Eficiência acontece quando o ensino é aplicado ao contexto da juventude
Por um lado um Deus criador, conhecedor de tudo o que o jovem precisa para ser feliz e detentor de um plano especial de amor. Do outro, a juventude cheia de vigor e paixões por ideais, necessitando tomar muitas decisões que guiarão todo o curso de sua vida, com efeito, para a eternidade. Pressionada por uma sociedade que mistura o avanço tecnológico com a inversão dos valores bíblicos, a juventude necessita urgentemente que os ensinadores cristãos se habilitem com os recursos necessários para, através do ensino bíblico genuíno, fazer ruir o plano maligno do príncipe deste mundo: destruir espiritualmente milhares de futuros lares. E Deus conta com você nesta obra.
Deus quer salvar todos os homens, entretanto não se utilizou
das milícias angelicais para esse particular. Ele quer edificar os jovens
crentes, mas quer que nós nos levantemos dispostos a realizar essa tão
importante tarefa. “Ele mesmo deu uns para... doutores, querendo o
aperfeiçoamento dos santos...” (Efésios 4.11-12). Será que Deus deseja que
melhoremos nossos métodos de ensino de forma que venhamos a alcançar nossos
jovens com um aprofundamento nos seus caminhos e firmeza na fé em Cristo?
Deus ama o jovem
A vontade do Senhor para o jovem é que seja feliz. Ele quer
que o jovem aproveite a sua mocidade, mas o faça com discernimento. Um dia o
jovem vai prestar conta de tudo isso (Eclesiastes 11.9). O texto bíblico
declara ainda que o jovem deve andar pelos caminhos do seu coração. Em meio a
tantas possibilidades de realização dos seus desejos, que caminho o jovem vai
escolher? O salmista disse “escondi a tua palavra no meu coração para eu não pecar
contra ti” (Salmos 119.11). Um coração em que está escondida a Palavra de Deus
terá um caminho bom a seguir. O ensino bíblico modifica a conduta do jovem.
Deus tem um lugar especial para o jovem. A Bíblia trata, de
modo muito claro, dos objetivos de Deus para o jovem e dos princípios para que
ele alcance a verdadeira felicidade.
Exemplos do Antigo Testamento
José, filho de Jacó, com seus 30 anos, se dispôs a pagar o
preço da obediência e foi usado por Deus para influenciar a história das
nações, ao administrar o Egito como segunda pessoa de Faraó (Gênesis 41.46), “O
Senhor estava com ele”. Tempos depois, Israel pode rejubilar ao ver sua
possível derrota transformando-se em poderosa vitória. O jovem Davi resolveu confiar
mais em Deus do que nas armas de Saul (1 Samuel 17). Deus também contou com
Josias que, aos 16 anos, buscou ao Senhor e quatro anos depois purificou Judá e
Jerusalém da idolatria (2 Crônicas 34.1-3).
Exemplo do Novo Testamento
Jesus, com 12 anos, já estava no templo tratando dos
negócios de seu Pai, e nos ensinou com seu exemplo, quando atendeu um moço rico
que queria conseguir a vida eterna (Mateus 19.16-22).
O apóstolo João registrou: “Eu vos escrevi, jovens, porque
sois fortes, e a palavra de Deus está em vós, e já venceste o maligno” (1 João
2.14b). A primeira carta que o apóstolo Paulo escreveu a Timóteo revela que
este era um pastor bastante novo. O apóstolo o aconselhou a que ficasse firme
no trabalho e não permitisse que os membros de sua igreja o desprezassem por ser
jovem. Para isso, Timóteo teria que ser “o exemplo dos fiéis, na palavra, no
trato, na caridade, no espírito, na fé, na pureza” (1 Timóteo 4.12). O cuidado de
Deus para com os jovens das igrejas de Creta é visto quando Paulo, escrevendo a
Tito, faz a recomendação de que os jovens sejam exortados a serem moderados (Tito
2.6).
A natureza do ensino bíblico
O ensino, de modo geral, não é tido mais e somente como
transmissão de conhecimentos. Mesmo que tenha sido definido de muitas maneiras,
o ensino hoje é visto como o processo de facilitação dos recursos que levam o
aluno a aprender. O bom professor, mais do que transmitir conhecimento, é
aquele que sabe criar em seus alunos o desejo profundo de conhecer e uma grande
motivação no sentido de buscar esse conhecimento para si. Com o ensino bíblico
não deve ser diferente.
O professor desperta no aluno o desejo de aprender e depois
guia-o no processo da aprendizagem. Ele não só faz preleções ou conta história.
Ele deve ter como objetivo estimular a mente do aluno para pensar, refletir e
sentir a necessidade do aprendizado. No ensino cristão, o professor sabe que
pode contar com a ajuda do Espírito Santo, mas que, nem por isso, se descuidará
de se utilizar dos recursos e técnicas disponíveis para o alcance de bons
resultados no seu ensino.
