Professor da Escola Dominical

Professor da Escola Dominical


Não há como falar em professor sem falar em escola. Escola, segundo o Dicionário Aurélio, é casa ou estabelecimento onde se recebe ensino, a instituição social que ministra a educação sistemática comum ou especial, ou, o conjunto de alunos e professores de estabelecimento de ensino sistemático.

Escola Dominical, como o próprio nome sugere, é uma escola de ensino sistemático da Bíblia aos domingos. Por se tratar de um departamento ativo da igreja que leva o ensino da Palavra de Deus ao infante e ao ancião, de maneira pedagógica e sistemática, é, por conseguinte, uma escola especial, que não contém no seu bojo currículo de matérias de cunho tão somente pedagógico e nem confere diplomas pertinentes às exigências legais estabelecidas pelo Estado, por não enfocar disciplinas seculares.

Seu objetivo é a abrangência das doutrinas bíblicas bem como de conteúdo ético-social. Seu currículo é livre, de maneira a atender necessidades atuais.

O estudo ministrado é de duração contínua e ilimitada, pois não há um ponto que determine o seu começo e o seu encerramento. O aluno pode ingressar desde a mais tenra infância e prosseguir estudando até a mais longa velhice, sem, contudo, esgotar o conteúdo do ensino.

A Bíblia é estudada por temas que se reciclam periodicamente sem configurarem módulos pré-estabelecidos.

Sem sombra de dúvida, a Escola Dominical é a maior instituição estável de educação religiosa dentro das paredes das igrejas evangélicas, onde crianças, jovens e adultos, analfabetos ou intelectuais, ricos ou pobres, sem distinção de nacionalidade, cor ou sexo, todos podem se matricular.

Aos domingos – na igreja – através dos tempos

A Escola Dominical tornou-se a maior, a mais sólida e a mais notável instituição de ensino religioso a desafiar os tempos, pois a grande maioria das igrejas evangélicas no mundo inteiro adota esse singelo, porém profícuo sistema de ensino bíblico aos domingos.

Ela é uma escola abençoadas que, não obstante ter enfrentado toda sorte de oposição e todas as mudanças ocorridas nestes séculos, está em nosso meio dominical em pleno limiar do século 21.

Oposição

No Brasil, o precursor foi o médico missionário escocês, Robert Kalley. Junto à sua esposa Sarah, em 1855, na cidade de Petrópolis (RJ), fundou a Escola Dominical, base para o surgimento da Igreja Congregacional em nosso país.

Conta-se que o missionário teve o consentimento do imperador Dom Pedro II, o qual chegou a pedir-lhe que ministrasse palestras para a família imperial sobre a Terra Santa. Isso, contudo, não impediu severas críticas ao seu trabalho, partidas do clero, na capital do Império.

Em Petrópolis, ainda existe o marco alusivo à Escola Dominical, na área onde funciona hoje o Colégio Opção, situado na Rua João Caetano,154, Centro, onde fora residência do casal missionário por longo tempo.

Esta escola tem algo interessante a destacar em apenas 50min/aula/ domingo, que correspondem somente a 52h/aula/ano, os resultados são extremamente surpreendentes. Qual o grande pastor, evangelista, pregador ou missionário que não tenha passado pelo banco de uma Escola Dominical? Qual o grande líder que um dia não se sentou em frente a um simples professor dessa singular escola?

Algo tão glorioso e genial só poderia partir de nosso Pai Celeste, pois a Bíblia nos revela que sempre foi seu propósito que seus filhos aprendessem sua Palavra (Deuteronômio 6.7; 11.19).

Não poderia ser diferente com seu Filho Jesus, o mestre por excelência. Ele diz: “E aprendei de mim” (Mateus 11.29). Sempre ensinando, deixou-nos essa missão: “Ide e ensinai” (Mateus 28.19-20).

