Escola em potencial

Escola em potencial


Transformando a Escola Dominical na maior agência de ensino da igreja

Na relação entre Deus e o homem, sempre houve da parte de Deus o desejo de ensinar ao homem para que este pudesse alcançar o objetivo proposto por Ele. No Éden, Deus deu ao homem as primeiras instruções para que vivesse uma vida de paz e harmonia com o seu Criador.

Ao longo da história da humanidade, encontramos Deus instruindo o homem em toda a sua maneira de agir para que o seu objetivo venha a ser alcançado. Falou Deus aos homens pelas cerimônias, pelos patriarcas, pela Lei, pelos profetas e hoje nos fala através do seu Filho, incluindo aí a ordenança do Filho ao comissionar a sua Igreja como a única agência capacitada para ensinar a guardar as suas ordenanças.

Na Igreja Primitiva, os apóstolos trataram desse assunto com muita dedicação. A igreja perseverava nos ensinamentos dos apóstolos, conforme o relato de Lucas em Atos. Paulo seguiu esse mesmo caminho e estava sempre doutrinando as igrejas pessoalmente, por cartas, ou enviando mensageiros com ensino específico para cada situação. E hoje, como a igreja tem se preocupado com o ensino?

Tenho uma concepção muito forte, quanto à integração da pregação com o ensino. Observamos que quando uma dessas tarefas é deixada de lado, ou é menos valorizada pela igreja local, encontramos logo a seguir um desequilíbrio na saúde espiritual da igreja.

O evangelista Marcos escreve que Jesus ensinou a pregar o Evangelho. Mateus relata que Cristo mandou fazer discípulos em todas as nações, ensinando a guardar todas os seus ensinamentos. Jesus ensinou, pelas aldeias, casas, caminhos etc. Antes da multiplicação dos pães, relatada em Marcos 6, Ele primeiro ensinou à multidão. No caminho de Emaús, após a sua ressurreição, ensinou aos dois discípulos. Logo, a necessidade do ensino é fundamental e deve ser constante na vida do crente, para que este possa não só crescer na graça, mas também no conhecimento de Deus. Portanto, a Igreja da pós-modernidade não pode se esquecer do ensino, para que não caia no obscurantismo, que tanto assolou a Igreja da Idade Média.

Pós-modernidade

O que fazer para tornar a ED a principal agência de ensino da Igreja da pós-modernidade? Primeiramente, a igreja precisa crer e entender que tem em suas mãos a solução para a regeneração espiritual, dentro dos padrões bíblicos, para este mundo cheio de problemas espirituais, morais, de desagregação da família, de delinquência juvenil e outros, que preocupam não só as autoridades e aos governantes, mas também a Igreja. Além disso, é necessário explorar todo o potencial da ED para torná-la a principal agência da igreja no ensino da Palavra de Deus e da evangelização em geral.

Outro ponto importante que precisa estar bem claro na mente do líder da igreja local é a necessidade do desenvolvimento do caráter do crente e do treinamento do cristão para a execução da obra que lhe foi dada a fazer.

Há um exemplo muito forte de Jesus, na preparação de seus discípulos. Ele passou cerca de três anos ensinando de forma teórica e prática, levando-os a observarem o seu modo de agir em cada situação e também fazendo com que cada discípulo pudesse ter sua própria experiência. Depois disso, Jesus ainda preparou um ensinador, o Espírito Santo, e um revestimento especial de poder para que os discípulos pudessem iniciar a obra que nos foi entregue.

Isto nos adverte que precisamos ser bem instruídos nos ensinos de Jesus, não somente ouvintes, mas praticantes, para que possamos fazer objetivamente a obra que Ele nos confiou.

A ED tem por natureza própria a conjugação dos dois lados do “ide” de Jesus, pois ela foi criada com a finalidade de evangelizar enquanto ensina a Palavra de Deus. A Bíblia ensina que “a fé vem pelo ouvir e ouvir pela Palavra de Deus”. Logo, cada líder da igreja precisa ter bem claro em suas mentes três orientações estratégicas para a ED.