O propósito
Enquanto para o ensino secular são indicados praticamente os
mesmos métodos e recursos instrucionais, o ensino cristão tem objetivos
diferentes. Está num plano mais alto. Não se trata apenas da aquisição do
conhecimento natural, nem dos sentidos físicos, mas, também, dos sentidos
espirituais e da aquisição dos conhecimentos espirituais. Tem a Bíblia Sagrada como
livro texto e seus ensinos como única regra infalível de fé normativa para a
vida e o caráter cristão. E necessário que o professor perceba no seu aluno uma
consciência de Deus e, então, procure desenvolvê-la. O ensino cristão deve
provocar no aluno decisão: a de entrar pela porta da regeneração e optar pelo
crescimento espiritual contínuo. É esse o propósito de Deus para o coração do jovem.
O ensino deve provocar um aprendizado, que só se caracteriza
quando há uma mudança de comportamento ou de atitude na vida do aluno, em função
do ensino recebido. E interessante que o educador cristão, para realizar bem o
seu trabalho, procure conhecer a natureza de seus alunos, segundo sua faixa
etária. Conhecendo as características desses alunos, o professor está de posse
de uma importante ferramenta de aplicação das verdades bíblicas em suas vidas. Descrevemos
alguns estados que bem caracterizam o jovem.
Apogeu de forças e aptidões
Entre os 18 e 30 anos de idade, é quando o estado físico dos
jovens atinge seu nível mais elevado. Alcançam a capacidade máxima na
realização de tarefas que envolvem rapidez e agilidade, pois têm imaginação construtiva
e ótima capacidade de raciocínio, bem como de ter e criar filhos. Essas
energias física e mental devem ser canalizadas para as realizações.
O inimigo quer se aproveitar dessas condições do jovem para
tentar oprimi-lo. O jovem já tem capacidade para assumir responsabilidades. O
professor deve aproveitar para promover o aprofundamento dos estudos bíblicos,
levá-los ao descobrimento do plano de Deus para suas vidas, como propiciar
oportunidades aos alunos para o serviço cristão. Também despertar o interesse para
que se tornem verdadeiros cooperadores da obra de Deus.
Ampliação de relacionamentos
Pela independência intelectual que começa a se caracterizar
nessa idade, há um aprofundamento e ampliação das relações, com sentimentos
plenamente desenvolvidos e uma certa estabilidade emocional, com perspectiva otimista
para a vida. É período de muitas decisões, como escolha da profissão, busca do
companheiro para a vida, noivado e casamento, paternidade e maternidade, dentre
outras. Para ajudar os alunos, o professor deve promover oportunidades para a ampliação
do relacionamento de amizade entre os jovens casais e realizar confraternizações
entre classes de sexo oposto.
A ajuda do professor no processo de aprendizagem para a vida
e nas tomadas de decisões é muito bem-vinda. O cuidado em promover a instrução religiosa,
no que tange ao relacionamento conjugal, o lar e a educação de filhos, também é
dever do professor que deseja ver seus alunos abençoados e sempre presentes. O
pastor deve ajudar, nesse caso.
Um deportador de conhecimentos e experiências
O jovem aluno traz consigo conhecimentos e experiências,
como resultado de provas próprias desta fase. Isso pode ser fator positivo para
o ensino ou gerar uma carência com a necessidade de intervenção do professor para
sanar a dificuldade. O professor precisa conhecer tudo isso, bem como
considerar como fator de ajuda na composição de seu plano de aula. Conseguirá
essas informações nas reuniões de confraternização da classe, nas visitas às
casas dos alunos, nos cultos evangelísticos que a classe fizer ou em entrevista
com os próprios alunos. Isso pode ajudar o professor até na escolha da
ilustração ideal para sua aula.
A influência da mídia
Não há dúvida de que a televisão, rádio e jornal exercem uma
influência muito forte sobre as pessoas. Essa influência atinge amplamente a
forma como se enxerga o mundo, como se pensa e se fala, o que se considera importante
ou não. E grande o volume de informações pervertidas que a mídia, através de
suas variadas ferramentas, usa para bombardear a mente de nossos jovens,
principalmente; na área sexual. Precisamos nos contrapor a tudo isso criando
ações paralelas que venham, pelo menos, prevenir nossos jovens de tais males, através
da própria Escola Dominical.
A rapidez do mundo eletrônico
O avanço da tecnologia transformou o mundo em uma grande
aldeia global onde as notícias e pessoas voam rapidamente. A informática dinamizou
a utilização e transporte das informações e dados. A inovação é atualmente o
grande desafio que todas as empresas devem enfrentar. Entre 1994 e 1995, cerca
de 275 livros publicados nos EUA levavam a palavra inovação no título. Lá, na
3M, os empregados chegam a apresentar manualmente cerca de 150 ideias novas como
soluções para os problemas e necessidades dos clientes. Compra-se um computador
de última geração hoje e seis meses depois está desatualizado, e a loja não
vende mais aquele tipo. Então, você vai numa classe de jovens da Escola Dominical
e encontra o professor lendo a revista para meia dúzia de alunos sonolentos,
tal como seu bisavô fazia. Como conseguir a concorrência dos alunos se o
próprio professor não valoriza o ensino?