Dentre os cinco dons espirituais distribuídos por Deus à Igreja, está o de mestre (Filipenses 4.11) e não foi sem razão que o apóstolo Paulo admoestou o jovem Timóteo a ensinar com persistência (1 Timóteo 4.13).

Se há escola, há de ter professor.

Preparo acadêmico e espiritual

Os vocacionados por Deus são os que devem se alistar para tão gloriosa tarefa.

Só é professor da Escola Dominical aquele verdadeiramente vocacionado, pois a tarefa não é para profissionais. Não há remuneração.

Não obstante as qualificações acadêmicas, o professor da Escola Dominical deve ter chamada para o mister embora não sejam desprezados seus conhecimentos seculares cumprindo assim a Palavra: “Se é ensinar haja dedicação ao ensino” (Romanos 12.7).

Conquanto esse mestre não possua formação específica como professor secular, faz-se necessário, no mínimo, o conhecimento bíblico que venha a satisfazer a exigência para cumprimento da missão. Aliás, requisitos espirituais lhe são imprescindíveis e valiosos, pois a posição que ocupa ou que pretende ocupar vai naturalmente lhe cobrar preparo espiritual definido. Evidentemente, se não tiver a convicção da salvação em Cristo Jesus, melhor é não se prontificar ao ensino. O professor há de refletir qualificações de caráter espiritual, ético, cultural e intelectual que, interligadas, hão de constituir-se numa unidade de personalidade e conduta.

Há de se salientar o preparo espiritual como essencial e básico para o desempenho da tarefa (2 Timóteo 2.15), pois, sob a unção do Espírito Santo o professor estudará a Palavra em profundidade, da qual extrairá o conteúdo de ensino doutrinário para as suas aulas.

Da literatura específica do departamento de ensino de sua igreja, a revista de Escola Dominical, captará a ideia de ensinamento expositiva pelo comentarista. Entretanto, não basta a ele saber a lição ou mesmo ter domínio de técnicas pedagógicas. O preparo espiritual é a base, é a chave mestra para a missão a que se propõe.

É claro que esse preparo só será adquirido aos pés do Mestre Jesus e, mesmo com todo o conhecimento técnico ou bíblico, deve o professor ter a humildade de reconhecer que “nossa capacidade vem de Deus” (1 Coríntios 3.5).

Não hão de faltar no dia a dia do professor da Escola Dominical o binômio estudo/oração, que é o preparo bíblico-espiritual.

Ao estudar, vem o conhecimento; ao orar, vem a unção que o capacitará para ministrar as verdades da sã doutrina a seus alunos. Com essa conjugação ele estará abastecido, alimentado e poderá realizar a tarefa com mais vigor espiritual.

As virtudes do crente fiel devem sobressair não apenas diante de uma classe. O professor, por ocupar uma posição de destaque na Igreja do Senhor, é alvo dos olhares e observações de seus superiores, alunos, irmãos na fé, familiares no lar e das pessoas de sua comunidade.

Então, qual a importância desse mestre especial para essa escola não menos especial?

Muitos não sabem, inclusive os próprios professores, que, depois do pastor, o professor é o principal agente da educação religiosa na igreja.

Ele é um colaborador, um contribuinte da obra, que acredita no que faz e nos fins a que se propõe e tem a sua colaboração como missão ímpar, uma missão de muita responsabilidade diante de Deus, da Igreja e da sua classe. Principalmente diante de Deus, pois é quem levanta homens e mulheres dotados de amor e sabedoria para compartilhar essa dádiva de conhecimento.

Faz-se importante a missão do educador da Escola Dominical quando auxilia os pais na educação religiosa, moral e cívica de seus filhos. Crianças, jovens, e mesmo adultos já tiveram no seu viver extraordinárias experiências de mudanças comportamentais para melhor, que vieram a contribuir positivamente no seu meio social graças à orientação e ao desvelo do mestre cristão.

