É verdade que os conflitos de geração sempre existiram e existirão. Assim como sempre será possível contorná-los e extrair o melhor das características de cada geração e também da relação entre elas.
Os nascidos entre 1945 e 1965, na geração do pós-guerra, são
classificados como “Baby Boomers” (o “bum” dos bebês), pessoas que, aqui no Brasil,
ainda viveram em um regime militar. Por isso é uma geração caracterizada pela hierarquia,
onde simplesmente se obedecia aos pais e professores, pastores e líderes, sem questioná-los.
Simplesmente porque estes eram os detentores do poder.
Após os “Baby boomers”, veio a minha turma, a “Geração X”, dos
nascidos entre 1965 e 1980. Em geral esta geração foi culturalizada a pensar na
qualidade de vida, longevidade, e são pais geralmente mais abertos, às vezes super
protetores, e dão mais liberdade do que receberam. A “Geração X” é bastante
dedicada ao trabalho e permanece por mais tempo no mesmo emprego.
A seguir temos a “Geração Y”, que compreende os nascidos
entre 1980 e 1994, justamente no “boom” da tecnologia. Seus pais são dedicados à
carreira profissional, dentro de uma estrutura com pouca hierarquia, cujos filhos
da classe média têm agendas lotadas: natação, línguas, informática, balé, futebol,
etc. Tudo em nome do “melhor para o filho”, a fim de compensar o pouco tempo
que de fato dedicam a eles, criados por creches ou babás. Os filhos aprenderam a
viver sozinhos, por isso se tornaram mais individualistas.
A “Geração Y” é caracterizada como uma geração muito ansiosa
e muitos acabam perdidos sem saber para onde ir, devido sua criação. Buscam
muito a aprovação do grupo, diferente das gerações anteriores que buscavam a aprovação
de seus pais.
Não são poucos os pais ou professores que têm dificuldades
nos relacionamentos com os jovens da “Geração Y”, pelo fato deles não se importarem
com a hierarquia. Conversam com o professor, chefe, pastor, pais de “igual para
igual”, embora isso não signifique necessariamente um desrespeito. Na verdade, eles
acreditam em seu potencial e são questionadores. Geralmente impacientes
costumam querer tudo na hora. Por isso mudam com maior frequência de trabalho e
quando ficam dois anos sem uma promoção já se sentem fracassados. Trabalham por
prazer, pois acreditam que é possível aliar as duas coisas. Muitos chegam a
cargos de liderança bastante jovens, exercendo multitarefas. Como é o caso do ícone
desta geração, o bilionário criador do Facebook, Mark Zuckerberg. Não conseguem
se imaginar sem tecnologia, se irritam facilmente quando são contrariados,
tendo dificuldades em se relacionar de forma interpessoal. Porém, a “Geração Y”
também é muitíssimo criativa, aberta às ideias, desprendem muita energia para o
que desejam. Por isso, quando se entregam a Cristo são uma ferramenta poderosa em
prol do Reino de Deus. Saiba utilizar essas características neles!
A “Geração Z” (de zapear) são os nascidos após 1994. É a
geração que nasceu e cresceu com a internet e familiarizada com as tecnologias.
Passam horas conectados, e usam computador, ouvem música e trocam mensagem ao celular
tudo ao mesmo tempo. Nasceram, na maioria, com dia e hora marcados (cesariana),
e alguns com o ultrassom 3D já postado no Facebook. São muito mais ansiosos, impacientes
e acelerados que a “Geração Y”, e com muito mais dificuldades para trabalhar em
grupo, por serem ainda mais individualistas. Não conseguem se imaginar sem as tecnologias
um dia sequer. Querem tudo rápido, como um “enter” do computador.
Um estudo da TNS Research Internacional, importante empresa
de pesquisas, mostrou que dentre crianças de 6 a 12 anos, em 600 famílias,
cerca de 89% buscam as redes sociais para conversar com amigos e se comunicam muito
através da tecnologia, embora pessoalmente tenham muitas dificuldades para fazerem
amigos, e acabam se isolando em seus quartos.
Os pais precisam ter acesso ao que seus filhos fazem na
internet, usar ferramentas para monitorar e gerenciar a internet em geral, seja
nas Redes Sociais como Facebook, Twitter e MSN, ou em sites de jogos e outros. Por
mais difícil que possa parecer, os pais precisam buscar contato com seus
filhos, procurar assistir filmes juntos, sair, conversar, e fazerem as
refeições juntos.
É importante salientar que a igreja também se transforma com
as questões sociais. Se você for pelo menos da “Geração X”, como eu, você vai se
lembrar dos hinos que foram compostos pela geração anterior. Na época do militarismo
os hinos “Sou um soldadinho de Jesus”; “Os guerreiros se preparam para uma grande
luta” entre outros, traziam para a liturgia do culto a realidade social daquela
geração.
Tanto os professores de Escola Dominical, como líderes,
pastores e pais precisam se atualizar e buscar conhecimento para melhor se relacionarem
com as gerações Y e Z. Para este grupo, o papel de liderança é exercido pelo
facilitador, não pelo “ditador”.
Encontre formas de se aproximar deles, usem estratégias
inovadoras: debatam filmes, façam gincanas, usem todas as ferramentas tecnológicas
para abençoá-los. Por que não enviar mensagens de texto para seus alunos e liderados?
Mostre-os na linguagem deles que você se preocupa com suas vidas. Tenha uma liderança
participativa, onde as suas opiniões podem ser confrontadas por eles sem
problema algum. Quando errar reconheça e peça perdão. Não seja inseguro quanto
a isso, pois tais posturas só conquistarão o respeito dessas classes.
Vamos aproveitar o que a diferença entre as gerações nos
traz de bom, de soma, de crescimento pessoal. Seja do jovem ao ancião. O
importante é respeitar e aprender uns com os outros, independente de qual dessas
classificações nos encontramos. Aliás, é bom sempre lembrarmos que temos algo em
comum. Todos nós somos da Geração JC. A Geração que traz a marca de Jesus
Cristo em suas vidas, e esta marca nos une e nos aproxima acima de qualquer
outra diferença. Vivamos respeitando as habilidades de cada geração, e cresçamos
juntos, tanto na área emocional, intelectual, física, como principalmente na
vida espiritual e social.
por Valquíria Andréia Salinas Goulart
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