Ganhar vidas para Jesus

O salmista Davi, no Salmo 51, diz: “Então ensinarei aos transgressores os teus caminhos, e os pecadores se converterão a ti”. Ensinar aos transgressores implica em tê-los conosco. Isso quer dizer que precisamos desenvolver um plano de ação para que isso aconteça. Digo que precisamos tê-los conosco e não estarmos no meio deles. Jesus, ao ensinar a parábola da grande Ceia narrada por Lucas no capítulo 14, explica que muitos declinaram do convite, mas aquele senhor mandou seu servo sair por todos os caminhos e atalhos e trazer todos para participarem daquela ceia.

Então, o plano é sair pelas ruas, condomínios, feiras, bares, entre outros locais, convidando homens e mulheres, jovens e velhos, crianças e adolescentes, pobres e ricos, para virem à casa do Senhor, para que ela esteja cheia, e os pecadores, ao ouvirem os ensinamentos, se convertam a Jesus.

É importante ressaltar que a igreja pode e deve criar classes de ensino, principalmente de crianças e adolescentes à distância. Preparar um grupo de professores com material adequado para ir às praças, parques, ruas, quadras, condomínios e criar núcleos da ED. Precisamos criar dentro de nós o desejo de ganhar almas e colocar em ação o plano de trazer os pecadores para participarem da Escola Dominical.

Espiritualidade e caráter cristão

Assim como a criança precisa dos ensinamentos dos pais e dos professores para a formação dos seus hábitos, e consequentemente do seu caráter como ser humano, a nova criatura em Cristo também precisa de ensinamentos que vão moldar essa nova vida dentro dos preceitos da Palavra de Deus. Essa ação vai determinar o nível da espiritualidade da igreja e o caráter de cada um de seus membros. Vejamos essa estratégia aplicada aos professores:

1) Eles precisam ser comprometidos com a visão de ganhar vidas enquanto ensinam. Dedicados ao estudo da Palavra de Deus e conscientes da responsabilidade que receberam. Devem amar seus alunos e ser cheios do Espírito Santo.

2) É responsabilidade da direção da igreja e do superintendente da ED a escolha dos professores, pedindo sabedoria a Deus para distribuí-los de acordo com a necessidade de cada classe. Deve haver uma preocupação constante no treinamento dos professores, com participação deles em seminários, cursos e congressos, incentivando-os à leitura de livros evangélicos e seculares, para que estejam sempre atualizados e aptos a ensinar, pois cada professor tem cerca de uma hora semanal com seus alunos para ministrar sobre a Bíblia, enquanto estes têm muitas horas diárias gastas em outros aprendizados.

Darei a seguir alguns exemplos de questionamentos comuns nas igrejas.

1) Como um professor pode ensinar aos adolescentes nos dias atuais sobre a Criação do mundo conforme ensina a Bíblia, se ele não tem conhecimento das teorias seculares? Ao ser questionado, poderá ele refutar as teorias sem conhecer, pelo menos, o básico de cada teoria?

2) Como refutar o ensino da reencarnação sem conhecimento básico sobre o assunto?

3) Como ensinar sobre a Volta de Cristo sem acompanhar os acontecimentos diários da vida tecnológica, econômica, política e social do mundo?

Então, se queremos evangelizar enquanto ensinamos, precisamos investir na preparação espiritual e secular dos nossos professores e adotar estratégias para cada segmento a ser alcançado.

Crianças

A Escola Dominical precisa ter o prazer de ensinar as crianças no caminho que devem andar, para que mesmo quando a velhice chegar elas não se desviem do objetivo de estar um dia com Cristo.

A ED precisa ser um lugar onde as crianças se sintam bem e tenham prazer de estar. Pode ser a mais simples, porém precisa ser dinâmica, atualizada e objetiva. A classe das crianças não pode ser um local de aprisionamento, mas um local onde se cumpra o ensino de Jesus que diz: “Deixai vir a mim os pequeninos, pois deles é o Reino dos Céus”.

A igreja que trata com carinho a criança de hoje está se fortalecendo para o amanhã. Queres ter sucesso nesta faixa etária em sua ED? Não deixe que as classes infantis se transformem em creches e nem os seus professores em babás.

Adolescentes

A adolescência é a faixa etária das descobertas, das transformações, dos questionamentos, e os professores que nelas ministram precisam estar espiritualmente, psicologicamente e secularmente preparados para ouvir as questões, interpretar as intenções, responder com sabedoria e motivar cada um deles.

