações. A experiência do preconceito em razão de cor, sexo, nação, condição financeira, social ou outras tantas ditas ‘razões’ é algo que fere o ser humano no mais profundo de seu íntimo, naquilo que ele é, e que não pode ou deve ser alterado.

Igor Sabino, em seu recente livro “Jesus, um judeu – o absurdo do preconceito cristão contra o povo do Messias” (Mundo Cristão, 2025), introduz suas reflexões com a súmula de um importante relatório anual, produzido pela Liga Antidifamação e pela Universidade de Tel Aviv (Yom HaShoah, 2024), segundo o qual “houve um aumento significativo dos casos de antissemitismo ao redor do mundo. Isso se deu principalmente após o massacre perpetrado pelo Hamas. Segundo o levantamento, nos meses seguintes àquele dia fatídico, os incidentes de ódio aos judeus cresceram em praticamente todos os países onde há uma comunidade judaica significativa, inclusive no Brasil. De acordo com o relatório, os casos de antissemitismo no Brasil subiram de 432 para 1.774 entre 2022 e 2023. Apenas no mês de outubro, segundo a Confederação Israelita do Brasil (Conib), as denúncias aumentaram quase 1000%, de 42 em outubro de 2022 para 467 no mesmo mês em 2023. Nesse sentido, um dos exemplos mais emblemáticos de racismo antijudaico aconteceu em fevereiro de 2024, quando uma comerciante judia de Arraial d’Ajuda, na Bahia, foi atacada e agredida em seu próprio comércio por uma mulher que a acusava de ser uma “judia assassina”. Antes disso, em janeiro, uma sinagoga em Santos, em São Paulo, foi vandalizada com pichações relacionadas à [guerra] (1) entre Israel e o Hamas. Em março, outra sinagoga na mesma cidade também se tornou alvo de ataques antissemitas.”.

Com incidentes como esses acontecendo em vários países, todos sob a marca do ódio a Israel e aos judeus de maneira geral, consideramos o clima altamente desfavorável ao povo da promessa. No Brasil e no restante do mundo, numa expressão de ódio universal, embora não unânime, alastra-se a teia antissemita e antissionista através de grupos, associações e espaços franqueados em redes sociais. O antissemitismo frequenta as universidades e assenta-se em bancos de instituições religiosas. O clima de tempestade chega a assustar, não fora nossa confiança naquele que experimenta conosco a mesma força dos ventos e dos mares. Ao tornar-se o horizonte assustador, contudo, ouçamos a voz dAquele que tem poder para dizer aos elementos: “Aquietem-se!”, e gozemos, na presença dEle, perfeita e gloriosa Paz.

Nota

(1) Evitamos, em nossos textos, o termo ‘guerra’, quando nos referimos ao conflito entre Israel e o Hamas, em virtude de não se tratar de um embate entre duas nações soberanas, mas entre uma nação e um grupo terrorista. O termo figura aqui em respeito ao uso que dele faz o citado autor.

por Sara Alice Cavalcanti

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