O professor também é um evangelista por excelência, uma vez que a própria Escola Dominical visa o evangelismo através do estudo da Bíblia, e o seu alvo principal é que cada aluno seja um salvo convicto e bem treinado que, como o jovem Timóteo, “maneja bem a Palavra da Verdade” (2 Timóteo 2.15).

Suas habilidades evangelísticas serão continuamente colocadas à prova quando visitantes não crentes se fizerem presentes. Com amor, firmeza, e autoridade dos céus, os conduzirá a conhecer Jesus e decidirem-se por ele, sem sair do tema da lição. O convite não deve faltar.

É importante ao professor haver-se com sabedoria diante de uma classe normalmente heterogênea, intelectual ou espiritualmente.

Não há necessidade de mostrar eloquência. A linguagem deve ser clara e objetiva, de modo a alcançar todos de igual forma. Com sua natural habilidade, dispensará a todos tratamentos cristão equânime.

A importância do professor

Cabe ao professor reconhecer sua dependência do Mestre amado e, em oração, buscar graça e sabedoria. Buscar a vontade do Pai, buscar o desejo de estudar sua Palavra e abastecer-se das verdades divinas para poder compartilhá-las, tendo ele mesmo primeiro se alimentado. Tem que ter a plena consciência de que, quanto melhor estiver preparado, melhor fará para o Senhor.

O professor é importante como agente integrador aluno/igreja e por isso deve ter a sabedoria de ganhar a confiança dos mesmos, mostrando-se sincero, amigo, fiel, confidente, confiável, dedicado, responsável, líder, pontual, assíduo, paciente, cumpridor de suas obrigações na Igreja e fora dela, com seriedade e denodo.

No exercício da função deve empenhar-se para que esse conjunto de virtudes venham influenciar positivamente seus alunos, gerando neles interesse, responsabilidade e dedicação.

Qual o melhor método?

Ao professor, sob orientação do seu departamento, compete escolher o método de ensino que, se supõe, trará melhor resultado ao aprendizado, dependendo, é claro, da faixa etária de seus alunos.

Infelizmente, as escolas dominicais continuam sendo improvisadas dentro do espaço da própria igreja, sem salas apropriadas, o que impede o uso de recursos didáticos adequados que melhor auxiliem o desempenho do professor e tragam resultados positivos aos discentes. Não obstante, compete ao professor a criatividade de manter suas aulas interessantes, atrativas, envolventes e participativas, de modo que o aluno se sinta valorizado e recompensado, a despeito das dificuldades estruturais que possam existir.

Necessidade de preparo

A igreja deve investir no treinamento dos professores de sua Escola Dominical. Quantas vezes o professor novo é chamado de surpresa pelos alunos de sua própria classe para suprir ausências não avisadas, sem que levem em consideração o antecedente preparo da lição a ser ministrada, ou mesmo suas aptidões para a missão! Outros há que, convocados às vésperas, vão sem a menor orientação, sem preparo adequado, levar a efeito tão gloriosa tarefa – Ensinar a Palavra de Deus.

O professor é importante no contexto da Escola Dominical de sua igreja porque é um servo, porque está consciente de que é a Deus a quem presta seus serviços. Ele está consciente de que a chamada é ministerial, é para servir a causa do mestre. Não espera recompensas humanas, ele sabe que seus esforços e sua dedicação estão patentes diante Daquele que o arregimentou e o capacitou.

Quando o servo de Deus atende ao chamado para as lides do ensino, tem a convicção de que as muitas tribulações não serão capazes de o desestimular. O Mestre anima-o a prosseguir. Deus sabe o que são valores escassos. Se Deus chamou, Ele também cuida.

O professor é um semeador anônimo da Palavra que não vê a extensão da seara. Todavia na eternidade ouvirá: “Vinde, benditos de meu Pai, possuí por herança o Reino que vos está preparado desde a fundação do mundo” (Mateus 25.34).

por Eva Maria Leão de Mello Costa

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