A ED não deve ser para os adolescentes um reformatório juvenil, onde eles por obrigação acompanham seus pais. Mas um lugar onde tenham o prazer de estar e ali ter comunhão com seus amigos e irmãos, onde recebam instruções que continuarão a moldar o seu caráter e o alimento espiritual para suas almas.

Se a Escola Dominical cuidar com carinho dessas classes, poderá a igreja ver adolescentes colocando as suas vidas a serviço de Deus, atendendo ao chamado do Mestre e a designação do Espírito Santo para o ministério.

Jovens

Essa é a faixa etária onde os sonhos devem ser colocados em prática. A decisão pela carreira, a expectativa do casamento e até mesmo os desejos ministeriais trazem inquietações emocionais. Com a maioridade, abre-se para o jovem a porta da liberdade. Ele agora quer tomar suas decisões.

Nessa faixa etária, o aluno precisa ter no professor um amigo com quem possa compartilhar suas experiências, um ouvinte que ouça sem questionar, um orientador com sabedoria de Deus, que o oriente a lembrar sempre do Criador na sua mocidade.

Novos convertidos

É uma classe de importância singular, pois quando se convertem trazem consigo a bagagem dos ensinos adquiridos em outras religiões. São crianças espirituais que precisam de cuidados especiais. Muitos chegam feridos, desapontados com casamentos partidos, ofendidos, sem esperanças ou talvez buscando algo onde possam se abrigar. Custam caro, pois foram comprados pelo sangue precioso de Jesus, e agora precisam ser discipulados. Assim como Jesus se preocupou com seus discípulos, passando com eles cerca de três anos ensinando-os, esses também precisam aprender os primeiros passos.

É na classe que o novo convertido aprenderá a amar a Deus, a Cristo, ao Espírito Santo, a Palavra de Deus, a igreja, ao seu pastor, aos seus irmãos e aos perdidos. Se a ED promover um bom discipulado, o novo convertido terá uma vida fértil e produzirá bons frutos. Será um crente estável, doutrinado na sã doutrina, estudioso da Bíblia, dizimista, com a alegria de ofertar, e terá o prazer de estar na Igreja

Adultos

Estes normalmente estão divididos em classes por faixa etária, sexo e estado civil. Em cada uma vamos encontrar diferentes problemas, interesses, desejos, objetivos e crescimento de vida cristã. É o pai de família que trabalhou a semana toda incansavelmente e no domingo quer descansar; a mulher que trabalhou a semana toda e no domingo tem que cuidar de sua casa; é a dona de casa que o marido não é crente e quer que o almoço esteja pronto cedo. Estes e outros problemas são fatores de resistência à ida do crente a ED. A classe tem que ser dinâmica, alegre, agregadora e promover a comunhão entre os irmãos.

Os professores devem se preparar para alimentar seus alunos, não mais com o leite, mas pondo à parte os princípios elementares do Evangelho; devem se aprofundar nos mistérios de Cristo. Nessas classes o aluno deve prosseguir em conhecer a Deus, logo o professor deve possuir profundas experiências com Deus.

Treinamento cristão

Jesus certa ocasião enviou seus discípulos para um estágio. Mandou 70 discípulos dois a dois. Eles voltaram maravilhados. Assim acontece também na Igreja da pós-modernidade. Nós, os discípulos de Jesus, precisamos de vida, de pratica cristã. Seja qual for o departamento, a faixa etária, o tempo de convertido, todos precisamos ser treinados. Assim como o soldado que mesmo em tempo de paz precisa estar preparado para a guerra, o cristão precisa estar pronto para entrar na batalha a qualquer momento.

O treinamento deve ser constante, o cristão precisa estar devidamente preparado, saber manejar o escudo da fé, empunhar a espada do Espírito, que é a Palavra de Deus, ter uma linha aberta com o Espírito, que é a oração, e estar vigilante contra as ciladas do inimigo.

A intenção com este artigo não é criar uma ED modelo, mas levar pastores, superintendentes e professores a refletir sobre a importância da Escola Dominical e motivá-los a explorar o potencial da ED como a principal agência de ensino da sua igreja. Nós estamos vivendo os últimos dias antes da volta de Jesus Cristo. A batalha está renhida, o inimigo usa todas as armas possíveis para atingir o seu objetivo de roubar, matar e destruir. E nós, como estamos lutando?

por Francisco Augusto Nobre

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