A escola que ficou para trás
Há um esforço notável na rede de ensino secular no sentido
de implementar novos recursos, novas técnicas visando a melhoria do
aprendizado. A juventude contempla tudo isso e cria em si uma expectativa, até mesmo
inconsciente, que se não atendida gera o desânimo e até a rejeição desse
ambiente.
A família apressada
A situação econômica por que passa a maioria das famílias
brasileiras tem forçado a ausência do pai e da mãe, no lar, durante o dia.
Quando a situação não é reconhecida com a intenção de uma ação compensadora, pode
gerar jovens com pouca instrução bíblica ou fracos na fé. Há aqui a necessidade
de a igreja, através da Escola Dominical, ajudar esses jovens, com a instrução necessária,
rumo à sua maturidade.
Para transformar a experiência do ensino bíblico em algo de
muito proveito para o jovem, precisamos refletir sobre os seguintes pontos.
1) O jovem também é formado de corpo, alma e espírito. Cada
uma das partes desta tricotomia tem as suas necessidades. Como o ensino será atrativo
se for voltado para apenas uma dessas partes? O jovem quer aprender sobre as
coisas do espírito: o amor, a esperança, a reverência, a adoração e a fé. Mas
quer estar livre para imaginar, lembrar, sentir, ter consciência e razão
naquilo que está fazendo e utilizando sua visão, audição, olfato, paladar e
tato para a obtenção da plenitude do aprendizado. No ensino de Paulo, os três
devem estar no mesmo nível (1 Tessalonicense 5.23).
2) O jovem quer ensino participativo. Quer aulas
interativas. Chega de monólogos que despejam em sua cabeça uma porção de
conhecimentos que ignoram suas necessidades. Em qualquer lição bíblica
discutida, uma vez colocada as necessidades dos alunos, na presença maravilhosa
do Espírito Santo, acontecem a sua operação.
Preleção que não interroga, que não dá oportunidade de o
aluno participar, que não se interessa pela informação que o aluno quer dar,
que corre para que a matéria seja toda dada no tempo certo, é tiro que erra o alvo.
E semente jogada fora.
3) Do ponto de vista sociocultural os jovens formam um grupo
bastante heterogêneo. Já chegam à Escola Dominical com grande bagagem de
conhecimentos adquiridos ao longo da história de vida. O professor deve
trabalhar as experiências passadas de fracasso e exclusão para diminuir a autoimagem
negativa do aluno. E isto é bíblico, veja 2 Coríntios 4.8-9.
4) O professor precisa lembrar que é sumariamente importante
que, ao dar a sua aula os alunos estejam motivados a aprender. Então, que tal
uma dinâmica de descontração ou de integração? Procure comprar um livro sobre o
assunto. Existem algumas tão simples que dá para fazer até na nave do templo. E
isso que o jovem quer.
5) Os jovens estão interessados em que seu professor venha
ensiná-los a refletir sobre as lições que já receberam, a aprender a
manuseá-las e tomar decisões seguras para sua vida.
6) O adágio “Eu vou para onde sou convidado e fico onde sou
bem tratado” também é válido para as classes de jovens. “Bem tratado” vai muito
além do recebimento de elogios. Muito além do reconhecimento pela oferta dada.
Exige do professor o conhecimento do aluno em suas características físicas,
mentais, sociais, emocionais e espirituais. Para quê? Para que, quando estiver
preparando sua aula, o Espírito Santo lhe conduza a abençoar o aluno com uma
aplicação prática, segundo a sua necessidade.
7) O Manual da Escola Dominical declara que uma boa
aula sempre terá algo para ver, sentir e fazer. Algo para ver trata do recurso
audiovisual que você não deve dispensar. Algo para sentir é aquilo que lhe toca
para que, a partir da lição, seja diferente em sua vida. E o algo para fazer é
uma ação prática da lição aprendida, na classe ou no culto evangelístico. Se a
Escola Dominical ensina a fazer, precisa facilitar a oportunidade da prática
desse ensino.
8) Uma das necessidades do jovem é atender ao chamado de
Deus, e ele quer participar no processo da evangelização, mas quer clareza de
objetivos da igreja, alvos definidos e um modelo a imitar.
9) A utilização dos recursos audiovisuais adequados à aula e
a escolha dos métodos de ensino para aquela aula específica é algo
imprescindível ao professor. Ele deve realizar uma variação desses métodos e recursos
a cada período. O que não podemos e não devemos alterar nunca é o ensino da
Palavra, mas os recursos e técnicas podemos e devemos alterar. Por quantas
variações de embalagens do leite você já passou? Mas o leite continua sendo
leite. Assim é com a Palavra de Deus.
Que o Senhor nos abra, cada vez mais, o entendimento para
estarmos adequando sempre o ensino bíblico às necessidades específicas de
nossos alunos jovens.
por David Rodrigues Nascimento
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