Da rubéola congênita ao ministério

Da rubéola congênita ao ministério


Hidrocefalia, paralisia, surdez, sopro e dificuldade de fala vencidos pela ação divina

Paulo Ricardo Avelino Diniz nasceu como o único filho homem de Francisco de Assis Diniz e Maria Goretti Avelino Diniz, sendo o mais novo entre cinco filhos. Desde a gestação, sua vida se mostrou marcada por desafios extraordinários, o que o tornou um verdadeiro testemunho de milagres.

Entre o segundo e o terceiro mês de gravidez, sua mãe contraiu rubéola, causando em Paulo rubéola congênita, o que resultou em hidrocefalia, má-formação nos pés — com paralisia e encurtamento dos tendões —, fragilidade muscular, surdez no ouvido esquerdo, sopro no coração e diversas dificuldades motoras e de fala. A medicina foi categórica: Paulo teria expectativa de vida limitada até os oito anos, precisaria usar cadeira de rodas e jamais teria uma vida normal.

No entanto, o que parecia um destino trágico se transformou em uma narrativa de fé. Certo dia, quando o pai dele saiu para trabalhar, Deus enviou à casa da família uma irmã conhecida pela vida de oração, que trouxe aos Diniz uma mensagem profética. “Ela disse que no ventre da minha mãe estava se formando um menino que se tornaria um ministro do Evangelho na obra de Deus. Ainda falou que meu testemunho seria de grande milagre”, conta Paulo, lembrando-se das inúmeras vezes que a mãe já narrou a história.

A criança nasceu com os problemas indicados pelos médicos. Mas, contrariando a medicina, aos oito meses, o sopro no coração do menino desapareceu; e aos dois anos, pela primeira vez, levantou a cabeça sozinho. Passados dois anos, por insistência da irmã primogênita, Alessandra Diniz, que à época estava concluindo o curso de Medicina, a mãe levou Paulo a um médico especialista. No consultório, o profissional disse palavras que desmotivaram a mãe, embora ela carregasse no coração a esperança da promessa divina. O médico informou que Paulo necessitaria passar por pelo menos duas cirurgias — uma para implantar uma válvula na cabeça e outra cirurgia nos pés —, mas nenhuma delas garantiria a cura completa.

Quando o médico deu essa informação, a mãe orou e disse: “Jesus, eu sei que Tu estás no controle. Esta notícia não foi um insulto a mim, mas um insulto ao Senhor. Eu quero ouvir da boca do próprio médico que meu filho não passará pelo que estão prevendo”. Diante das notícias desanimadoras, a mãe de Paulo fez um voto: prometeu que, se o filho fosse curado, ele serviria ao Senhor; e ela, todas as terças-feiras, enquanto tivesse vida, iria ao templo das 9h às 11h.

Outra profecia, recebida pela irmã Maria Goretti por meio de um pastor, indicava que o próprio Deus faria o milagre. A mensagem dizia que nenhum médico tocaria na vida do menino com intervenção cirúrgica, e que através dele vidas seriam tocadas, curadas, transformadas e libertas.

Meses depois, com os exames pré-operatórios quase prontos, o médico que prescrevera as cirurgias sofreu um acidente automobilístico, o que exigiu o adiamento dos procedimentos. Nesse intervalo, tomada por grande fé, a mãe colocou o menino em pé na esperança de que ele se locomovesse. Para surpresa de todos, ao ser solto, Paulo deu dois passos.

Quando o médico solicitou o retorno da família ao consultório para dar seguimento aos preparativos cirúrgicos, a mãe contou o que havia acontecido. Incrédulo, o médico pediu prova. Quando a mãe colocou o menino no chão, ele deu cinco passos. Atônito, o profissional da saúde começou a chorar, dizendo que o que estava acontecendo ali era um milagre, algo impossível de acontecer. Depois do ocorrido, o médico cancelou as cirurgias e prescreveu fisioterapia como acompanhamento do tratamento.

Além do sofrimento físico enfrentado, Paulo recorda o quanto foi difícil suportar o bullying do qual era alvo. “Passei por esse problema tanto na escola quanto na denominação anterior onde congregava. Entre as muitas frases que ouvi, estavam: ‘Ninguém vai brincar com este aleijado’; ‘Esse aí nunca vai casar, nunca vai dar certo na vida’. Fui lutando contra isso tudo dia após dia. Algo que me ajudou bastante foi, ao passar a congregar na Assembleia de Deus, sentir-me abraçado. Nela, na qual já estou há mais de 15 anos, o Senhor vem cumprindo aquilo que disse sobre mim. Cada uma daquelas palavras contrárias ficou para trás”, conta.

Cada etapa de superação era um sinal evidente de que sua vida seria marcada por milagres contínuos, sinais que fortaleciam a fé da família e prenunciavam a futura trajetória ministerial.

Sobre a mãe e o voto, Paulo relata: “Diante das bênçãos recebidas, minha mãe cumpriu o voto: todas as terças-feiras, ela vai ao templo no horário especificado. Também, todos os dias, de segunda a sexta-feira, ela vai ao culto matutino, há mais de 35 anos. Com 75 anos hoje, mesmo com o mal de Alzheimer, ela tem se esquecido de muitas coisas, mas não se esquece do testemunho, que narra com frequência, e muito menos do voto que fez ao Senhor”.

Hoje, aos 38 anos, Paulo é formado em Teologia e Administração, casado com a missionária Bianca Diniz e pai de Paulo Júnior, de seis anos. Além de servidor público concursado do quadro efetivo da Secretaria Municipal de Saúde de Campina Grande, é evangelista na Assembleia de Deus do município, atuando com a esposa como secretários da União de Crianças das Assembleias de Deus campinenses e da Convenção de Ministros da Igreja Evangélica Assembleia de Deus em Campina Grande e no estado da Paraíba (COMEAD-CGPB), ao lado do pastor presidente Dari Ferreira da Silva.

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